
O filho secreto do MAFIOSO viúvo
Capítulo 3
Marcos estava encostado a cadeira, onde trabalhava todos os dias, mas sua cabeça não. Ele viajava a noite passada, lembrando da mulher com quem teve um sexo maravilhoso.
Ele já perdeu as contas de com quantas tramou, e não lembrava dos seus nomes. Só duas dela, Kaylli e Dakota. Sua falecida esposa não era seu amor ou paixão, foi só uma obrigação, mas ela agradecia a mulher por ter deixado sua filha Anna. Ela era seu bem maior, seu amor desde o momento que nasceu, e ninguém chegou perto de despertar tal sentimento nele.
Amor era algo inalcançável, pensava ele. Homens como Marcos Pícoli não tinha tempo para amor, ou felicidade. Quando não estava na empresa, estava nas intermináveis reuniões com aqueles que financiava o tráfico.
Os Pícoli não tinham uma preferência de comprador, quem desse mais, levava a mercadoria. Eles financiavam todo tipo de coisa, seja o crime ou o exército.
Naquele momento ele deveria estar prestando atenção no que seu irmão falava, mas não conseguia tirar a morena da cabeça.
— Você não está prestando atenção. — Seu irmão se irritou por estar falando sozinho. — Sabe o quanto odeio isso?
— Procure a morena de ontem, o seu nome é Dakota. — Ignorou totalmente o assunto.
— É uma piada? — O homem não gostou nada de estar fazendo o papel de assistente de um idiota apaixonado. Se ele falasse isso em voz alta, levaria um soco do irmão. — Não se preocupe, outra, tão bonita quanto, irá aparecer.
— Quero aquela mulher. — Ele viu, como um idiota. No auge dos seus trinta e nove, achou alguém que não o entediava, melhor, provocava. Não podia dizer que era a melhor pessoa que poderia encontrar, porém, ficou curioso para saber se ela tiraria seu corpo da realidade, assim como fez noite passada. — Ela é diferente. Não tem interesse algum, não... ela é teimosa, e quer ser tão superior quanto eu.
— Um joguinho novo? — Dante sentou-se na cadeira a sua frente, desistindo de convence-lo o ouvir. — Não sou seu mandachuva, irmão, meu trabalho é outro.
Marcos então voltou a realidade, encarou o irmão e só ali, Dante sabia que ele não estava brincando.
— Apenas faça o que estou mandando. — Mandou, sem muita paciência. — Sobre seu outro assunto, diga ao general que pode me mandar os arquivos. Vou ler quando tiver tempo.
— Sabe que o homem comanda a defesa nacional e não um posto de bairro, certo? — Dante odiava ter que dar broncas no irmão mais velho, contudo, as vezes era necessário, só que não funcionava muito. — Certo. — Disse ao se levantar.
Ela cheirava a perigo, mas ele estava louco para provar desse veneno.
Ela me deixava louco só com o olhar.
Ele ainda estava imaginando seus olhos negros o encarando sem medo, isso nunca aconteceu. O deixou excitado, porém, ele tinha que controlar o seu instinto pervertido. Não podia ficar pensando nela na hora do trabalho. Mesmo que aquela boceta tenha o enlouquecido.
Marcos estava tentando voltar a sua rotina quando ouviu seu telefone tocar. Era Anna, a garota tinha o poder de mudar o seu humor e dia. Não importava o quanto ele era temido, cruel ou frio, sua filha tirava o melhor dele.
— Amorzinho.
— Nada de amorzinho. — A voz autoritária e brava, do outro lado da linha, o fez sorrir. — Hoje é o meu aniversário e você nem me deu um beijo, de bom dia.
Se bem sabia, ela estava com aquele bico de chateada, que sempre o fazia dar a ela, tudo o que queria.
— Perdoe-me, estava atrasado e não quis acorda-la tão cedo. — Às vezes, Marcos parava para pensar e chegava conclusão de que não merecia ter alguém como Anna em sua vida. Ela era doce, delicada, engraçada, e não tinha maldade alguma em sua alma. Ele se achava sortudo por tê-la, e temia que algo levasse essa parte boa dele. Também se questionava como pode ele ter algo tão bom, sendo que era um homem desprezível. — Prometo chegar mais cedo, vou levar um presente e... podemos assistir um filme antes de dormir.
— Quero ir ao Joe. — Mandona. Anna tinha o espirito de liberdade, não temia o pai, na verdade, notava que quanto mais chateada ficasse, ou parecesse, ele lhe recompensaria. Então, às vezes, o manipulava. — Sorvete de aniversário.
— Tão tarde da noite? — Ele não achava que era uma boa ideia.
— Hoje pode, papai, é meu aniversário, e como não vou ter festa, no mínimo um sorvete é justo, afinal, não vou fazer dez anos próximo ano. — Manipuladora e esperta.
— Certo, mas só um. — Avisou.
— Veremos.
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