
O Jogo de Vingança da Noiva Fantasma
Capítulo 3
Ponto de Vista: Eva
Um filho de três anos. E outro a caminho. Minha mente, ainda lutando com o impossível, fez as contas. Daniel havia seguido em frente, não meses, mas anos atrás. Sua "busca de cinco anos" por mim? Uma mentira. Uma farsa cruel e elaborada. Ele não estava me procurando; estava construindo uma nova vida, uma nova família. Meu fantasma era um bode expiatório conveniente para sua nova felicidade.
A ironia tinha gosto de cinzas na minha boca. Ele passou cinco anos supostamente me procurando, apenas para me selar novamente quando eu finalmente voltei. Ele queria se casar com Camila. Ele queria que eu morresse, silenciosamente, convenientemente, para que sua nova vida perfeita não fosse perturbada.
Uma risada amarga e sem humor escapou dos meus lábios. Era um som cru e seco.
"Explicar?", grasnei, a palavra uma maldição. "Não há nada a explicar, Daniel. Suas ações falam mais alto do que qualquer palavra que você possa inventar."
Virei-me daquela cena doentia, meu olhar caindo sobre a pilha de rochas pontiagudas. Eu tinha que sair. Meu corpo quebrado, meu corpo moribundo, precisava se mover. Minhas mãos, em carne viva e sangrando da minha fuga desesperada da simulação, arranharam a pedra. Cada movimento enviava ondas agonizantes de dor pelo meu braço, até o ombro, mas eu ignorei. Eu tinha que ignorar.
Lágrimas escorriam pelo meu rosto, rastros quentes se misturando com o suor frio e a sujeira. Meus dedos, arranhados e rasgados, estavam escorregadios de sangue, mas continuei cavando. Eu não morreria aqui. Não assim. Não depois de tudo. Meus pais. Eu precisava ver meus pais. Eles me ouviriam. Eles entenderiam. Eles me amariam.
Uma fresta de luz, quase imperceptível, apareceu através de uma rachadura no desmoronamento. Um pequeno farol de esperança. Minha respiração engatou. Forcei mais, um soluço desesperado rasgando minha garganta.
Nesse momento, a voz de Camila, um sussurro enjoativamente doce, cortou o ar. "Daniel, olha!"
Ouvi um grito repentino, depois um baque. Virei-me, meu coração batendo forte. Camila estava no chão, encolhida, agarrando o abdômen. Uma mancha escura e úmida floresceu sob ela.
"Meu bebê!", ela gritou, a voz estridente. "Ela me empurrou! Ela me empurrou!"
Antes que eu pudesse reagir, uma bota pesada bateu na minha mão estendida, prendendo-a no chão. Uma dor que estremeceu meus ossos subiu pelo meu braço, um estalo doentio ecoando na caverna. Eu gritei, um som primitivo arrancado da minha garganta. A agonia familiar e profunda. Era a mesma dor que senti quando as criaturas na simulação quebraram meus membros, quando passei fome, quando fui torturada. Isso não era a simulação. Isso era real. Isso era Daniel.
Ele arrancou o pé, depois puxou Camila bruscamente para cima, o rosto contorcido de fúria. Ele nem sequer olhou para minha mão mutilada. Apenas chutou a pilha de pedras soltas perto da entrada, fazendo-as desabar, selando-me ainda mais.
"Sua monstra!", ele rugiu, a voz tremendo de raiva. "Você tentou matar meu filho! Você tentou machucar a Camila!" Seus olhos queimavam de ódio. Ele não tinha visto nada. Ele não tinha perguntado. Ele apenas presumiu. Seu amor, sua devoção, era um escudo para ela, uma arma contra mim.
A traição estava completa. Não era apenas que ele havia seguido em frente. Era que ele me via como uma vilã, uma ameaça, um inconveniente a ser descartado.
Mordi o lábio com força, até o gosto metálico de sangue encher minha boca. Minha mão mutilada, quase certamente quebrada, tremia enquanto eu a puxava lentamente de debaixo das rochas. Olhei para Daniel, meus olhos ardendo com um ódio que espelhava o dele.
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