
O Melhor Amigo da Minha Irmã
Capítulo 3
Despedi de alguém que vai morar em outro estado, já é difícil, mas se despedir de alguém que você nunca mais vai ver e ainda sendo seus pais é mil vezes pior. E estava sendo assim aqui de frente para os caixões dos meus pais. Helena preferiu que fosse lacrados pois queria manter em nossas memórias como eles eram em vida, alegres, brincalhões, ela não queria que tivéssemos essa lembrança horrível deles dentro de um caixão.
Estamos as três em frente ao caixão deles, minha cabeça doía há dois dias pelos fato do choro e Hannah tenta me consolar da melhor maneira possível, vejo Neitan abraçar Helena e dizer palavras de conforto assim como fez comigo há dois dias atrás. Eu já não consigo mais derramar uma lágrima e ver alguns familiares chorando e dizendo o quanto eles eram bons me deixa ainda mais triste. Porque nunca mais vou ver o sorriso encantador da minha mãe e ter o abraço acolhedor do meu pai.
Me sinto sufocada e saio dos braços da minha irmã indo em direção a saída da sala onde está sendo o sepultamento. Eu não tenho mais lágrimas para deixar cair e fico brava comigo mesma por isso. Chuto algumas pedras que vejo pela frente e olhos novamente para o céu que começa a se fechar por causa de uma chuva que deve está vindo em breve.
Sinto uma mão em meu ombro e abaixo a vista vendo Neitan parado do meu lado com a outra mão no bolso.
- Eu não consigo.. – digo.
- Ninguém precisa ser forte o tempo todo Harley – ele diz e abaixo as vistas.
- Não tenho mais lágrimas para chorar e estou brava por isso – confesso – estou seca por dentro Neitan, só sinto dor aqui dentro – levo a mão ao peito.
- Faz parte do luto – sinto ainda sua mão quente em meu ombro. Neitan usa uma calça preta junto com uma camisa de manga escura também.
Ele me puxa para um abraço e sinto seus braços quentes em volta de mim, que sou tão pequena neles. Ouço seu coração bater devagar e uma leve carícia em meus cabelos.
- Vai ficar tudo bem – ouço sua voz acima da minha cabeça.
- Um dia essa dor vai passar Neitan? – pergunto e ergo a vista pra olhar para ele.
- Acredito que não. Mas vai amenizar em algum momento da sua vida – Neitan perdeu o pai novo também. Ele foi morto em um assalto numa loja de conveniência, hoje Neitan vive junto com a mãe e o namorado que estão prestes a se casar.
- Obrigado por estar com a gente – agradeço.
- Vocês são as minhas irmãs de outra mãe Harley, sempre estarei aqui – apesar da dor que já sinto, contestar que não passo disso para ele me dói ainda mais e por isso me afasto dos seus braços.
- Preciso voltar – digo e ele assente.
- Eu te acompanho – concordo e adentramos a sala juntos.
Vejo quando Helena percebe minha aproximação e me abraça. Ficamos ali por mais algumas horas, vizinhos, amigos e parentes que passaram para nos dar a condolência e a hora mais difícil de todas se aproximou, onde diríamos adeus e sinto a dor que está dentro de me querer me esmagar como se eu fosse um mosquito. Há uma coroa de flores em cima de cada caixão e as duas está escrita a mesma frase "Isso não é um adeus e sim um até logo, das suas filhas queridas" e sei que não fomos a gente que fez aquilo e sim Neitan, lhe olho de canto e vejo ele pensativo olhando em nossa direção.
O carrinho que leva os caixão para em frente a túmulo onde eles serão enterrados e lá tem uma lápide com a fotos dos dois juntos e a escrita: "Pais amorosos" juntos a data de nascimento de cada um e a data de morte.
Tudo foi feito muito rápido e logo todos que vieram se despedir deles vão se dissipando e restando apenas nos quatros. Helena, Hannah, Neitan e eu. Alguns pingos de chuva começar a cair e vejo quando Hannah me puxa para irmos para casa. Para o lugar que agora teria um grande vazio, que não teria mais sentido está dentro dela sem eles, mas mesmo assim os acompanho sem questionar.
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