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Capa do romance O Lado Sombrio do Cuidado

O Lado Sombrio do Cuidado

Após encontrar suas quatro colegas mortas na sala, Sofia vira a principal suspeita do Inspetor Ricardo. Entre lacunas de memória e provas incriminatórias, uma revelação médica muda tudo: ela possui Transtorno Dissociativo de Identidade. Sua outra personalidade, agindo como protetora, envenenou as jovens para encerrar anos de bullying. Agora internada, Sofia encara um dilema sombrio: se seu alter ego elimina toda dor, o que fará quando o sofrimento vier de si mesma?
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Capítulo 1

O cheiro de café requentado e perfume barato nunca me incomodou, mas naquela manhã, o silêncio era tão pesado que sufocava.

Minhas quatro colegas de quarto – Ana, Bruna, Carla e Diana, as garotas da moda que viviam de risadas e me ridicularizavam – jaziam imóveis na sala, pálidas, com lábios azulados.

O pânico me dominou, e me vi discando o número da emergência, sentindo o frio subir pela espinha enquanto gaguejava as palavras.

Fui a única de pé, sem um arranhão, e a polícia, liderada pelo incrédulo Inspetor Ricardo, imediatamente me transformou na principal suspeita.

Minhas memórias fragmentadas da noite anterior, o bilhete em minha caligrafia que eu não lembro de ter escrito, a gravação de Carla pedindo minha ajuda… tudo se virava contra mim.

Mas a coisa mais estranha de tudo foi quando Ricardo me disse: "Ana já estava morta quando vocês saíram para o jantar de formatura."

Como poderia ser? Eu a vi, eu falei com ela! Minha realidade começou a desmoronar.

Ainda mais perturbador foi uma mensagem enigmática em meu celular: "Eles não podiam mais te machucar. Agora estamos seguras."

A psicóloga Dra. Helena então revelou a assustadora verdade: eu tinha Transtorno Dissociativo de Identidade, e a "outra Sofia" – minha protetora – havia silenciado as vozes que me atormentavam por anos.

A câmera escondida na sala confirmou: fui eu, ou uma parte de mim, quem as envenenou, observando friamente enquanto morriam.

Agora, confinada em uma instituição psiquiátrica, vivo com um medo constante: se a "outra Sofia" eliminou todas as fontes de dor externa, o que acontecerá quando minha própria angústia interna se tornar insuportável e ela precisar me silenciar também?

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