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Capa do romance O Herdeiro Escondido do Ceo Obsessivo

O Herdeiro Escondido do Ceo Obsessivo

Madelyn acreditava que nunca mais amaria após perder o noivo, até conhecer Dustyn. O romance intenso com o homem humilde parecia perfeito, mas era uma farsa: ele é um CEO bilionário comprometido com outra. Após ser traída e ameaçada, ela foge carregando um herdeiro secreto. Anos depois, o destino promove um reencontro explosivo. Agora, Dustyn descobriu a existência do filho e não medirá esforços para reivindicar o que acredita ser seu por direito.
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Capítulo 1

Madeline

Aprendi que o luto não avisa quando chega.

Ele simplesmente ocupa o espaço que a felicidade deixou vazio e fica ali, pesado, silencioso, permanente, como uma presença que você não convidou, mas também não consegue expulsar por mais que tente, por mais que finja, por mais que sorria para as pessoas erradas nos momentos errados só para não ter que explicar o tamanho exato do buraco que ficou dentro do seu peito.

Lucas morreu numa quinta-feira.

Eu estava provando o vestido pela última vez quando minha cunhada entrou no quarto da boutique com os olhos vermelhos e as mãos tremendo contra o corpo. Ela não precisou dizer nada. Eu soube antes mesmo de ela abrir a boca que o mundo que eu conhecia havia acabado de desmoronar completamente, tijolo por tijolo, sonho por sonho, futuro por futuro.

Acidente de carro. Quatro da tarde. A dois quilômetros da nossa casa.

Um dia antes do nosso casamento.

Eu não chorei na hora. Estranhamente não chorei. Fiquei parada no meio do quarto ainda com o vestido branco, olhando para o espelho como se a mulher refletida ali fosse outra pessoa completamente.

Alguém que eu não reconhecia mais. Alguém que havia perdido tudo num único segundo sem ter tido a chance de se despedir, de dizer que amava, de apertar a mão dele uma última vez e guardar esse toque para sempre.

O choro veio três dias depois, sozinha no banheiro, com o chuveiro aberto para abafar o som.

Porque eu tinha aprendido muito cedo que chorar na frente dos outros era uma forma de dar às pessoas o poder de te ver quebrada. E eu não podia me dar ao luxo de parecer quebrada. Tinha contas para pagar. Tinha uma irmã mais velha que dependia parcialmente de mim. Tinha uma vida que precisava continuar funcionando mesmo que por dentro eu estivesse completamente despedaçada.

Então eu funcionei.

Vendi o apartamento que Lucas e eu tínhamos comprado juntos porque não conseguia mais dormir entre aquelas paredes sem sentir o cheiro dele em cada cômodo, sem ver a xícara dele ainda no escorredor, sem encontrar bilhetinhos com a letra dele em gavetas que eu esquecia de verificar.

Me mudei para um lugar menor, mais barato, num bairro que não carregava nenhuma memória nossa. Guardei o vestido de noiva numa sacola plástica transparente dentro do armário porque não tinha coragem de jogá-lo fora, mas também não conseguia olhar para ele sem que o peito doesse de um jeito insuportável.

Voltei ao trabalho seis semanas depois do funeral, mais cedo do que qualquer pessoa achava sensato ou saudável, porque o trabalho era o único lugar onde eu conseguia fingir com alguma convicção que ainda era uma pessoa inteira funcionando normalmente no mundo.

Foi minha ex-chefe Donna quem me indicou para a vaga na Calloway Industries.

- É uma empresa grande, Mandy. Salário consideravelmente melhor. Estabilidade de verdade. Você precisa disso agora mais do que precisa de qualquer outra coisa - ela disse com aquela voz direta e sem floreios que eu sempre admirei nela por ser exatamente o oposto da minha tendência de suavizar tudo.

Eu precisava mesmo.

Então no dia vinte e três de março, dezoito meses depois da morte de Lucas, entrei pela primeira vez no edifício envidraçado da Calloway Industries com meu currículo impresso em papel timbrado, meu blazer preto que estava levemente apertado nos ombros depois que engordei três quilos de ansiedade acumulada, e a determinação silenciosa e feroz de quem não tem mais absolutamente nada a perder.

O saguão era imenso. Frio. Intimidador de uma forma que parecia completamente proposital, calculada para fazer as pessoas se sentirem pequenas antes mesmo de chegarem ao andar certo e encontrarem a pessoa certa.

Eu estava parada no meio daquele espaço enorme olhando para o mapa no painel tentando localizar o setor de recursos humanos quando minha bolsa bateu em alguém que passava rápido pelo meu lado e o copo que eu segurava descuidadamente com a mão esquerda despencou direto sobre o terno de um homem.

O tempo parou completamente.

O café escaldante se espalhando pelo tecido da gravata dele pareceu acontecer em câmera lenta, cada gota encontrando o tecido claro com uma precisão cruel que me fez fechar os olhos por meio segundo esperando o impacto da raiva que certamente viria na sequência.

Eu olhei para cima esperando encontrar exatamente isso. Raiva. Grosseria imediata. A expressão exasperada e condescendente de alguém importante que estava claramente atrasado e agora precisava lidar com uma estranha completamente desastrada numa manhã que já devia ser suficientemente complicada.

Mas o homem apenas olhou para o próprio terno, depois olhou para mim, e sorriu.

Um sorriso calmo. Paciente. Genuinamente quente de um jeito completamente inesperado para aquele lugar e aquele momento específico.

- Não foi de propósito - ele disse antes que eu conseguisse juntar palavras suficientes para me desculpar adequadamente. - Eu vi acontecer. Você estava claramente distraída com o mapa.

Eu pisquei duas vezes sem conseguir responder imediatamente.

- Eu sinto muito. Eu pago a limpeza. Esse tecido parece muito caro e eu realmente não estava prestando atenção onde estava indo e...

- Está tudo bem - ele interrompeu com aquela mesma calma absoluta desconcertante, tirando um lenço do bolso e pressionando levemente contra a gravata sem nenhuma pressa ou irritação aparente no rosto. - É apenas café. Acontece com todo mundo.

Havia algo nele que não combinava com ninguém dentro daquele edifício frio e calculadamente intimidador. Parecia relaxado demais. Despreocupado demais para alguém cujo terno acabava de ser arruinado por uma completa estranha numa segunda-feira de manhã.

- Dustyn - ele disse estendendo a mão direita na minha direção.

- Madeline - eu respondi automaticamente. - Mandy.

Ele sorriu de novo quando ouviu o apelido. Devagar. Como se tivesse gostado genuinamente do som de uma forma que claramente não esperava gostar.

- Você é nova aqui?

- Estou vindo para uma entrevista.

- Então boa sorte, Mandy - ele disse, pegando o copo vazio do chão com naturalidade e devolvendo para mim antes de continuar andando pelo corredor como se aquilo tivesse sido o acontecimento mais normal e irrelevante do mundo inteiro.

Eu fiquei parada olhando para ele se afastar entre as outras pessoas.

E pela primeira vez em dezoito meses, senti algo dentro do peito que não era dor.

Não soube nomear naquele instante exato.

Só soube que era diferente de tudo que havia sentido desde aquela quinta-feira maldita que partiu minha vida ao meio.

E que aquele homem de sorriso calmo e terno manchado de café havia acabado de ocupar um espaço na minha cabeça que eu nem sabia que ainda existia vazio esperando por alguém.

***

"No corredor do décimo segundo andar, o homem que ela acabava de conhecer encostou na parede, olhou para o café no próprio terno e sorriu sozinho pela segunda vez naquele dia."

"Ele sabia exatamente quem ela era."

"Havia lido o currículo dela três vezes na noite anterior."

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