
O Grito Silencioso de Uma Mãe
Capítulo 2
O meu filho, Lucas, desapareceu no supermercado.
Quando dei por mim, ele já não estava no corredor dos brinquedos.
O pânico subiu-me pela garganta, seco e áspero.
Corri pelos corredores, o meu coração a bater descontroladamente contra as minhas costelas.
"Lucas! Lucas!"
O meu grito era agudo, desesperado. As pessoas olhavam para mim, algumas com pena, outras com irritação.
Agarrei o meu telemóvel, as minhas mãos a tremer tanto que quase o deixei cair.
Liguei ao meu marido, o André.
A chamada foi para o correio de voz.
"André, o Lucas desapareceu. No supermercado Pingo Doce. Por favor, vem para cá. Por favor."
Tentei ligar novamente. E outra vez. E outra vez.
Sempre o mesmo silêncio, seguido pela voz gravada e impessoal.
Fui ter com o segurança, a minha voz a falhar enquanto explicava a situação. Ele foi simpático, mas lento. Fez perguntas, preencheu um formulário. Cada segundo era uma tortura.
Finalmente, depois do que pareceu uma eternidade, o meu telemóvel vibrou.
Era o André.
"O que foi, Sofia? Estou numa reunião importante."
A sua voz era fria, distante.
"André, o Lucas! Ele desapareceu! Estou no Pingo Doce, não o encontro em lado nenhum!"
Houve uma pausa. Não de choque, mas de aborrecimento.
"Sofia, tens a certeza? Ele provavelmente está só escondido atrás de uma prateleira. Já o procuraste bem?"
"Claro que procurei! Ele não está aqui! A segurança já foi alertada, estou em pânico!"
Ouvi uma voz de mulher ao fundo, suave e familiar. A voz da minha cunhada, a Isabel.
"André, querido, está tudo bem? Aconteceu alguma coisa com o teu projeto?"
A voz dela era melosa, cheia de uma falsa preocupação que me revirou o estômago.
"Não é nada, Isa. É só a Sofia a fazer um drama outra vez."
Ele disse isto para ela, mas alto o suficiente para eu ouvir.
"Um drama? O nosso filho desapareceu e tu chamas a isso um drama?"
A minha voz subiu uma oitava, cheia de incredulidade e dor.
"Olha, eu não posso sair agora. A Isabel está a ter um ataque de pânico por causa da apresentação de amanhã. Ela precisa de mim. Tu és a mãe, resolve isso. Liga-me quando o encontrares."
E ele desligou.
Assim.
Sem mais uma palavra.
Fiquei a olhar para o telemóvel, o ecrã escuro a refletir o meu rosto pálido e chocado.
Ele escolheu acalmar a irmã de um ataque de pânico imaginário em vez de procurar o nosso filho desaparecido.
O meu filho. O filho dele.
A realidade da sua escolha atingiu-me com a força de uma parede de betão.
Naquele momento, no meio do barulho indiferente do supermercado, eu soube.
O nosso casamento tinha acabado.
Não havia mais nada para salvar.
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