
O Império Que Ele Lhe Vendeu
Capítulo 3
Gustavo olhava para o tablet em minha mão, boquiaberto. Seus olhos dispararam para minha assinatura, depois de volta para meu rosto, uma máscara de horror crescente. "Sra. Mendes... a senhora... a senhora não pode estar falando sério. Isso precisa da assinatura do Sr. Mendes, não da sua! Ele pode nem reconhecer isso! Ele pode..."
"Ele pode se opor?", eu o interrompi, minha voz calma, quase serena, um contraste gritante com a tempestade que se formava dentro de mim. "Então ligue para ele. Conte a ele. Diga a ele que sua 'carga' tomou as rédeas da situação."
Gustavo hesitou por apenas um segundo, seu terror de Caio lutando contra a finalidade imediata e arrepiante em meus olhos. Ele pegou o telefone, seus dedos desajeitados enquanto discava. Eu o observei, meu coração um pássaro preso martelando contra sua gaiola.
Uma parte minúscula e tola de mim ainda tinha esperança. Esperava que Caio negasse, que voltasse correndo, os olhos cheios de algum semblante de amor ou mesmo de decência humana básica. Que ele declarasse todo aquele arranjo sórdido um mal-entendido, uma piada que deu errado. Cinco anos de casamento, um filho... certamente isso significava algo? Certamente ele se arrependeria, se arrependeria da expressão em meu rosto, da acusação silenciosa em meus olhos.
Ele voltaria. Ele tinha que voltar.
O telefone tocou pelo que pareceu uma eternidade. Então, a voz de Caio, áspera e irritada, explodiu do alto-falante, fazendo Gustavo estremecer. "O que foi, Gustavo? Eu disse para não me incomodar a menos que fosse uma emergência absoluta!"
"Senhor, é... é sobre o arranjo", gaguejou Gustavo, sua voz mal um guincho. "O Sr. Sartori está quase aqui, e... e a Sra. Mendes insiste em assinar o acordo ela mesma."
Um instante de silêncio. Então, Caio soltou uma risada curta e incrédula. "Helena? Assinando? Que diabos ela está aprontando? Ela está com você agora? Passe o telefone para ela!"
Gustavo olhou para mim, seus olhos suplicantes. Eu balancei a cabeça levemente, uma ordem silenciosa. Ele se virou de volta para o telefone. "Ela... ela diz que está preparada para cumprir o arranjo, senhor. Para garantir que o acordo seja fechado."
"O quê? Ela acha que pode simplesmente entrar e assumir o controle?", a voz de Caio estava carregada de desprezo. "Ela não tem ideia de como é o Elias Sartori. Ele é um tubarão. Ele vai comê-la viva." Ele fez uma pausa, e ouvi uma risadinha abafada ao fundo, o suspiro suave de uma mulher. Bruna. "Tudo bem. Tanto faz. Apenas resolva isso. Estou ocupado. Envie-me a solicitação de assinatura digital para ela, e para os papéis do divórcio. Meu advogado os enviou há mais de uma hora. Preciso assinar digitalmente ambos."
Papéis do divórcio. Ele os tinha prontos. Há uma hora. Enquanto eu colocava o vestido carmesim, imaginando nossa paixão reacendida. Enquanto eu me preparava para ele. Ele estava se preparando para me descartar.
A última centelha de esperança em meu peito morreu. Não foi uma morte, mas uma execução. Fria. Clínica. Totalmente sem misericórdia.
Minha visão embaçou, mas nenhuma lágrima caiu. Ainda não. Não por ele. Eu não lhe daria essa satisfação.
"Gustavo", eu disse, minha voz cortando o zumbido em meus ouvidos. "Envie a ele os papéis do divórcio. Agora. Eu quero que isso acabe."
Gustavo, assustado, atrapalhou-se com o tablet. "Mas... Sra. Mendes, o Sr. Mendes está no telefone com..."
"Apenas faça", eu disparei, minha paciência se esgotando, substituída por uma determinação de aço.
Ele digitou furiosamente, seu rosto uma mistura de medo e perplexidade. Um momento depois, a voz de Caio explodiu novamente, mais alta desta vez, infundida com uma nova onda de irritação. "O quê? Mais papéis? Gustavo, se você continuar me interrompendo, eu juro por Deus, vou arrancar sua cabeça. Apenas envie. Não me importa o que sejam. Apenas seja rápido."
Então, um suspiro súbito e agudo do fundo, inconfundivelmente de Bruna. "Oh, Caio, meu bem! Você é tão rápido!"
E a voz de Caio, rouca e densa de desejo: "Qualquer coisa pela minha rainha."
Um bipe eletrônico baixo sinalizou a assinatura digital bem-sucedida. Meu divórcio estava finalizado. Simples assim. Uma transação fria e distante.
Então, a ligação terminou abruptamente. Um clique, um som áspero e final. Como uma porta batendo. Ou uma vida.
Silêncio. O tipo que grita. O tipo que ecoa nas câmaras ocas de um coração partido. Fiquei ali, totalmente entorpecida, o tablet ainda em minha mão. Cinco anos. Cinco anos da minha vida, meu amor, minha lealdade. Reduzidos a algumas linhas de jargão jurídico e uma assinatura digital apressada. Tudo enquanto ele estava com ela, prometendo-lhe minha vida e fazendo piadas grosseiras sobre minha ambição.
Minha garganta se apertou. Uma única lágrima escaldante traçou um caminho pela minha bochecha, fria e chocante contra minha pele. Depois outra. E outra. Elas vieram sem serem convidadas, uma traição do meu próprio corpo. Meu rosto parecia congelado, rígido, mas as lágrimas continuavam a fluir, um testemunho silencioso da ruína do meu mundo. Eu nem percebi que estava chorando até que o frio na minha bochecha se registrou.
Você pode gostar





