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Capa do romance O Herdeiro Escondido do Ceo Obsessivo

O Herdeiro Escondido do Ceo Obsessivo

Madelyn acreditava que nunca mais amaria após perder o noivo, até conhecer Dustyn. O romance intenso com o homem humilde parecia perfeito, mas era uma farsa: ele é um CEO bilionário comprometido com outra. Após ser traída e ameaçada, ela foge carregando um herdeiro secreto. Anos depois, o destino promove um reencontro explosivo. Agora, Dustyn descobriu a existência do filho e não medirá esforços para reivindicar o que acredita ser seu por direito.
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Capítulo 3

Madeline

A Calloway Industries tinha uma energia que eu não esperava encontrar.

Não era o tipo de lugar que acolhia. Era o tipo de lugar que avaliava. As pessoas andavam pelos corredores com aquela pressa calculada de quem precisa parecer ocupado o tempo todo, os sorrisos eram rápidos e profissionais, as conversas no elevador duravam exatamente o tempo necessário para não criar intimidade desnecessária com alguém que poderia ser seu concorrente interno na próxima promoção.

Eu entendi o ambiente em aproximadamente quarenta minutos.

Então abaixei a cabeça, aprendi o sistema com a velocidade que a necessidade exige e fiz exatamente o que havia feito nos últimos dezoito meses em todos os outros lugares que precisei sobreviver.

Funcionei.

Minha mesa ficava no quarto andar, no setor de comunicação interna, entre uma mulher chamada Patricia que falava baixo e sorria pouco e um rapaz chamado Henrique que compensava o silêncio da colega falando por três pessoas ao mesmo tempo. Era um equilíbrio estranho que de alguma forma funcionava, e eu me encaixei naquele espaço sem fazer muito barulho, que era exatamente o que eu sabia fazer melhor.

Na primeira semana não pensei no homem do saguão nenhuma vez.

Isso é mentira.

Pensei nele pelo menos uma vez por dia, sempre de forma rápida e seguida imediatamente de uma repreensão interna por estar desperdiçando atenção mental em alguém cujo sobrenome eu nem sabia.

Era apenas um homem que havia sido gentil num momento em que eu esperava grosseria. Meu cérebro havia registrado aquilo como extraordinário simplesmente porque gentileza genuína era rara o suficiente para parecer notável.

Não havia nada além disso.

Foi o que continuei me dizendo até a quinta-feira da segunda semana, quando entrei na fila do café do segundo andar e ouvi uma voz familiar atrás de mim.

- Dessa vez eu fico longe do seu copo.

Eu me virei e ele estava lá.

Sem gravata. Camisa simples com as mangas levemente dobradas nos antebraços. Sorrindo com aquela calma característica que já havia me desarmado uma vez e aparentemente não havia perdido nenhuma eficiência desde então.

- Você trabalha aqui? - perguntei antes de pensar se era uma pergunta inteligente de se fazer.

- Terceiro andar - ele respondeu simplesmente, como se aquilo explicasse tudo e ao mesmo tempo não explicasse nada. - E você? Conseguiu a vaga?

- Quarto andar. Comunicação interna.

Ele acenou com a cabeça de um jeito que parecia genuinamente satisfeito com a informação, não de forma exagerada, apenas com aquela expressão tranquila de alguém que recebe uma boa notícia pequena e a recebe com proporção adequada.

Ficamos em silêncio por alguns segundos enquanto a fila avançava.

O silêncio com ele era diferente. Não era o tipo desconfortável que me fazia procurar algum assunto para preencher o espaço. Era apenas silêncio. Neutro. Respirável.

- Você parece mais relaxada do que no segundo dia - ele disse eventualmente.

Eu pisquei.

- Você me viu no segundo dia?

- De passagem - ele respondeu com uma leveza que não me deixou certeza de se era verdade ou uma forma educada de encerrar o assunto.

Peguei meu café. Ele pegou o dele. E nos sentamos na mesma mesa pequena perto da janela de uma forma que não foi combinada, apenas aconteceu, como se fosse a continuação natural de uma conversa que havia começado no saguão duas semanas antes e nunca realmente terminado.

Dustyn falava de uma forma que eu não estava acostumada a receber.

Ele perguntava coisas e depois esperava de verdade pela resposta, sem aquela pressa disfarçada de atenção que a maioria das pessoas demonstrava em conversas educadas. Quando eu respondia ele processava o que eu havia dito antes de responder de volta, como se as palavras tivessem peso real e merecessem ser tratadas como tal.

Era desconcertante de uma forma que eu não sabia bem como classificar.

Perguntei o que ele fazia no terceiro andar e ele respondeu de forma vaga que trabalhava com gestão e análise, algo administrativo, nada interessante, com um sorriso de canto que eu interpretei como modéstia genuína de alguém que simplesmente não achava o próprio trabalho um assunto empolgante de conversa.

Não desconfiei de nada.

Por que desconfiaria?

Ele usava camisa simples de algodão. Relógio discreto. Sapato decente, mas sem aquela ostentação sutil que os homens ricos usavam como código entre si. Não havia nada nele que sinalizasse qualquer coisa além do que ele apresentava, um funcionário comum num edifício cheio de funcionários comuns.

Quando nos levantamos para voltar aos respectivos andares ele perguntou meu número de ramal interno com uma casualidade tão natural que eu o dei antes de processar completamente que havia feito isso.

- Para o caso de precisar te avisar se estou na fila do café - ele justificou com seriedade falsa nos olhos.

Eu ri.

E o som da minha própria risada me surpreendeu.

Não porque fosse extraordinário. Mas porque foi involuntário. Genuíno. O tipo de riso que sai antes que você decida se quer rir, o tipo que não pede licença nem avisa que está chegando, e que eu não havia produzido dessa forma em dezoito meses de funcionamento cuidadosamente controlado.

Subi as escadas de volta para o quarto andar com o café na mão e aquele riso ainda ecoando levemente no peito de uma forma que era pequena demais para ser preocupante mas grande o suficiente para que eu percebesse.

Patricia olhou para mim quando me sentei.

- Você está diferente - ela disse com a economia de palavras que era sua característica principal.

- Tomei café - respondi.

Ela voltou para a tela dela sem comentar mais nada.

Mas eu fiquei olhando para o meu próprio monitor por alguns segundos antes de começar a trabalhar, pensando numa coisa pequena e aparentemente irrelevante que havia acontecido lá embaixo na mesa perto da janela.

Dustyn havia me perguntado qual era minha parte favorita do trabalho.

Não o que eu fazia. Não quanto eu ganhava. Não onde eu havia trabalhado antes.

Qual era minha parte favorita.

E eu havia respondido sem hesitar que era o momento em que um texto confuso se tornava claro, quando as palavras certas encontravam a ordem certa e de repente a comunicação acontecia de verdade entre duas pessoas.

Ele havia ficado quieto por um segundo inteiro olhando para mim.

Depois disse:

- Eu entendo exatamente isso.

Com uma convicção tão simples e tão direta que pareceu a coisa mais honesta que alguém havia me dito em muito tempo.

E eu não sabia ainda por que aquilo importava tanto.

Mas importava.

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