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Capa do romance O Jogo de Amor Perigoso do Meu Chefe

O Jogo de Amor Perigoso do Meu Chefe

Após cinco anos de dedicação e um romance secreto com Heitor, meu chefe, descobri que ele me usou para evitar pagar meu devido salário. Além de dar minha promoção à minha rival, ele me humilhou e enviou para um local perigoso. Quando fui atacada e quase morri, Heitor ignorou meu clamor por socorro para cantar com outra. Agora que ele retornou implorando por perdão, não pretendo apenas ignorá-lo, mas fazê-lo pagar por cada mentira e crueldade cometida contra mim.
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Capítulo 3

Ponto de Vista: Alice Evangelista

Gustavo olhou para a carta de demissão em minha mão, seu rosto geralmente gentil gravado com incredulidade. Seus olhos, normalmente suaves, estavam arregalados de choque.

"Alice? O que é isso? Você está falando sério?" Ele examinou o documento, depois olhou para mim, a testa franzida de preocupação. "Você não pode simplesmente pedir demissão. Não depois de tudo que você investiu neste lugar. Você é inestimável aqui, Alice. Todo mundo sabe disso."

Suas palavras, destinadas a me tranquilizar, pareciam distantes, como ecos de uma vida que eu já estava deixando para trás. Inestimável? Para quem? Certamente não para Heitor, que acabara de me forçar a rastejar para seu novo projeto de estimação.

"Estou falando sério, Gustavo," eu disse, minha voz plana. Meu olhar se desviou dele, através da janela, em direção ao distante horizonte de São Paulo. Parecia alienígena, desapegado.

"Mas... por que agora? É por causa da promoção? Eu sei que é difícil, mas às vezes essas coisas levam tempo. Heitor te valoriza, Alice. Ele realmente valoriza. Ele só é... complicado." Gustavo estava tentando encontrar desculpas para ele, assim como eu fiz por tanto tempo.

Heitor te valoriza. A frase era uma pílula amarga. Lembrei-me de suas promessas, de suas garantias sussurradas durante nossos encontros secretos ao longo dos anos. "Só mais um pouco, Alice. Então poderemos ser abertos sobre nós. Então tudo vai mudar." Palavras vazias. Todas elas.

E agora, aqui estava eu, com quase 30 anos, sem nada para mostrar por meus anos de devoção, a não ser um coração partido, uma carreira comprometida e uma dor constante na lombar. A voz da minha mãe da manhã anterior ecoou na minha cabeça: "Um bom arquiteto, uma família..." A ideia, antes um anátema, agora parecia um bálsamo calmante.

Gustavo suspirou, um som pesado que parecia carregar o peso de sua própria impotência dentro desta máquina corporativa. Ele conhecia os jogos de Heitor, mas era impotente para detê-los. Ele pegou uma caneta, sua mão tremendo levemente enquanto assinava o formulário.

"Escuta, Alice," ele disse, sua voz baixando para um sussurro, "vou processar isso imediatamente. Mas tente manter a discrição. Heitor... ele não vai gostar disso. Apenas cumpra suas duas semanas em silêncio. Evite-o se puder."

Uma leveza estranha e vertiginosa me invadiu. Estava feito. As correntes foram quebradas. Pela primeira vez em anos, senti um sopro de liberdade pura e absoluta.

Meu celular vibrou. Uma mensagem de Heitor. "Alice, você está bem? Parecia um pouco estranha mais cedo. Talvez devêssemos remarcar o jantar para hoje à noite? Só nós dois."

Um vislumbre de sua manipulação usual. Ele provavelmente pensou que eu ainda estava magoada com a promoção e estava estendendo a mão para me enrolar novamente. Mas o feitiço estava quebrado. Eu via através de sua atuação com uma clareza arrepiante.

Eu digitei de volta: "Agradeço a oferta, Heitor, mas estou bem. E não, obrigada. Tenho outros planos." As palavras pareciam poderosas, uma fronteira definitiva traçada na areia.

Mais tarde naquela tarde, enquanto eu estava empacotando alguns itens pessoais da minha mesa, Kátia se aproximou, um sorriso triunfante brincando em seus lábios. "Adivinha, Alice? Heitor acabou de me dizer que vai dar um jantar de comemoração pela minha promoção hoje à noite. Você deveria vir! Vai ser divertido." Seus olhos brilhavam com alegria maliciosa. Ela queria torcer a faca, exibir sua vitória.

"Ah, acho que não, Kátia," eu disse, minha voz calma, de costas para ela enquanto eu organizava arquivos antigos. "Eu tenho planos."

"Besteira!" A voz de Heitor trovejou atrás de mim. Ele devia estar ouvindo. "É uma comemoração da equipe, Alice. Você faz parte da equipe. Você tem que estar lá." Seu tom não deixava espaço para discussão. Era uma ordem, não um convite.

Um gosto amargo encheu minha boca. Ele não estava tentando me incluir; ele estava afirmando seu controle, garantindo que eu murchasse sob o triunfo de Kátia. A ironia de tudo isso. Ele nunca celebrou minhas conquistas, nunca se lembrou do meu aniversário sem um lembrete. Lembrei-me do meu aniversário de 27 anos, dois anos atrás. Eu tinha dado uma dica sutil, esperando por algo, qualquer coisa. Ele estava muito ocupado em uma viagem de negócios "crítica" com o pai de Kátia. Ele enviou uma mensagem de texto seca no dia seguinte: "Feliz aniversário atrasado. Espero que tenha tido um bom dia."

Agora, porque Kátia exigia, ele estava me forçando a suportar sua celebração. Meus sentimentos eram, como sempre, irrelevantes. Assim como ele me negou o direito de lamentar a promoção, ele estava me negando o direito a uma saída silenciosa e digna. Ele ainda estava tentando ditar meu estado emocional, controlar minhas reações.

Olhei para Gustavo, que observava a troca com uma expressão de dor. Ele balançou a cabeça sutilmente, um apelo silencioso para que eu evitasse mais conflitos. Expirei lentamente. Este era meu último ato de conformidade.

"Tudo bem," eu disse, minha voz mal audível. "Eu estarei lá."

Eu trataria isso como uma despedida. Um adeus final e amargo à empresa, a eles e à garota tola que eu costumava ser.

O jantar foi um borrão de sorrisos forçados e taças tilintando. Heitor e Kátia eram o centro das atenções, rindo, brindando, suas cabeças próximas. Pareciam o casal de poder corporativo perfeito. E eu fiquei na periferia, observando, uma estranha sensação de calma se instalando sobre mim. Eu finalmente vi a verdade. Este era o mundo dele. Este era o tipo de mulher dele. Ambiciosa, implacável e totalmente desprovida de empatia genuína. Eu não pertencia aqui. Eu nunca pertenci.

Alguns colegas mais jovens, alheios às correntes subterrâneas, se inclinaram. "Uau, Heitor e Kátia realmente são uma dupla de poder, não são?" um deles sussurrou, os olhos brilhando. "Eles ficam tão bem juntos."

Senti uma estranha sensação de distanciamento. As palavras não me feriram. Elas simplesmente se registraram como um fato. "Ficam mesmo," concordei, surpreendendo-me com a facilidade da minha voz. "Eles realmente ficam."

Minha concordância casual os fez parar, um lampejo de confusão cruzando seus rostos. Então Kátia, corada de vinho e triunfo, encontrou meu olhar. Seu sorriso se alargou, um brilho predatório em seus olhos. "Então, Alice," ela chilreou, sua voz um pouco alta demais, "alguma novidade interessante na sua vida amorosa? Ou você ainda está esperando um príncipe encantado?"

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