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Capa do romance O Irmão da Minha Melhor Amiga

O Irmão da Minha Melhor Amiga

Aos vinte e dois anos, Molly vive uma fase ideal: estuda administração, mora ao lado da melhor amiga e namora o homem dos sonhos. No entanto, sua estabilidade é abalada quando Chris, o irmão de Julie, passa a dividir o apartamento vizinho. O contato forçado gera atritos imediatos e uma mútua hostilidade. Entre discussões e convivência, eles descobrem que a irritação constante esconde uma atração irresistível que ameaça mudar tudo.
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Capítulo 2

Ele se aproxima de mim e diz calmamente:

__Eu estou aqui desde ás cinco da manhã, meu celular está descarregado e eu estou na companhia de uma garota extremamente chata, a única coisa que pode me deixar um pouco melhor, seria tomar toda essa garrafa de uísque!

Aquilo faz meu rosto queimar,ele leva a garrafa á boca de novo e eu a pego automaticamente de sua mão. Ele diz irritado:

__Hey! Me devolve isso aqui!

__Não! Eu estou tentando fazer um favor pra minha amiga e você está tornando isso tudo um pesadelo. Então você não vai tomar essa merda dentro do meu carro!

Ele para de tentar reaver a garrafa que eu estou segurando firme contra meu corpo e estamos ofegando de raiva em um mesmo ritmo. Ele se afasta, me encara e começa a falar:

__Eu sei quem é você, Molly! Você é a amiguinha que a Julie tanto fala. É a garota que tem um namoradinho que vive viajando e te deixando sozinha e eu não tenho culpa se a falta de sexo te deixa tão nervosinha.

Sinto meu rosto agora pegando fogo. Eu fico encarando ele sem reação e repito mentalmente essas frases para tentar manter a calma: "Ele é irmão da Julie", "Não mate ele","Ele está bêbado".

Ele toma a garrafa da minha mão em um momento de distração com um risinho no rosto, em seguida ele fecha a garrafa coloca no porta-luvas do carro e diz:

__Pronto! Satisfeita?

Eu não respondo ainda repetindo aquelas frases mentalmente. Meu celular vibra, é a Julie.

__Eu vou matar ele!

Ele ri se acomodando no banco do carro. E Julie responde com a voz ainda rouca:

__Ai não, ele bebeu de novo?

__Como assim? Ele sempre bebe? Você podia ter me avisado!

__Olha Molly,não dá bola para o que ele fizer, ele está passando por um momento difícil.

__Está bem, já, já nós estamos aí.

__Obrigada amiga,tchau.

Eu desligo o telefone e me viro pra ele para falar que se ele continuar falando mais merda vou deixá-lo ali mesmo,mas ele caiu no sono. Eu ainda tenho vontade de matá-lo, no entanto.

Assim que chegamos ao nosso condomínio,olho para o lado e ele continua dormindo. Eu até que gostei de não ter mais que ouvir ele pelo caminho,mas agora daria tudo para que ele pudesse andar sozinho, algo que parece que não vai ser possível.

Eu tento acordá-lo, mas ele está tornando isso difícil me pedindo pra deixá-lo em paz. Não vejo ninguém por perto pra me ajudar e Julie deve estar de cama.

Eu vejo Paul nosso vizinho chegando em seu carro, ele nos vê e pergunta se eu estou precisando de ajuda.

Eu explico em poucas palavras o que está acontecendo e ele resolve me ajudar a subir com as malas. Paul está agora no porta-malas, enquanto eu vou ajudar o Chris a entrar no elevador.

Eu abro a porta do banco do passageiro e passo seus braços pelo meu pescoço e o ergo pedindo pra ele tentar fazer um esforço pra me ajudar, ele olha pra mim e me pede para deixá-lo dormir em paz.

Com muito esforço, ele se levanta, eu fecho a porta do carro e seguimos em direção ao elevador. Paul está com as malas do lado do carro, observa o meu esforço pra manter o Chris de pé, então vem até nós e me ajuda a entrar com ele no elevador dizendo que vai logo em seguida com as malas.

Ainda bem que o elevador está vazio e eu não tenho que dar nenhuma explicação sobre aquela cena. Dentro do elevador ainda tenho que apoiá-lo em meus ombros até o quarto andar que é onde fica nosso apartamento.

O elevador para no terceiro andar e um casal de velhinhos perguntam um pouco espantados se o elevador está descendo, digo que não e eles ficam comentando alguma coisa enquanto aperto o botão de fechar a porta.

Assim que a porta é novamente fechada, Chris se vira pra mim ficando com os lábios roçando bem próximo do meu pescoço. Isso me deixa totalmente desconcertada. Mas eu tento ignorar,afinal ele nem parece saber mais o que está fazendo.

Então ele diz:

__Nossa, você tem um cheiro muito bom.

Então ele ergue sua mão,leva até minha cintura e segura firme,fazendo chegar bem perto do seu corpo. Eu sinto um arrepio que começa em meu estômago e se espalha por todo meu corpo. Isso me deixa constrangida demais mesmo estando sozinhos.

Talvez o fato de estar longe do Colin há dois meses realmente me deixe mais sensível a certos toques,então eu me concentro no fato de que estou com um babaca.

Mas quando vou retirar sua dali,ele mesmo faz isso. Então ele novamente fecha os olhos e olha pra baixo como se estivesse querendo pegar no sono novamente. A porta do elevador se abre e eu faço com que ele dê alguns passos muito desordenados até a porta do apartamento da Julie.

No meio desse desastroso percurso, me desequilibro e caímos os dois no chão, eu fico por cima de seu corpo, ele abre os olhos e ficamos nos olhando por uns segundos.

Eu odeio que ele tenha uma covinha no rosto quando sorri, porque isso sempre me atraiu nos caras, mas ele muda o jeito de sorrir e começa a dizer com um risinho sarcástico:

__Eu poderia ficar nessa posição o dia todo gata, mas eu tenho que entrar.

Eu fico vermelha instantaneamente, principalmente porque quando olho para cima, Julie está de pé na porta nos observando com olhos confusos.

Chris ri ainda mais e eu quero sumir dali. Em um instante eu me ergo e estamos tentando levantar ele do chão. Alguns segundos depois Paul aparece com as malas.

Colocamos o Chris no sofá e me despeço de Julie que ainda não parece estar totalmente recuperada do seu resfriado.

__Vou ficar te devendo essa, amiga.

__Juro que vou cobrar, Julie!

Eu digo rindo, ela sabe que eu faria qualquer coisa por ela. Então apenas digo:

__Agora vá pra cama e se recupera logo pra gente poder fazer alguma coisa neste fim de semana.

Ela dá um sorriso fraco que não lembra nem um pouco a amiga festeira e divertida que eu conheço. Maldito resfriado.

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