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Capa do romance O filho do policial mafioso - Irmãos Rodrigues – Livro II

O filho do policial mafioso - Irmãos Rodrigues – Livro II

Os Rodrigues dominam o Brasil sob o disfarce de magnatas das joias, ocultando uma rede de crimes e mortes. André, o policial da família, vê sua paz ruir ao descobrir a existência de um filho sequestrado por rivais. Forçado à traição para salvar o menino, ele cruza o caminho de Beatriz Albuquerque, que busca uma prima sumida. Entre mentiras e perigos, a convivência forçada desperta uma paixão intensa. É essencial ler o primeiro volume para acompanhar esta trama.
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Capítulo 3

Beatriz

Meses antes do casamento do Willow

É tão bom chegar em casa. Não via a hora do avião aterrissar e encontrar minha família. É quase cinco anos sem vê-los. Férias não conta. Gosto de ficar com meus pais, meus tios, principalmente minha prima Marcela.

Há tempos ela não me manda uma mensagem, nem me liga. Vai ter que me dar uma ótima explicação. Simplesmente parou de responder minhas mensagens e ligações.

― Seja bem-vinda, senhorita. ― Clovis, o senhor de setenta anos, veio me receber. Já aposentado, ele ainda trabalha como nosso mordomo. Diz não conseguir deixar a casa onde conheceu sua esposa, que também continua trabalhando aqui. Eles se tornaram da família. Como não fazem nada pesado ou prejudicial na idade, mamãe e tia Vivi deixam que continuem conosco.

― Obrigada, Clovis. ― Sorri para ele. ― Como o senhor está? Cuidando da saúde?

Ele devolveu o sorriso.

― Estou bem, menina. Sempre cuidando para viver até os cem anos.

― Você vai conseguir passar disso.

Entrei sorrindo na sala e encontrei meus tios e meus pais reunidos, além do meu primo chato. Nunca nos demos bem. Ele sempre foi um ser egoísta.

― Mamãe! Que saudade! ― deixei a bolsa no primeiro sofá a minha frente e fui abraçar minha mãe.

Depois cumprimentei todos.

Eles estavam estranhos. Geralmente eram mais sorridentes. Me olhavam como se alguém da família tivesse morrido.

― O que foi? Nem parecem felizes com minha chegada. Cadê a Marcela? Ela me deve explicações por ter sumido.

― Filha, precisamos conversar. ― Meu pai veio e segurou a minha mão.

Apesar dos sofás, ninguém parecia disposto a sentar, exceto Gustavo, claro. Juro que esse cara não parece nada ser irmão da Marcela, temos que ver se ele não foi trocado na maternidade.

― Sobre? ― meu coração doía por antecipação. ― Aconteceu alguma coisa com a minha prima?

― Marcela fugiu de casa faz quase um ano ― ele respondeu.

― O que? Isso é impossível. ― Balancei a cabeça negando.

― Sua prima tinha problemas com álcool e coisas ainda pior, você sabe. Ela simplesmente não voltou quando foi te levar ao aeroporto. ― Meu tio disse.

― Como sabem que ela não está presa em algum lugar. Ela é uma Albuquerque, pode ter sido sequestrada.

― Ela pegou uma parte do nosso dinheiro no banco e fez uma chamada de vídeo dizendo para não procurá-la. Estava com aqueles malditos amigos que sempre conseguem desviá-la.

― E simplesmente não procuraram?

― Claro que sim. Colocamos detetives atrás dela. Até agora nada.

― Deus! O que a polícia disse?

― Não envolvemos polícia. Sua prima já fez isso mais de uma vez.

Só meu tio e meu pai falavam, minha tia e minha mãe apenas olhavam, assim como Gustavo.

― Mas nunca ficou tanto tempo fora. Foram no máximo algumas semanas. ― Olhei para cada um deles segurando ao máximo as lágrimas que queimavam meus olhos. Eles realmente achavam se tratar de um capricho de Marcela. ― Vocês só podem estar loucos! Marcela precisa de ajuda não de abandono.

― Não. Estamos apenas cansados. Sim, é nossa filha, mas já tentamos de tudo. Decidimos deixar nas mãos de Deus.

― Ela pode estar com frio, com fome...

― Talvez sentindo isso, ela volte. E dessa vez vamos interná-la ― Gustavo decidiu falar. Dessa vez acho que meu primo não está tão errado assim. Realmente está na hora de colocar profissionais cuidando da minha prima.

― Por que não me contaram? Quase um ano e não me mandaram e-mail ou ligaram. Deixaram que eu ficasse lá. Justamente no período em que fazia o curso e não podia voltar.

― Você estava empolgada com o curso. Se tivéssemos te contato o abandonaria e viria correndo. ― Minha mãe disse.

E se virou para minha tia que completou:

― Não queríamos que se prejudicasse tanto com os erros de Marcela. Você mal saiu da faculdade e conseguiu realizar o sonho de estudar com o estilista que foi sua inspiração para seguir a carreira. Por mais amigas que sejam, por mais família que sejamos, Marcela não tinha o direito de fazer isso com você.

― Quero o contato dos detetives. Vou achar a minha prima. Após isso veremos o que fazer. ― Peguei minha bolsa. ― Agora me deem licença que preciso de um banho e descansar. A viagem foi longa.

Não tinha mais aquele sentimento gostoso de retorno. Se eu soubesse que o motivo do sumiço da minha prima era as malditas drogas teria voltado na primeira mensagem não respondida. Perderia a chance de estudar com Laurence, porém não estaria com essa dor no peito. Marcela precisa de ajuda. Ela começou a usar drogas quando tinha quinze anos e engravidou do seu primeiro amor. O menino não era confiável e a deixou. Meus tios, com vergonha de uma filha menor de idade grávida, ao contrário de obrigar os pais do garoto a fazer algo, obrigaram ela a abortar. A partir desse dia, minha prima perdeu o brilho no olhar. Ainda era a pessoa que eu conhecia e amava, mas quando batia a depressão, ela se refugiava em drogas e eu a perdia.

Eu vou te salvar, minha amiga, minha irmã.

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