
O magnata da minha vida (Livro 1)
Capítulo 3
— Todo seu! — Ela gesticula com as mãos e passa animada por mim me dando um tapa na bunda.
Olho para ela de soslaio franzindo as sobrancelhas, seguindo rumo ao banheiro. Ela ri e dá de ombros.
— Bunda linda. — Pisca para mim, me fazendo rir.
— Sua tonta. — Entro no banheiro ainda rindo.
Preparo a água da banheira e entro relaxando meus músculos cansados da viagem. Poderia ficar assim por horas, mas não fico enrolando muito, já que Katy com certeza teria um surto caso eu demorasse.
Saio enrolada em uma das toalhas felpudas, secando meu cabelo com outra. Katy já está arrumada e quase terminando de fazer sua maquiagem.
Visto meu conjunto de “lingerie” preto rendado e o vestido. Rapidamente faço minha maquiagem, apenas para ressaltar o verde dos meus olhos, com sombra preta bem esfumada. Com o auxílio do rímel deixo meus cílios mais longos e opto por um batom vinho matte, deixando meus lábios bem marcados. Solto meu cabelo ondulado sobre os ombros e o seco levemente com o secador, depois jogo minha franja para o lado direito a deixando volumosa e com o caimento perfeito. Um anel e um par de saltos vermelhos completam o visual. Pronto.
— Estou pronta — digo me virando para Katy.
— Estou terminando, espera só um pouquinho — ela diz retocando o batom.
— Você começou primeiro que eu! — falo impaciente.
Katy sempre foi enrolada, detalhista e atrasada. Suspiro esperando que ela termine.
— Já vou. — Coloca um par de brincos e dá uma voltinha a minha frente. — Como estou?
— Peituda. — Gargalho vendo seus peitos fartos apertados no vestido.
Apesar de seu vestido ser chamativo, até que é comportado e delineia bem todas as suas curvas.
— Palhaça. — Ela revira os olhos e arruma os peitos dentro do vestido.
— Está linda! Vamos.
Como Katy já pesquisou todas as “boates” de Las Vegas, pegamos um táxi e informamos o endereço ao motorista, não demora muito e estamos em frente a uma “boate” muito movimentada e badalada.
Após enfrentarmos uma grande fila, entramos. O som estridente da música eletrônica invade meus ouvidos fazendo meu coração pular de acordo com as batidas frenéticas do som alto.
Caminhamos em meio às pessoas que dançam loucamente coladas umas nas outras para chegar ao balcão de bebidas que fica do outro lado da “boate”. Nós sentamos em um dos banquinhos e gesticulo para o barman, pedindo duas doses de vodca pura. Contamos até três e viramos de uma vez a bebida na boca que desce queimando em nossas gargantas, após mais duas rodadas, começamos a ficar alegres e animadas. Minha tolerância para álcool não é das melhores, mas hoje não estou nem aí, apenas quero curtir minhas férias enchendo a cara e me esquecendo dos problemas.
— Vamos dançar! — Katy grita por cima da música alta.
Afirmo deixando meu copo de lado e sigo para a pista de dança com Katy que me puxa pela mão. Dançamos e rebolamos sem nos importar com o que vão pensar. Não demora muito e um homem lindo se aproxima de Katy para dançar, apesar de ela não gostar de contatos físicos por seus traumas, não perde tempo e aceita dançar sem muita aproximação ou toques.
Katy é sempre bem reservada quando o assunto é namoro, ela se fechou para o amor e não leva relacionamentos adiante, mas tenho certeza que se um dia encontrar alguém que a ajude a superar todos os seus traumas e medos do passado, não vai abandonar a pessoa tão cedo.
Danço com vários homens lindos, mas nenhum deles me desperta interesse. Não porque estou sofrendo pelo Ricardo, jamais, simplesmente não estou no clima para me envolver com alguém essa noite. Só quero beber, e muito, por sinal. Volto para o bar e peço um cosmopolitan.
O álcool me acalma e afasta os piores pensamentos da minha cabeça. Estar nos Estados Unidos não me traz boas recordações e, mesmo sabendo que nada de mal pode me acontecer aqui, a tensão em meu corpo não diminui.
Peço um dry martini em seguida e saboreio com prazer cada gota que toca meus lábios e desce lentamente gelando minha garganta. O álcool começa a fazer efeito em meu organismo, me causando calor enquanto eu brinco com a azeitona na taça.
De relance noto um homem sentado próximo a mim que me olha descaradamente. Seus intensos olhos azuis como as águas que cobrem o oceano chama a atenção, a barba rala por fazer o deixa ainda mais charmoso e os cabelos negros despenteados o torna sedutor, o nariz fino e queixo quadrado lhe proporcionando um ar extremamente másculo e sua altura impõe respeito. De longe me lança um sorriso encantador que faz meu coração acelerar e as borboletas já mortas dentro do meu estômago criam vida me deixando atordoada.
Qual é borboletas? Fiquem quietas, vocês só me colocam em enrascadas. Hoje não, por favor!
Seus maravilhosos olhos azuis se voltam para mim, com gesto reservado, porém direto, ele me oferece um drink com intenção de se aproximar. Considero as possibilidades de aceitar àquele ato, mas acabo aceitando de bom grado, já que se trata de uma margarita blue. Sem demora, ele se senta ao meu lado me entregando a bebida com um lindo sorriso no rosto.
Aproveito o momento para saborear o drink e apreciar sua beleza sem presa. Ele é tão lindo que consegue prender minha atenção sem muito esforço e sua voz grossa, porém gentil, me deixa vidrada em seus lábios rosados.
Posso ver seus músculos bem definidos através do terno apertado. Seu traje sofisticado esbanja riqueza e luxo, o que não é apropriado para uma noite naquele lugar. Talvez esteja afogando suas mágoas no álcool assim como eu.
Olho em volta à procura de Katy e não a encontro, antes que a bebida comece a surtir efeitos devastadores e polêmicos, me levanto para ir embora, me despedindo do homem que nem mesmo sabia o nome. Em um ato rápido, ele cola nossos corpos, sua respiração quente próxima ao meu pescoço me deixa excitada, mas resisto fortemente às suas investidas afastando-me.
— Fique — sussurra próximo ao meu ouvido.
— Não posso — recuso.
— Por favor, prometo que esse será o último. — Desliza o copo de bebida em minha direção e nem mesmo notei quando foi pedido.
— O último! — afirmo.
Acabo aceitando a bebida, pois não fará mal algum apreciar sua presença por mais alguns minutos, o que eu não sei é que essa bebida mudaria totalmente o rumo da minha vida, a colocando de cabeça para baixo.
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