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Capa do romance O herdeiro

O herdeiro

Roger confronta a liderança da máfia para proteger o futuro de sua filha, Tayla. Sob pressão do patriarca John para aceitar um casamento arranjado, ele recusa priorizar juramentos de sangue sobre a felicidade da pequena. O que antes era um dever familiar agora é uma batalha pessoal. Mesmo diante das ameaças e da intervenção de Alfredo Bittencourt, Roger desafia as tradições cruéis da organização, disposto a tudo para garantir que sua herdeira possa escolher o próprio destino.
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Capítulo 3

O toque

Assim que Tayla olhou para o dono daquela voz grave e rouca, sentiu seu

coração se acelerar.

Que homem era aquele?

Talvez um filho de Adônis, pois a beleza era digna de um deus grego.

Diferente dos irmãos, Christopher era o único que tinha barba, possuía os

cabelos em um tom de loiro escuro com algumas mechas mais claras e o tom

azul de seus olhos era diferente, não era tão claro quanto o dos irmãos, parecia

um tom de azul-marinho perfeito.

O homem em si era perfeito aos olhos de Tayla, aqueles olhos exóticos o

marcavam, mas a barba o deixava ainda mais atraente.

Tay nunca prestou atenção em homens com barba, mas depois que viu em

Christopher, ela, com certeza, começaria a reparar.

Talvez a beleza do homem nem fosse tanta, mas aos olhos dela, ele era o

homem mais lindo que já havia visto.

— Tayla, esse é o Christopher, o meu primogênito. — Foi Alfredo quem

apresentou.

Tayla nunca imaginou que seria possível existir tanta beleza em uma só

pessoa.

Christopher encarava a jovem com o cenho franzido, tentando mostrar

indiferença. Aos olhos dos irmãos ele conseguia, mas o pai conhecia muito bem

o filho e percebeu nesse momento que Christopher havia se interessado pela

garota.

— Tayla. — Ela se apresentou depois que Megan a cutucou.

Christopher apenas a encarou e depois olhou para o pai.

— Agora que já nos apresentaram, eu posso voltar para casa. —

Christopher afirmou.

— Pai, acho que você errou no noivo, Christopher nem se quer foi

cavalheiro. Eu serei o marido ideal para ela. — Elliot disse tão casual que

parecia estar apenas comentando sobre o tempo.

Tayla paralisou no lugar.

Então Christopher era o seu noivo? Teria que se casar com aquele homem

incrivelmente belo e irritantemente arrogante que a ignorou cem por cento?

Será que ele era a favor daquela mentira toda? Pelo visto não.

Será que ela seria obrigada a consumar o casamento?

O pensamento fez a jovem ruborizar, imaginar aquele homem como o seu

marido a deixava com uma sensação diferente no estômago.

Mas diante do olhar de todos, o rubor no rosto de Tayla foi causado pelas

palavras de Elliot.

E a raiva que Christopher tentava controlar se tornou ainda maior.

Ele se controlava para não estrangular o irmão ali mesmo, na frente da sua

família.

Talvez a mãe o perdoasse, já que Elliot não servia para nada mesmo.

Para Christopher aquilo era demais, ele deu um passo para frente em

direção ao irmão, mas foi impedido pelo pai que segurou o seu braço.

Depois, o silêncio que se instalou na sala chegou a ser palpável de tão tenso.

— Para mim tanto faz, eu não pedi para casar com ela. — Ele falou com

desdém, os olhos fixos em Tayla.

Elliot sorriu e se levantou, sabia que a paciência de Christopher era curta e

mesmo assim se sentou ao lado de Tayla e pegou a sua mão. A garota estava fria,

não queria ser a causa das brigas dos irmãos.

— Chega Elliot, Tayla é noiva do seu irmão, mesmo ele sendo contra. —

Angélica chamou a atenção do filho atrevido.

Elliot realmente tinha achado ela uma graça, se encantou pela garota, mas

nunca seria capaz de roubar a mulher de um irmão, ele e Christopher sempre

foram muito unidos. Sem contar que o punho do primogênito sabia machucar

bastante.

— Eu sei, só quero ver até quando ele será imune a essa beldade aqui. —

Elliot disse se levantando e indo na direção do irmão.

— Por mim ela está livre, pode fazer o que quiser, eu não a quero. — As

palavras dele saíram pesadas e nesse instante a garota se levantou.

O delicado rosto que antes estava ruborizado com o pensamento de

Christopher sendo seu marido, agora estava com um tom de vermelho mais

intenso, era raiva. Com certeza ela estava brava.

— Parem de falar de mim como se eu não estivesse aqui! — Ao tom da sua

voz, todos os olhares foram para ela.

A aniversariante respirou fundo, esse definitivamente não era o aniversário

que ela queria.

— Eu também estou aqui porque fui obrigada, arrancaram-me da minha

festa de aniversário anunciando que eu teria que casar com um Bittencourt,

acham que se eu quisesse, eu estaria aqui? Não, eu não estaria e se dependesse

de mim eu nunca teria o desprazer de olhar nessa sua cara arrogante. — Ela

finalizou olhando para Christopher.

O homem a olhou surpreso, não imaginava que uma pessoa tão delicada

assim seria capaz de falar aquilo.

Mas sua surpresa logo se transformou em raiva e ele estava pronto para

responder Tayla quando Elliot abriu a boca.

— É o seu aniversário?

— É. — Tayla respondeu encarando o tapete, ela tinha deixado a raiva

elevar as suas emoções e acabara de gritar com todos os Bittencourt.

— Não sei se deveria te desejar os parabéns, devido a circunstância. —

Ethan comentou a olhando com pesar.

— Obrigada mesmo assim Ethan. Dona Angélica, se me der licença eu só

quero subir para o quarto.

— Claro querida, eu mando levar o seu jantar até lá.

— Não precisa, eu perdi a fome.

— Eu não sabia que era seu aniversário Tayla, será que posso te

parabenizar? — Megan perguntou.

— Claro que sim. — Ela respondeu sentindo todos os olhares nela.

Megan se aproximou e a abraçou.

— Sinto muito pela perda da sua festa, pode comemorar novamente se

quiser. — Angélica também a abraçou.

Elliot e Matthew se limitaram a falar parabéns de longe, já Christopher e

Alfredo nada disseram.

Antes de mais alguma palavra ser dita ela subiu, passou perto dele que

estava próximo a escada. O perfume dela foi capaz de alucinar o homem e a

única vontade que ele teve foi de ir atrás da garota.

— Aonde vai Christopher? — Foi à mãe quem perguntou.

Ele parou no segundo degrau da escada e olhou para Angélica.

— Vou deixar bem claro que ela não pode falar assim comigo.

— Chris deixa a garota, ela não está bem e você só está piorando. — Esse

conselho veio de Ethan.

Ele voltou para trás dando se conta do que estava preste a fazer, ele correria

atrás dela, nem que fosse para brigar, mas iria, coisa que ele nunca fez antes e

não seria agora que faria.

∞∞∞

Tayla ficou no quarto o restante da noite, mas quando a madrugada chegou,

ela desceu para tomar água, andando na ponta do pé a fim de não acordar os

demais.

Foi até a geladeira e pegou a jarra de água, só teria que descobrir em que

lugar ficavam os copos e começou a procurá-los.

— Procurando algo. — A mesma voz que a fez tremer mais cedo, causou o

mesmo efeito neste instante.

A garota se assustou e quase derrubou a jarra de vidro, mas Christopher foi

mais rápido segurando-a com as mãos, tocando de leve os dedos da moça. Ele a

olhou dos pés à cabeça, foi inevitável não reparar o quanto ela era bonita.

Essa era a primeira vez que se tocavam.

Lentamente ele retirou a jarra de suas mãos, prolongando o toque delicado

de ambos e depositou-a sobre o balcão da cozinha.

— Belo pijama. — Ele sorriu e Tayla encarou seus lindos lábios.

— Copos. — Foi a resposta dela, ambos se encarando fixamente.

Tayla estava com as pernas bambas, por isso resolveu sentar.

Christopher sabia intimidá-la.

Ele foi até a segunda porta do armário e pegou, colocando água para ela e

depois a entregou.

— Obrigada. — Disse ainda sentada.

— Minha intenção não era assustá-la. — Seu tom era baixo.

A menina bebeu a água, logo após levantou-se para lavar o copo.

Christopher estava tão perto da pia que Tayla sentiu seus braços roçarem, o

corpo dele e a aproximação fizeram a jovem sentir o cheiro do homem, uma

mistura de colônia masculina e um perfume adocicado.

Era óbvio que ele estava com alguma mulher minutos antes. E por alguma

razão ainda desconhecida, ela não se sentia bem com isso.

Como poderia ela ser obrigada a casar com ele e levar chifres? Claro que

eles não tinham nada um com o outro, mas era um noivado, não era? Não que ela

apoiasse esse casamento, mas o respeito era bom e todos gostavam.

Ela apenas o ignorou e saiu da cozinha, mas isso não foi o suficiente para

ele. Christopher segurou seu braço e ela encarou a mão que a tocava.

— Você pode tirar a mão de mim, por favor? — Disse já não aguentando

tudo aquilo.

Ele ficou sério e retirou a mão do braço dela.

— Eu só queria saber se você está bem.

— Isso não te diz respeito, não pense que só porque serei sua esposa, você

poderá tocar-me, não sou obrigada a aceitar isso. — Disse o encarando, os olhos

castanhos dela brilhando em ameaça, o nariz empinado e o tom da pele

levemente avermelhado.

— Não faço questão disso. — A frieza de sua voz combinou perfeitamente

com a dela.

— Não foi o que me pareceu. — Ela completou e saiu de lá praticamente

correndo.

Tayla não sabia de onde tinha arrumado forças para enfrentá-lo novamente,

mas não aceitaria tudo de mão beijada, já que era para casar e não ser respeitada,

ela pagaria com na mesma moeda, não seria a única traída desse casamento.

O que um ato não pensado poderia fazer com uma pessoa? O erro do pai

estava levando a filha a mudar.

Do olhar doce ela passou para o frio.

Do sorriso ela passou a chorar.

E do sonho de amar alguém um dia, fruto de um casamento feliz, ela passou

a desejar trair o marido da mesma forma que seria traída.

Mas para isso ela teria que encontrar o amor.

Nunca trairia o marido sem amar loucamente o amante...

A carona

Para Tayla a primeira noite na mansão foi impossível de dormir, não pelo

fato de ter encontrado Christopher novamente durante a madrugada, e usar nada

menos do que um pijaminha, mas sim, por não estar na sua casa, por ter a

consciência de saber que seus pais não estavam no quarto ao lado, ali naquela

mansão, os quartos ao lado eram ocupados por pessoas desconhecidas, pessoas

em quem Tayla não confiava, dormir tornou-se impossível.

A jovem abriu a porta que dava para a sacada, olhou o imenso jardim e o

portão, tinham muitos seguranças ao redor da propriedade inteira, uma fuga seria

impossível.

Pegou o celular e apenas respondeu as mensagens, não estava com vontade

de falar com ninguém, a mensagem da mãe foi a maior, dizia que estava muito

preocupada, Theodoro perguntou se ela estava bem e Beatriz queria matar

alguém, em especial Roger por ter feito essa bagunça toda.

Tayla não sabia o que responder, ela também estava preocupada, não sabia o

que seria da sua vida a partir de agora, poderia sentir de tudo, mas bem estar era

o mais longe de definir e a vontade de matar alguém existia, mas essa pessoa não

era o seu pai, era na verdade, o seu futuro marido.

Por que ele tinha que ser tão atraente? Mas ao mesmo tempo tão arrogante?

E quando a garota viu o dia clarear, ela resolveu aproveitar a banheira que

estava disposta apenas para ela. Relaxar seria bom, depois de uma noite inteira

em claro.

Após quase uma hora submersa na água, Tayla se deu por satisfeita e se

trocou, pegou a primeira roupa que viu, não estava ali para impressionar alguém.

O jeans preto e a regata vermelha deixaram-na satisfeita, o cabelo que

estava preso em um coque foi solto. Assim que Tayla desceu todos estavam na

mesa, isso era raro, mas foi à ordem de Angélica, o primeiro café da garota na

casa deveria ser na presença de todos.

Todas as manhãs na casa dos pais, Tayla via Roger em seu habitual terno de

trabalho, mas ali com quase todos os homens da família Bittencourt vestidos

assim, era uma visão e tanto. Apenas Ethan e Matthew estavam com roupas

casuais, já Elliot, Alfredo e Christopher, estavam se destacando em elegância.

Megan e Angélica estavam lindas também, Tayla imaginou que aquilo fosse um

costume em uma família como a deles. Talvez o jeans e a camiseta não tenham

sido uma boa ideia afinal.

— Bom dia. — Ela disse e se sentou ao lado de Megan, de frente para

Elliot, ouvindo todos desejarem bom dia a ela.

A jovem precisava se acostumar com todos os olhares, já que isso

aconteceria com frequência.

— Pelo visto você não dormiu bem. — Megan comentou reparando nas

olheiras da moça.

— Eu não consegui. — Tayla respondeu apenas isso e arriscou um olhar

para Christopher, que olhava tudo menos ela.

— Tayla hoje irei te acompanhar até a universidade, você vai estudar, não

é? — Angélica perguntou mudando de assunto.

Um sorriso genuíno brotou nos lábios da garota e isso não foi despercebido

pelos presentes, nem mesmo por Chris que adorou vê-la sorrindo pela primeira

vez, sem ser para o irmão.

— Claro, é o que eu mais quero, eu estudei a vida toda para isso. —

Respondeu imaginando o quão bom seria poder ver os amigos todos os dias.

— Mãe eu posso acompanhá-la. — Elliot disse sorrindo para Tayla, mas ela

encarou o prato. Chris virou para ele e o encarou sério.

— Dá para você parar de dar em cima dela? — Seu tom saiu baixo, mas foi

o suficiente para todos da mesa ouvirem.

Elliot sorriu debochado, ele sabia que o irmão estava a fim da garota, mas

não achou que fosse tanto.

— Está com ciúme Chris? — Matthew, o caçula, perguntou.

— Não, só não quero ser o corno da família. — Falou olhando para ela que

logo em seguida quebrou o contato visual olhando novamente para o prato.

— Elli só está brincando Chris, ele adora-te irritar. — Megan falou.

— Eu sei. — Chris deu um soco no braço do irmão — mas é sério quando

digo para se afastar dela.

A família nunca tinha visto Christopher com este sentimento de posse, ele

sempre foi mais fechado e não demonstrava afeto.

— Qual universidade você ganhou a bolsa? — Matt perguntou.

— New York University. — Ela respondeu agradecendo mentalmente por

terem mudado de assunto.

Um Christopher irritante ela conseguiria lidar, mas aquele Christopher com

os olhos grudados nela e ameaçando o irmão, era demais.

— Eu também fui aceito lá, caso você queira uma carona, podemos ir juntos

todos os dias. — Ele sorriu simpático.

E desse irmão Chris não tinha ciúmes, apenas assentiu para o olhar de

pedido de permissão do caçula dos homens.

— Eu adoraria, eu tenho meu próprio carro, mas ficou na casa dos meus

pais.

— Eu posso mandar buscar. — Christopher disse se levantando para ir ao

trabalho.

Tayla o olhou, era impossível ignorar um homem como ele, vestido com um

terno elegante e aquela barba.

Deus aquela barba...

Ela nunca prestou atenção em barba, mas aquilo se tornou tão atraente de

repente.

— Você faria isso? — Ela se forçou a perguntar.

— Claro. — Com isso ele saiu da cozinha e deixou a garota com um

pequeno sorriso. E o restante da família surpresos.

∞∞∞

No início da noite Tayla ligou para a mãe e logo após para Beatriz, a melhor

amiga praticamente surtou quando atendeu.

— Por que demorou tanto para me ligar?

— Bea foi apenas uma noite. E eu liguei para a minha mãe primeiro, ela

está em um hotel. — Tay comentou sentindo seu peito apertar.

Não queria que os pais se separassem, aquela sensação era horrível e ela se

sentia culpada.

— A noite mais longa que já tive, eu estava preocupada, sabia que você

ficaria muito triste quando soubesse da separação dos seus pais.

— Eu não queria que eles se separassem, me sinto culpada.

— Você não tem culpa de nada, seu pai que errou apostando você, sua mãe

está mais do que certa em se divorciar.

— Eu sei.

— Como você está com tudo isso?

Tayla suspirou pesadamente, jogando-se na cama.

— Ainda estou digerindo tudo.

— Você vai ter que se casar com aquele homem?

— Não, meu futuro marido é o primogênito dele.

O silêncio do outro lado da linha deixou Tayla preocupada.

Beatriz não é de ficar calada.

— Bea?

— Estou digerindo também, calma. — A morena começou a contar do dez

ao um.

Tayla sorriu. Somente Beatriz para fazê-la sorrir em um momento assim.

Há dois dias sua única preocupação era que roupa usar em sua festa e que

livro começar a ler, agora ela está tão perdida, seus pais estão se separando e ela

será obrigada a se casar com um homem extremamente lindo e desconhecido.

Quando Beatriz chegou no um ela deu um grito, fazendo Tayla sair de seus

pensamentos.

— Meu Deus, como ele é?

Tayla apenas gargalhou.

— Bea você não tem jeito, respondendo a sua pergunta, ele é muito bonito,

mas o que tem de belo, tem de arrogante.

Beatriz suspirou do outro lado da linha.

— Minha vida é tão sem graça perto da sua, mas, ainda assim, eu quero

matar o seu pai.

— Acredite, eu também estou muito chateada com o meu pai, tudo parece

tão bom, mas você não quereria estar no meu lugar.

Tayla começou a falar sobre tudo o que aconteceu desde que pisou na

mansão Bittencourt.

— Menina, você tem que me apresentar um dos seus cunhados, pelo jeito

que descreveu eles devem ser o pecado em pessoa.

— Diferente de Christopher, eles são bem legais.

As duas conversaram mais um pouco, até que Megan bateu à porta e

chamou Tayla para assistir a um filme.

Ambas foram para a sala de estar.

— Você começa amanhã? — Ela perguntou a respeito dos estudos.

— Sim, estou tão feliz! Mesmo que não seja como pensei, estou feliz.

Tayla recordou do dia em que sua carta de aceitação chegou, foi

inacreditável, sua felicidade era imensa. E quando a carta de aceitação de Beatriz

chegou, a festa foi armada, as duas melhores amigas estudariam na mesma

universidade que o outro melhor amigo já era aluno.

— Eu também não vejo a hora de sair do ensino médio. — Megan

comentou.

— Posso te perguntar uma coisa? — Tayla estava envergonhada.

— Claro, somos amigas agora.

— Qual é a sua idade? — Tayla ficou curiosa, depois que Bea perguntou a

idade dos cunhados.

— Eu tenho 16 anos, estou no último ano da escola. — Responde sorrindo.

— Ah! — Tay responde, mas, na verdade, ela queria saber a idade do

Christopher também.

— Chris tem 28 anos, Elliot tem 25, Ethan tem 23 e Matt 18, igual você.

— Eu sempre quis ter irmãos, uma família grande igual à sua, mas meus

pais só tiveram a mim.

— Eu às vezes, queria ser filha única, meus irmãos são muito chatos, nunca

posso fazer o que quero. — Disse revirando os olhos.

— Imagino, já pensou quando um namorado seu vier aqui? Meu Deus!

Com tantos irmãos eu terei dó dele. — Tayla começou a gargalhar devido a

careta de Megan e bem na hora que Christopher entrou.

Ele paralisou com a imagem de Tayla gargalhando na sala de estar. Era a

primeira vez que ele a via assim, tão relaxada, ele apreciou isso.

Apreciou bem mais do que gostaria.

— Vejo que vocês estão se dando bem. — Ele comentou, ainda sem tirar os

olhos dela.

No mesmo instante, a jovem parou de sorrir e abriu os olhos, encarando

aquele olhar azul que tanto a intimida.

— Sim, Tay é a irmã que eu sempre quis. — Megan diz e segura a mão da

futura cunhada.

— Sorte que ela não é nossa irmã. — Ele comentou ainda com o olhar em

Tayla.

A jovem corou no mesmo instante entendendo o recado dele.

— Eu mandei trazer o seu carro, chega amanhã.

— Obrigada. Eu poderia ir buscar, mas não quero falar com o meu pai por

enquanto. — Ela acabou abaixando o olhar para o tapete.

Lembrar do pai e da verdadeira razão de estar nessa casa, ainda doía.

— Entendo, amanhã ele chega. — Christopher a encarou diferente dessa

vez, ele estava triste por ela também estar nessa situação.

Para não demonstrar isso ele se dirigiu a escada, deixando as duas a sós.

— Estranho Chris estar aqui ainda. — Megan comentou confusa.

— Por quê?

— Faz anos que ele mora no apartamento dele, mas mamãe pediu para ele

ficar só ontem, acho que ele não quer deixar você sozinha aqui. — Meg deu um

sorrisinho safado.

— Não diz besteira Megan, Christopher é lindo pode ter a mulher que

quiser, duvido muito que eu seja uma delas.

— Mas você é a futura esposa dele. — Ela disse, mas ambas não sabiam

que ele ainda ouvia a conversa delas.

Como Tayla ficou em silêncio, ele resolveu subir, mas sorriu ao saber que

ela o achava lindo.

∞∞∞

— Está ansiosa querida? — A futura sogra perguntou na manhã seguinte.

— Sim, muito!

— Por ser o primeiro dia, Matt precisou ir mais cedo hoje, ele não foi no

“tour” de apresentação da universidade, então alguém irá apresentar tudo a ele

hoje, mas eu te levo ou você pode ir com o Willian, o motorista. — Angélica

sugeriu.

Tayla se recordou de quando fez o “tour” pela UNY, ela e Beatriz foram no

mesmo dia que as cartas de ambas chegaram, Theodoro foi o guia delas, ela

nunca esqueceria desse dia.

— Eu a levo mãe. — Christopher surpreendeu a todos com o comentário,

mas Elliot que não deixa nada passar, comentou risonho.

— Chris já está caidinho.

— Cala-te, imbecil. — Ele responde, mas não nega. — Vamos?

— Sim. — Tayla subiu para pegar a mochila.

Assim que ela saiu pela porta ele a olhou por completo.

— Você vai vestida assim mesmo?

— O que tem de errado? — Ela olhou para o vestido rosa a cima do joelho.

Christopher não queria dizer que ela estava muito linda para uma simples

aula.

— Nada... Só que... — Ele não encontrou palavras, abriu a porta e ela

entrou.

— Você me acha inferior a você? — Ela perguntou assim que ele ocupou o

lugar do motorista.

— Não, claro que não, você está muito linda.

Foi impossível a jovem não corar com o comentário dele.

— Obrigada, Megan me emprestou alguns vestidos.

— Sabia que tinha dedo dela nisso. — Ele disse arrancando com o carro.

— Não brigue com ela, é raro eu usar vestido e ela me emprestou alguns,

ela só quer me ajudar. — Tayla começou a se explicar, a jovem tentava ignorar o

fato de andar no carro dele, a sós, em um ambiente tão elegante que, ainda por

cima, tinha o cheiro dele em cada parte.

— Eu prefiro jeans a esse vestido. – Ele acabou soltando.

Tay sorriu com a careta que ele fez.

— Vou me lembrar disso amanhã. — Ela comentou, recebendo em troca um

belo sorriso.

Agora o olhando de perto, com mais atenção, Tayla conseguia notar os fios

loiros da barba bem cuidada, ele sabia ser atraente e o ar de seriedade o deixava

ainda mais belo.

A jovem foi puxada de seus pensamentos quando ouviu o celular dele tocar.

Após apertar o botão no painel a ligação foi atendida.

— Christopher Bittencourt. — Sua voz saiu profissional, já que esse era o

celular da empresa.

— Oi docinho, queria saber se você quer repetir a noite comigo de novo? —

A voz feminina soou pelo carro todo, o que deixou Tayla sem reação e

Christopher tenso.

Ele desligou na cara da mulher.

O clima do carro que antes era bom, tornou-se desagradável.

— Tayla. — Ele tentou dizer algo, mas a garota desceu assim que percebeu

que chegou à universidade.

Não satisfeito Christopher socou o volante com força, mas logo em seguida

desceu atrás dela.

E pela primeira vez, o primogênito dos Bittencourt correu atrás de uma

mulher.

— Espera. — Ele segurou a mão dela.

Tayla tentou ignorar a sensação que o toque transmitia e o olhou. Os dois

encararam-se por um tempo até que ele falou.

— Ela é só uma conhecida. — Tentou explicar o inexplicável.

Desde quando dormimos com conhecidos?

— E eu sou só a aposta, Christopher. — Tayla rebateu e entrou correndo

para o lugar que será a sua salvação pelos próximos anos...

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