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O Idiota do Quarterback

Alec Hart é o quarterback estrela da faculdade, um futuro ídolo da NFL que conquista todas com seu charme. No entanto, eu sou apenas uma latina traumatizada que planeja se formar e sumir. Após eu derramar cerveja nele em uma festa, saí do anonimato e virei seu alvo. Agora, sob os holofotes indesejados desse atleta arrogante, meu plano mudou: vou dar uma lição no popular jogador e destruir seu coração como forma de vingança.
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Capítulo 2

NICKI.

Alec Hart sempre foi o infame playboy, atleta e pegador da faculdade. Com seus cabelos castanhos e olhos azuis penetrantes, ele era considerado para a maioria das garotas um deus. Para mim, no entanto, ele não passava de um atleta. Um rostinho bonito com um corpo sarado, mas egoísta o suficiente para se importar com qualquer outra pessoa além de si mesmo.  

Eu detestava caras como ele. Bonitos, de sorriso fácil, pretensiosos e arrogantes. Tão arrogantes, que tudo o que você sente vontade de fazer, é dar um soco na cara deles, pra ver se o risinho no canto dos lábios desaparece. 

Pensar nisso me deixou ainda mais irritada, já que Penny me ligou no meio da madrugada para buscá-la naquela maldita festa. Penélope é a minha melhor amiga aqui em Berkeley e além de sermos colegas de quarto, eu meio que me sinto responsável por ela, já que tudo o que ela tem feito ultimamente é ficar bêbada nas festas de fraternidade. No último ano, Penny desenvolveu um tipo de paixão, obsessão ou sei lá o que por Alec, e vivia atrás dele nas festas tentando ser notada. 

Coitada! Mais uma iludida. 

Então toda vez que ela bebe demais e me liga, eu pego seu carro emprestado e a busco no meio da madrugada, já que além de estúpidas, garotas bêbadas costumam ficar vulneráveis, e se alguma coisa acontecesse com ela, eu nunca me perdoaria por não ter vindo buscá-la. 

Eu literalmente odeio festas de fraternidades. Não que eu tenha frequentado muitas, mas eu sei que é sempre a mesma coisa. Um amontoado de gente se esfregando, música alta, beer pong e no outro dia uma puta ressaca. 

Eu sei que todo mundo aqui adora isso, mas eu estou aqui para uma coisa apenas: me formar e dar o fora o mais rápido que conseguir.   

Esse é o acordo. 

Minha mãe sempre diz que eu deveria aproveitar toda a experiência da faculdade. Ela também diz que não há nada de errado com as pessoas e eu é que sou o problema. Talvez ela esteja certa, já que olhando todo mundo ali se divertindo, comecei a pensar que Penny também tem razão, quando me diz para tirar a cara dos livros e começar a viver um pouco.  

Assim que o pensamento cruzou minha mente, eu até tentei sorrir, mas acho que fiquei parecendo uma retardada com os dentes pra fora, tentando forçar um sorriso. Eu me sentia uma idiota agora e quando estava prestes a me virar e sair,  uma garora morena com os olhos vermelhos esbarrou em mim. Dava pra ver que ela estava chapada e muito bêbada. 

— Você pode segurar isso para mim? —ela balbuciou, empurrando seu copo vermelho na minha mão. Eu pisquei, pegando sem nem mesmo pensar. Quer dizer, é pegar ou deixar cair no chão, e isso seria meio rude. 

Ela passou por mim quase tropeçando em seus próprios pés e eu balancei minha cabeça enquanto ela desaparecia na multidão de rostos desconhecidos. 

Enquanto abria caminho entre a multidão, O cheiro de cigarro, bebidas e uma nuvem tóxica, me fizeram tossir e quase engasgar. Praguejei mais uma vez por estar perdida e sozinha, já que o mínimo que Penny deveria fazer, era me esperar do lado de fora.  

— Para alguém que se acha esperta, você parece bem burra agora. —sussurrei para mim mesma. Há uma diferença enorme entre ser inteligente e saber como ser social. Teve um tempo em que eu fui muito boa nisso, mas hoje, no entanto, eu não faço a menor questão. Não ligo se gostam de mim ou não, e não finjo gostar de ninguém. Eu sou apenas eu mesma, tentando passar essa fase sendo o mais invisível possível. 

Me esgueirei como um fantasma, entrando mais profundamente na casa da fraternidade. A música estava alta e o ambiente escuro, então meus olhos escaneavam o rosto de cada pessoa enquanto procurava por Penny, tentando não me sentir uma completa intrusa em um ambiente tão hostil.  

A maioria das garotas ali usavam trajes minúsculos e salto alto. Suas maquiagens estavam perfeitas, seus cabelos impecáveis, enquanto eu parecia uma sem-teto usando uma legging que consegui alcançar ainda dormindo e uma blusa de moletom.   

Assim que ouvi gritos histéricos e aplausos vindo de uma das salas do lugar, me espremi entre a multidão que bloqueava a porta e ao me esticar, pude ver um cabelo loiro balançando freneticamente ao som da música que tocava. Penny não só dançava em cima da mesa, como também já tinha arrancado a blusa e ameaçava abrir o zíper da saia, fazendo aquele aglomerado de caras ao seu redor urrar como um bando de animais famintos.

Pela expressão em seu rosto, ela parecia adorar toda aquela atenção, mas eu não poderia deixá-la fazer isso, já que estava na cara que ela tava bêbada.   

Entrei mais fundo na sala, empurrando os imbecis que pareciam bloquear meu caminho de propósito e praguejando até sua décima geração por ela estar me obrigando a fazer aquilo. Assim que me aproximei, ela soltou um gritinho histérico quando me viu. 

— Ei! Você veio?! — ela berrou por cima da música. 

— Sim, você me chamou, lembra? 

— Own, me desculpe, — ela fez um beicinho.— Eu só estava um pouco triste, mas estou bem agora. Você já pode voltar. 

— O que? Nem ferrando! — reclamei.— Eu estava dormindo e você me acordou para vir aqui te pegar. 

— Eu mudei de ideia. — ela respondeu e senti meu rosto queimar de raiva. Dava pra ver que os imbecis começaram a ficar impacientes, já que o showzinho da Penny estava temporariamente cancelado. 

— Sai fora nerd! — alguém gritou no meio da multidão de caras idiotas.   

— Alguém tira a esquisita daí? — outro cara provocou.  

Apertei meus dentes e fechei ainda mais a cara para Penny, que ficou de pé novamente, voltando a rebolar na mesa, usando apenas uma mini saia jeans e sutiã. 

E calcinha eu acho.   

Ela deu de ombros e eu me senti o ser mais patético do planeta tentando salvar uma garota que achei que estivesse bêbada, de estar apenas se divertindo.  

— Porque eu tenho que ser tão estúpida?— sussurrei para mim mesma, me virando rapidamente pronta para dar o fora dali e ser poupada de passar mais vergonha.  

Enquanto saia, esbarrei em algumas pessoas no caminho mas elas nem pareciam notar. Mas antes que sequer pudesse alcançar o hall de entrada da casa, bati em algo duro e incrivelmente perfumado, e o impacto do choque fez com que parte da bebida que ainda segurava, fosse derramada na camisa branca de alguém.  

— Você deve estar de brincadeira!—uma voz grossa e fria encheu meus ouvidos. Percebi o algodão da camisa se agarrando ao abdômen definido encharcado de cerveja e assim que ergui a cabeça, um par de olhos azuis me encaravam seriamente, estando apenas a alguns centímetros dos meus. 

Alec não era apenas bonito, ele era perfeito. Seu corpo parecia uma rocha, esculpido em pedra, sua mandíbula afiada e rosto angular evidenciavam ainda mais seus traços marcantes e seus lábios eram incrivelmente convidativos.  

— Desculpe, você apareceu do nada. — respondi ofegante, já que o impacto do seu corpo me empurrou para trás.  

— Você deveria olhar por onde anda.—ele disse, me fazendo sentir uma pontada de culpa, já que estava olhando pra baixo.  

— Foi um acidente. Você é quem não deveria ter vindo com tudo pra cima de mim. Você me assustou.  

Alec me observou por alguns segundos que pareceram horas. Era difícil encarar seus olhos por muito tempo. Olhos azuis são sempre sinal de problema e esse era um problemão que eu fazia questão em me manter bem longe. Seu rosto suavizou um pouco e depois de dar uma boa olhada em sua camisa encharcada ele passou a mão nos cabelos desalinhados. 

— Qual é o seu nome?  

— Nicole. — respondi, percebendo que ele se aproximava com um sorriso no canto dos lábios. 

— Bem, Nicole, agora que você molhou minha camisa, o que você acha de eu retribuir o favor e deixar você molhada. E eu não estou falando da sua roupa. —ele piscou confiante, fazendo meu coração acelerar.  

— Eu conheço o seu tipo... — dei a ele um olhar de desaprovação. — Eu não estou interessada. 

— Bem... tenho certeza que se vier comigo vai mudar de ideia rapidinho. —ele esboçou um sorriso sedutor, que tenho certeza que colocaria qualquer garota de joelhos. Mas não essa garota aqui. 

— Eu nem te conheço.— menti. 

— Você tem certeza disso, gatinha? Todo mundo me conhece. Eu sou o quarterback dos Lobos. —ele falou confiante. 

— Pare de me chamar de gatinha. Eu não acompanho futebol e não durmo com atletas. — respondi irritada. 

— Você não dorme com atletas? — Alec riu e inclinou-se em meu rosto, seu hálito mentolado vibrando contra minhas bochechas vermelhas e quentes e seu cheiro inebriante invadindo cada poro.— Você parece que não dorme com ninguém, docinho.  

Eu apertei o copo em minhas mãos, sentindo o som do plástico sendo triturado. Começar uma guerra com Alec Hart era sem dúvida uma péssima ideia, e meu próximo passo faria com que minha vida perfeitamente comum, virasse de cabeça pra baixo.

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