
O Império Secreto Bilionário da Substituta Dele
Capítulo 3
Ponto de Vista de Caio Almeida:
A visão de Helena, com a camisola rasgada, o rosto pálido de terror, me atingiu como um soco no estômago. Por uma fração de segundo, um instinto primitivo e protetor surgiu em mim. Eu queria matar o desgraçado gordo que estava sobre ela.
Então Catarina ofegou, um som pequeno e teatral, e pressionou o rosto no meu braço. "Oh, Caio, isso é horrível! Ela está bem?"
O toque dela foi como um interruptor sendo acionado. O lampejo de preocupação por Helena desapareceu, substituído por uma raiva quente e justificada. A culpa era de Helena. Toda ela. Se ela não tivesse sequestrado Catarina, se não tivesse tentado forçar um aborto, se não tivesse sido tão difícil, nada disso teria sido necessário. Eu tinha que ter meu filho de volta. Essa era a única maneira de assustá-la para que obedecesse.
"Helena", eu disse, minha voz fria, mascarando o tremor que senti momentos antes. "Você procurou por isso."
A cabeça dela se ergueu. Seus olhos, aqueles olhos azuis brilhantes que costumavam me olhar com tanto amor, agora estavam cheios de uma mágoa tão profunda que era quase negra. A dor em seu olhar era uma coisa física, e me atingiu mais forte do que seu tapa jamais havia feito.
"Você... você fez isso?", ela sussurrou, a voz falhando.
"Eu fiz o que tinha que fazer", retruquei, desviando. "Você não me deixou escolha quando levou a Cah. Você ameaçou meu filho." Dei um aperto reconfortante no ombro de Catarina.
Helena soltou uma risada, um som quebrado e histérico que ecoou na pequena sala úmida. "Seu filho? O filho que você ia pagar para ser raspado do útero dela ainda ontem?"
"Isso foi antes de você me provocar!", disparei, minha voz se elevando. "Antes de você jogar nossa vida fora por algum babaca rico! Você me humilhou, Helena. Você me fez de idiota."
Ela apenas me encarou, a risada morrendo em seus lábios, deixando para trás uma calma assustadora. "Eu te fiz de idiota?", ela repetiu suavemente. "Não, Caio. Eu te fiz. E você foi o idiota que pensou que eu não poderia te desfazer."
Um arrepio percorreu minha espinha.
Ignorei e me virei para o porco gordo, Mendonça. "Saia. Já paguei pelo seu trabalho."
Mendonça lambeu os lábios, os olhos ainda fixos em Helena. "Mas o acordo era..."
"O acordo é o que eu digo que é. Agora suma da minha frente antes que eu mude de ideia sobre deixar você sair daqui vivo." Minha voz era baixa e ameaçadora. Eu tinha poder agora, e não tinha medo de usá-lo.
Ele se esgueirou para longe como o rato que era.
Catarina deu um passo à frente, o rosto uma máscara perfeita de simpatia. "Oh, Helena, sinto muito que isso tenha acontecido. Você está bem? O Caio estava tão preocupado com o bebê, não estava pensando direito."
Passei o braço pelos ombros de Catarina. "Nunca mais toque nela, Helena. Nunca mais chegue perto do meu filho. Você me entendeu? Isso foi um aviso. Da próxima vez, eu não estarei aqui para cancelar."
Catarina arrulhou: "Caio, não seja tão duro. Ela passou por muita coisa." Ela estava bancando a pacificadora, a alma gentil pega no meio. Era uma boa atuação.
"Eu vou proteger você e este bebê com a minha vida, Cah", eu disse, olhando diretamente para Helena. "Ninguém nunca mais vai te machucar."
Com um último olhar demorado para a expressão devastada de Helena, virei-me e conduzi Catarina para fora da sala, deixando Helena sozinha nos destroços que eu havia criado.
Enquanto nos afastávamos, eu podia sentir os olhos de Helena nas minhas costas. Lembrei-me de uma vez, anos atrás, quando um bêbado em um bar foi agressivo comigo. Eu era apenas um músico falido na época. Helena, minha quieta e despretensiosa Helena, se interpôs entre nós, olhou o homem nos olhos e disse: "Toque nele e você perde a mão." O homem riu, mas algo na voz dela o fez recuar.
Mais tarde naquela noite, eu a abracei e sussurrei: "Você é minha protetora."
Ela sorriu e prometeu: "Sempre."
Essa promessa agora parecia um fantasma, um membro fantasma que doía com uma dor que eu me recusava a reconhecer. O garoto que precisava daquela proteção se foi. Eu era um rei agora, e reis não precisam de proteção. Eles pegam o que é deles.
Mas quando a porta se fechou atrás de mim, deixando Helena no escuro, não consegui afastar a sensação de que não tinha apenas lhe ensinado uma lição. Eu havia destruído algo insubstituível.
O pensamento era aterrorizante, então o reprimi, enterrando-o sob a nova onda de raiva e justificação. Ela merecia. Ela me traiu primeiro.
Eu tinha que acreditar nisso.
Ponto de Vista de Helena Monteiro:
Ele foi embora. Ele simplesmente se virou, com o braço em volta dela, me deixando na sala fria e fedorenta com os pedaços rasgados da minha camisola e o fantasma de sua traição.
Deslizei pela parede até sentar no chão imundo. Abracei meus joelhos e encarei a porta vazia.
Ele havia prometido me proteger. Sempre.
O garoto por quem me apaixonei, aquele com fogo nos olhos e um violão nas mãos, teria morrido antes de deixar alguém encostar um dedo em mim. Mas aquele garoto se foi. O sucesso e a insegurança o envenenaram, o transformaram neste monstro cruel e arrogante que me via como nada mais que um obstáculo, uma posse a ser punida.
As lágrimas que eu pensei terem acabado começaram a cair novamente, quentes e silenciosas. Mas não eram lágrimas por ele. Eram por mim. Pela tola que eu fui. Pelos cinco anos que desperdicei em uma mentira.
Eu não choraria por ele novamente. Nenhuma lágrima a mais.
A porta rangeu ao abrir. Um dos meus seguranças pessoais, um homem chamado Marcos que eu mantinha de prontidão, entrou. Ele estava me seguindo desde que deixei Caio, uma precaução que agora eu percebia ter sido terrivelmente insuficiente.
"Senhora", disse ele, a voz gentil. Ele colocou o paletó sobre meus ombros. "Está ferida?"
Ele tentou me oferecer um sedativo do kit de emergência, mas afastei sua mão. Eu não queria ficar entorpecida. Eu queria sentir isso. Eu precisava que a raiva queimasse os últimos vestígios de amor que eu tinha por Caio Almeida.
"Estou bem", eu disse, a voz rouca. Levantei-me, apertando o paletó em volta de mim.
Ele iria pagar. Ambos iriam pagar. Caio por sua crueldade, Catarina por sua ganância. Eu construí seu império do zero com meu dinheiro e meus contatos.
Agora, eu teria prazer em derrubar tudo.
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