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Capa do romance O Homem Fumo

O Homem Fumo

Desperto em meio a destroços de naves alienígenas e corpos carbonizados, um homem de terno branco encara uma cidade devastada sem lembrar do próprio nome. Enquanto busca respostas sobre a origem do caos e sua identidade perdida, ele é assombrado por fragmentos de uma memória intensa: o toque suave e os beijos apaixonados de uma mulher misteriosa. Entre o mistério da invasão e o desejo latente, ele precisa reconstruir seu passado para entender o presente bizarro.
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Capítulo 2

O homem coloca o charuto na boca e começa a dar tragadas como sua despedida diante da criatura que deixa a sua voz soar de uma forma alarmante.

— Nada mais posso fazer além de me render. — O homem diz internamente.

A criatura estica o seu braço na direção do homem e este solta a fumaça do charuto na cara da coisa que está se aproximando com o intento de acabar com a sua vida.

Repentinamente a criatura recua dando três passos para traz e começa a cambalear como se estivesse embriagado.

— O quê? O maldito está recuando?

O homem tira o charuto da sua boca, olha para o objeto que cospe fumaça e volta o seu rosto para a criatura que não pára de rugir e cambalear como se estivesse a sentir uma dor intensa.

Ele não sabe o que está acontecendo e enquanto a coisa cambaleia sem nenhuma direção, ele ganha a coragem e aproveita o momento para fugir, sair do quarto para longe da criatura e salvar a sua vida.

Ele corre com toda a velocidade que consegue até que se vê fora da casa. No entanto, do lado de fora observa uma enorme nave em destroços, algo que não parece pertencer ao planeta terra.

— Alienígenas? — é a primeira palavra que lhe aparece em mente.

Não escuta nenhum som além da sua respiração e o céu continua vermelho que vai se intensificando aos poucos. Ele não sabe dizer se é noite ou é dia, pois tudo está tão monótono.

A criatura já não deixa o seu rugido soar até chegar no lado de fora da casa.

A fome começa lhe atacando e uma grande vontade de voltar a casa para algo comer lhe invade, porém o medo de voltar a encontrar aquela criatura no interior do edifício é enorme e lhe impede.

Ele pára e olha para a entrada da casa e isso lhe dá a chance de ver a porta com detalhes onde tem um nome escrito. Olha com mais atenção para ver bem, pois é um nome que não é tão visível.

— Punkson — ele lê bem devagar e isso lhe convida uma memória perdida.

Na sua memória vê um jovem idêntico a ele escrevendo o nome na porta e sorrindo com toda veemência.

— É meu nome.

Ele se lembra do seu nome. Ele é Punkson.

— Não pode ser, esta enorme casa é minha. Quem sou eu? — ele coloca a pergunta para si mesmo com os olhos fixos na porta.

Com a mão esquerda ele organiza o seu comprido e liso cabelo atrás das orelhas e com a outra mão manuseia o seu charuto. Dá uma tragada demorada e não faz nada além de parar e olhar para a porta.

Aí ele se lembra de uma forma natural como correu até a casa quando foi perseguido pela coisa minutos atrás. As suas memórias estão voltando aos poucos e o que lhe fez pensar logo numa nave alienígena foi o noticiário que ele viu na sua TV, na sala antes de se esconder no quarto.

— O número de vítimas está aumentando a cada dia que passa, os Zralkies estão atacando em todas as regiões de Moamba, principalmente a cidade de Orge. — Soa na sua consciência o que viu na TV.

Punkson ainda na porta tenta se esforçar para montar as peças para achar um sentido de tudo o que está acontecendo ali e para piorar, não sabe se há uma possibilidade de encontrar outros sobreviventes além dele mesmo.

Ele respira fundo, senta na superfície com as pernas cruzadas e reza com a esperança que encontre mais pessoas que tenham escapado das excêntricas coisas que estão atacando os humanos sem nenhum freio.

Depois da reza ele levanta e se apercebe que a coisa que deixou no interior da sua casa não rugia e nem soava os passos da mesma. Ele olha para o céu, deixa o seu charuto escapar da sua boca e volta os seus olhos para a entrada da porta.

— Será que é isso que estou pensando? — ele se pergunta olhando fixamente para a entrada e o seu coração já parou de batucar no interior do peito.

Ele imagina que haja uma grande probabilidade de a criatura ter morrido por conta da oração que fez segundos atrás. Uma onda de coragem lhe faz voltar a entrar na casa e antes de tudo testa os interruptores para ligar as lâmpadas da casa e poder visualizar tudo com toda clareza.

Logo no primeiro interruptor que pressiona a lâmpada liga e tudo na sala fica iluminado. Misteriosamente tudo no espaço está bem organizado exceto os lugares por onde passou quando estava fugindo da coisa esquelética.

A fome cresce a passos largos e o homem não pensa em mais nada além de matar a fome para depois verificar se a criatura morreu de fato. É uma vontade fora da razão, pois mesmo sabendo que está diante de um grande perigo, mas ainda assim prefere se dirigir a cozinha para poder comer algo e matar por completo o que lhe incomoda; a terrível fome.

Ele caminha até a cozinha, antes de chegar sente um cheiro familiar que lhe recupera uma memória muito importante que não devia ter sido perdida. Punkson se lembra que aquela comida que lhe recebe na cozinha é a favorita da sua amada filha, no entanto ele já não se lembra do nome dela o que lhe incomoda de uma forma agonizante.

Ao chegar na cozinha, Punkson pressiona o interruptor e a lâmpada traz a sua luz intensa onde o homem consegue ver uma cozinha bem organizada como se tivesse passado pelas mãos femininas.

Ele olha para cada detalhe e não consegue acreditar no que está vendo diante de si.

— Quem está morando aqui? Será que fui eu que fiz tudo isso? — As palavras soam na sua mente, mas não há ninguém para confirmar o que ele está achando.

Na mesa tem um frango assado e arroz de cenoura ainda deixando dançar o vapor que denuncia que a comida é recém feita.

 Como uma pessoa qualquer, o homem hesita em correr até a comida para servir e comer, pois questões começam a lhe perturbar a mente.

— Quem está morando aqui?

De repente, os passos começam a soar na direção da cozinha, mas nenhum rugido soa. São passos leves e preguiçosos.

O coração do Punkson começa a batucar dentro do peito novamente.

O que será que está vindo desta vez?

Continua...

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