
O filho secreto do CEO - Amo-te Desde Sempre
Capítulo 3
Joshua Ferrell
Dona Olívia sempre apoiou meu pai em tudo, mas não abre mão dos fins de semana em família. Isso para ela é sagrado. Ainda olhando a foto ele diz.
— Não quero problemas com sua mãe — olha para mim e continua. — E segunda, na reunião, nada de aliviar com eles, quero esse negócio fechado antes de suas férias. Já perdemos muito tempo — diz, sentando-se novamente.
— Deixe comigo, sou seu melhor negociador — gabo-me, seguindo em direção à porta.
Essa conversa com meu pai não foi nada do que eu esperava, mas, paciência.
Somos de uma família tradicional, e eu tenho muito orgulho do meu pai, que herdou a empresa falida do meu avô e a transformou no que é hoje.
Posso dizer que tive uma educação privilegiada, viajei para vários países e só depois entrei para a empresa. Não posso reclamar da vida quem tenho tido até agora, mas, eu quero mais.
Quero ser como meu velho, um exemplo de homem de negócios, reconhecido e premiado por seus feitos. Mas, acima de tudo, um homem de família. Contudo, essa última parte, num futuro bem distante, sei o quanto é difícil conciliar as duas coisas e o quanto ele se sacrificou para não falhar em nenhuma dessas áreas.
Sim, meu sonho é assumir a filial de minha família em New York, a cidade-luz. Esse será um grande passo. Mas, meu coroa, Jeremy Ferrell, é osso duro de roer, eu também o sou...
Desde o final do colegial que trabalho com meu pai na sede onde ele é o CEO todo poderoso. Iniciei como um simples office boy, dividindo-me entre a empresa e a faculdade de Administração e Gestão em Negócios. Aos poucos, fui subindo de cargo, até a posição que ocupo hoje, a vice-presidência. E por ser filho, não tive nada facilitado como muitos podem pensar, tive que ganhar meu espaço. Foram cinco anos de extrema dedicação. Só que agora, aos 23 anos, acredito chegou minha hora, quero andar sem a sombra do meu pai.
Já pensei em eu mesmo fundar minha própria empresa e seguir sozinho, mas isso daria muito desgosto ao meu velho, que vive dizendo que um dia, ao se aposentar, isso tudo será meu.
Saio dos meus pensamentos ao ouvir o toque do celular. É o Matt, ativo a ligação no viva voz do carro...
— Estou a caminho — digo.
— Pensei que a bela adormecida ainda estivesse na cama — fala com seu jeito brincalhão de sempre.
— Vá se...
— Olha a boca suja — interrompe-me. — Tenho uma linda jovem aqui ao meu lado que não deve ouvir seu palavreado baixo. Venha logo — diz e desliga sem me dar tempo de responder.
Desconecto o celular do aparelho de som, ligando na rádio de costume, a música de Wiz Khalifa - See You Again ft. Charlie Puth, toca o trecho calmo da canção, nada condizente com meu estado de espírito.
Aumento a velocidade do carro bem no momento em que o rap começa sua agitação. Enquanto percorro as ruas quase desertas àquela hora, volto a pensar em minha conversa com meu pai.
Farei o que for preciso para atingir cada uma das minhas metas.
E se para isso terei que abrir mão de certas coisas, eu farei. Nesse momento nada é mais importante do que atingir meus objetivos. Com esse pensamento aumento, ainda mais a velocidade do carro e sigo em direção ao clube.
Katellyn Welsh
— Obrigada papai, eu o amo muito — agradeço tirando o cinto de segurança, descendo do carro em seguida.
— Também amo muito vocês e cuide de sua Irmã — ele direciona esta última frase para Clhoe.
"Até parece que eu não sei me cuidar."
Ela abre um sorriso de orelha a orelha pela confiança recebida e eu reviro os olhos.
Andamos em direção à entrada do clube e logo avisto a Nick acenando como uma louca para chamar nossa atenção.
Caminhamos até ela e para isso tenho que passar pela quadra, onde vejo o Joshua Ferrell e o Matheus O'Malley, com alguns amigos, jogando vôlei, e como sempre a metida da Cassandra também está lá.
Sempre o via de longe no campus da faculdade ao lado do meu colégio, nunca nos aproximamos, mas durante uma festa, onde o Sr. Ferrell e o Mick seriam homenageados como empresários modelos, que tinham projetos sociais voltados para os jovens em formação, fomos apresentados. Não sei descrever ao certo o que senti quando ele apertou minha mão e a beijou, a sensação que eu tinha era de que acontecia uma revoada em meu estômago, não fui capaz de pronunciar uma única palavra. Morro de vergonha só de lembrar.
Neste evento também estavam o Matt e a insuportável da Cassandra. Desde então, vez ou outra nos víamos em alguns eventos sem muita aproximação, geralmente não estamos no mesmo círculo social ou de amigos.
Toda vez que o vejo, sinto um negócio esquisito, meu coração dispara e sinto-me uma idiota, pois, ele nunca olhou para mim mais que dois minutos.
Tento caminhar o mais tranquila possível, mas nossos olhares acabam se cruzando e eu desviei rapidamente.
— Que bom que você chegou, já estava quase tendo um ataque aqui sozinha sem poder desabafar, vendo o Matt suado com aquela camiseta cinza, e sorrindo para mim cada vez que faz um ponto. Oi, Clhoe! — Nick fala tudo de uma vez sem nem respirar.
Olho em direção ao Matt e ele está sorrindo para cá.
— Oi — Clhoe responde e vira-se para mim. — Posso ir para a piscina?
— Claro, só tenha cuidado de não ir para a parte muito funda e passe mais um pouco de protetor.
— Pode deixar, eu sei nadar — responde, vai logo aplicando protetor de todo jeito e sai correndo.
Mais uma vez olho em direção a quadra e vejo que o time do Josh acabou de marcar um ponto e a Cassandra corre em sua direção para comemorar, desvio o olhar, mas não antes de ver o Matt soltar um beijo para Nick que bate palmas e pula que nem pipoca ao meu lado.
— Desde quando é tão amiga do Matt? — pergunto desconfiada.
— Amiga, eu ia te contar! Você sabe, sempre o achei muito lindo e muitas vezes trocamos olhares. E eu fui à praça ontem, naquela loja de vestidos, buscar uma encomenda para minha mãe, e acabei encontrando com ele por acaso. Quando ele falou comigo não acreditei — respira fundo. — Ele se ofereceu para me acompanhar e como ainda demoraria um pouco para a encomenda ficar pronta, ele me convidou para tomar um sorvete — respira fundo de novo. — E eu aceitei. Conversamos quase uma hora direto e no fim, ele fez questão de me levar em casa, quando nos despedimos, ele me beijou!
Arregalo os olhos com tudo que ela me conta e falo:
— Conversaram ou você falou por quase uma hora? — debocho, ela fica vermelha, o que é raro. Continuo. — Você deu o seu primeiro beijo e só agora que me conta?
— Eu sei... É que eu fiquei tão nervosa, não conseguia parar de pensar. Quase não consegui dormir essa noite. Mas assim que amanheceu, liguei para sua casa, mas a dorminhoca ainda não tinha acordado.
— É, minha mãe falou da sua ligação! Também respondi sua mensagem, e você nem visualizou. Mas continue... O que mais aconteceu? — pergunto ainda curiosa.
— Ontem ele me disse que estaria aqui hoje pela manhã e disse que queria me ver de novo e conversar comigo, então resolvi vir o mais cedo que eu pudesse e quando cheguei, ele também estava chegando, aí pudemos conversar um pouco e combinamos de nos conhecer melhor.
— Uau! Estou admirada com a rapidez de vocês! — ela ri do meu comentário e continua olhando para ele.
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