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Capa do romance O Filho do meu Padrasto: Uma Paixão Secreta

O Filho do meu Padrasto: Uma Paixão Secreta

Chiara, modelo e estudante de moda, vive um encontro inesquecível com o grego Eros Makris, herdeiro de um império hoteleiro. Sem saberem quem são, entregam-se a uma noite de paixão intensa. O destino os surpreende semanas depois: a mãe dela e o pai dele, ambos viúvos há anos, decidem reconstruir a vida juntos. Agora, os dois estranhos que compartilharam uma conexão profunda precisam lidar com o fato de que se tornaram parte da mesma família.
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Capítulo 2

EROS MAKRIS

UM MÊS DEPOIS:

- ISSO - vibro com os olhos na tela do celular, só esqueço que estou dentro de uma sala de reuniões com o meu pai, cinco funcionários e dois clientes.

Olho para todos os presentes e vejo seus olhares interrogativos em minha direção.

- Desculpem! - falo, desconcertado. - Pode continuar, Catarina.

A apresentação da reunião está sendo feito por Catarina Demetriou, nossa coordenadora de marketing.

Ela volta à apresentação e, mais uma vez, me distraio stalkeando a rede social dela: Chiara Giordano, a estranha daquela noite.

Descobrir quem é a garota, se tornou uma missão.

Após o sexo incrível que fizemos aquela noite, dormimos em poucos minutos de tão exaustos que estávamos.

Eu quis perguntar como tinha sido para ela a sua primeira vez, mas a garota parecia tão segura de si, que me deixou intimidado.

Na manhã seguinte, acordei e, ao olhar para o lado, vi que ela ainda dormia. O lençol cobria apenas a bunda dela, que, diga-se de passagem é uma delícia. Ela estava de bruços, e suas pernas e costas estavam expostas. O cabelo cobria parte do seu rosto, e eu o coloquei delicadamente atrás da orelha para não acordá-la.

Tinha sido a primeira vez da garota, então achei que deveria ser cordial.

Não falei para ela, mas a minha família é dona da rede de hotéis Makris. Ou seja, eu tinha passe livre na cozinha.

Cozinhar é algo que me dá muito prazer; são as minhas melhores memórias com a minha mãe.

Preparei um desjejum grego com iogurte, frutas, mel, castanhas, pão pita, frios, azeitonas, bolo, torta, biscoitos, ovos mexidos com tomate e queijo feta e, é claro, o tradicional café grego. Queria deixar uma pista sobre a minha nacionalidade, já que não sabemos nada um do outro. Mas, para minha surpresa, ao voltar para o quarto, a estranha, ou melhor, Chiara Giordano, não estava lá.

Confesso que fiquei decepcionado. Essa coisa de sair sem se despedir é coisa de quem quer fugir.

- Tem algo que queira acrescentar, Eros? - meu pai pergunta, me tirando dos meus pensamentos.

O que dizer? Não prestei atenção em uma única palavra que Catarina falou.

- Acho que com Catarina Demetriou estão em ótimas mãos - falo, direcionando o meu olhar para os clientes.

Eu não minto, Catarina é a nossa publicitária mais experiente, e será promovida a diretora de marketing quando meu velho, meu irmão e eu nos mudarmos para a Itália.

A reunião chega ao fim. Meu pai e eu apertamos as mãos dos clientes, que logo deixam a sala de reuniões.

- Eros, o que está acontecendo com você ultimamente? - meu pai pergunta - Tem estado distante, distraído...

- Impressão sua - respondo. - Só me distrai um pouco na reunião.

- Você está distraído desde que voltou da Itália da última vez.

- Não sei de onde tirou isso, Sr. Theodore Makris - desconverso. - Mas me conta: e a mulher que conheceu na Itália?

Há dois meses, meu pai contou para mim e meu irmão que conheceu uma mulher em um café em Milão. Isso nos deixou bem surpresos, visto que a minha mãe morreu em um acidente há quinze anos e, desde então, ele assumiu o papel de viúvo e não considerou se relacionar com mais ninguém.

Não foi por falta de pretendentes. Cansei de ver mulheres se atirando em cima dele, mas sua vida se resumia a trabalhar e cuidar de mim e do Atlas.

Não estou afirmando que nunca mais o meu pai tocou em uma mulher, mas nenhuma delas foi importante a ponto de ele mencionar para mim e meu irmão.

A mulher de Milão deve ter algo especial, já que desde que a conheceu, o meu velho tem viajado para lá toda semana.

- Paola tem ocupado os meus pensamentos - um sorriso se formou no rosto do meu pai. - Temos passado bons momentos juntos, e sempre que chego à Grécia, sinto vontade de pegar o primeiro voo de volta para a Itália.

- Sr. Theodore Makris está apaixonado - sorrio, dando dois tapas em seu ombro.

- Eu quero essa mulher para mim, filho, mas não sei se ela está levando o que temos tão a sério quanto eu. Ontem, enquanto conversávamos por telefone, ela confessou que ainda não falou de mim para as suas filhas.

- Porque não tem uma conversa franca com ela sobre o que sente?

- Não sei - seu olhar fica distante. - Estou enferrujado para essas coisas. Não falo sobre sentimentos com outra mulher desde a sua mãe.

- Só seja sincero com ela.

- Vou pensar no que falar. À noite ligo para ela - meu velho fala, se levantando. - Vou almoçar com a sua tia. Ela quer conversar comigo.

- Sobre o que tia Hebe quer conversar?

- Ainda não sei, mas ela tem tentado me convencer de que a mudança para a Itália é um erro.

Hebe Megalos Makris é minha tia por parte de mãe. Ela e o meu pai se conheceram antes dos meus pais serem apresentados.

Meu velho me contou recentemente que quando tinham a minha idade, a tia Hebe se declarou apaixonada por ele. Dias depois, ele viu a minha mãe pela primeira vez e se apaixonou perdidamente.

Isso explica muita coisa, visto que eu sempre achei que a forma que a minha tia olha para o meu pai é diferente, mesmo quando era casada com meu tio, Leonidas Makris, que morreu de infarto a alguns anos.

Saio do escritório e dirijo até a academia. Marquei de encontrar com o Atlas.

Ao chegar, estaciono e vou direto para o vestiário.

- Faz tempo que chegou? - pergunto, dando um toque de mão no meu irmão, ao constatar que ele já está à minha espera.

- Alguns minutos - ele responde, sorrindo com o olhar fixo na tela do celular.

- Que cara é essa?

Abro o meu armário e começo a me trocar.

- Olha a gata que eu saí ontem - ele vira a tela do seu celular em minha direção. - Eduarda Magalhães, brasileira e está de férias na Grécia.

- Quantos anos a garota tem?

- Vinte e oito.

- Ela por acaso sabe que você é um bebezinho de vinte anos?

- Digamos que ela acha que eu tenho uns vinte e quatro anos.

- Mentiu sua idade? - o encaro, perplexo.

- Não. Ela perguntou a minha idade, eu perguntei quantos anos ela achava que eu tinha e ela falou vinte e quatro anos. A conversa encerrou aí.

- Então você não mentiu a sua idade, mas fez ela achar que você tinha vinte e quatro anos? - pergunto, dando um tapa em sua cabeça.

- Mais ou menos isso - o idiota sorri, presunçoso. - Ela é gata, tem um bom papo e o beijo é incrível. Senti falta de saber falar português, como você. Seria ótimo para impressioná-la.

- Conversaram em grego?

- Não. Ela também não sabe nada de grego. Conversamos em inglês, mas ela também fala um pouco de italiano.

Após nos exercitarmos por aproximadamente uma hora, meu irmão e eu vamos almoçar em um restaurante perto do escritório.

- E a garota da Itália? - Atlas pergunta, olhando o cardápio.

Atlas foi a única pessoa com quem conversei sobre a estranha da Itália, que agora sei que se chama Chiara Giordano.

- Eu descobri o nome dela - respondo, tentando parecer indiferente.

- E qual é o nome da garota?

- Chiara. Ela é modelo, tem fotos e vídeos de várias campanhas publicitárias dela em suas redes sociais.

- Tem foto dela? - pergunta, sorrindo. - Preciso ver o rosto da garota que tem tirado o foco do meu irmão no trabalho.

- Não viaja, Atlas - reviro os olhos. - Já não basta nosso pai, agora você também vai vir com essa conversa?

- O velho também notou? - ele sorri ainda mais.

Antes que eu possa dar uma resposta atravessada para o meu irmão, o garçom nos interrompe.

Fazemos os nossos pedidos e, enquanto esperamos, mostro a foto da garota.

- Uau! Bem gata - fala. - Mas é diferente do perfil de mulheres que te vejo saindo.

- Como assim?

- Não é loira, não aparenta ser tão alta e nem tão magra, apesar de ser modelo. Pelo visto, não é só nas passarelas que os padrões estão mudando.

- Está falando isso pela Penélope?

- E pela Sophia.

- Só coincidência.

- Pode ser, mas e aí? Deixou uma mensagem?

- O quê? Para a garota da Itália? - pergunto. - Claro que não. Só fiquei intrigado e curioso.

- Sei... - é notável que o meu irmão está sendo irônico.

- Vai se ferrar, Atlas - retruco.

- Não precisa ficar bravinho. Só acho que, se gostou da garota, deveria procurá-la.

Nosso almoço é servido. Como temos muitas coisas para resolver até a mudança para a Itália, mudo o foco do assunto.

- Já decidiu sobre a universidade da Itália?

- Praticamente. Estou pensando em me matricular na mesma que você.

- É uma das melhores universidades. Tenho certeza que você vai gostar.

Atlas direcionou o olhar para algo atrás de mim.

- Não é Penélope ali atrás?

- Penélope está aqui? - pergunto, girando o meu pescoço. - Será que é coincidência?

- Só você para acreditar nessas coincidências. Penélope sabe que costumamos almoçar nesse restaurante.

- Restaurantes são locais públicos, não posso impedi-la de frequentar. Pelo menos ela não está mais indo até o escritório.

- Ela só parou de ir ao escritório porque você barrou a entrada dela.

- Eu não barrei, só pedi que ela não ficasse aparecendo lá sem avisar.

- Ou seja, barrou educadamente.

Eu e Penélope namoramos por alguns meses. Eu não sei o que acontece comigo, mas não consigo fazer com que meus relacionamentos durem. É como se faltasse algo, e quando passa o "encanto" pela atração física, não consigo permanecer na relação.

- Não olha para trás, mas sua ex está vindo em nossa direção - Atlas alerta.

- Eros, posso falar com você? - Penélope pergunta, se colocando em pé em frente a nossa mesa.

- Como vai, Penélope? - pergunto.

- Oi para você também, Penélope! - Atlas fala, propositalmente.

- Oi, Atlas! - ela responde ao meu irmão com um certo desdém e direciona o olhar para mim novamente. - Eros, eu tentei te dar espaço, não estou indo mais no seu trabalho como você me pediu, mas essa sua insanidade está durando tempo demais.

- Insanidade? - pergunto, com o meu cenho franzido.

- Sim. Qualquer pessoa percebe que nós somos perfeitos juntos - ela insiste.

- Eu não acho - Atlas retruca.

- O quê? - Penélope pergunta, incrédula.

- Você pode ter um rostinho bonito e muitos seguidores nas redes sociais, mas nada disso te tornou uma pessoa humilde, muito pelo contrário, você é prepotente, se sente superior as outras pessoas, tudo que o Eros não gosta em uma mulher.

Assim, maninho, na lata?

- Pirralho, não se mete - Penélope fala, com seus olhos semicerrados. - A conversa ainda não chegou no jardim de infância.

- Atlas tem razão, Penélope. - falo. - As pessoas podem até achar que somos "perfeitos juntos", como você mencionou, porque não nos conhecem intimamente e não viveram a nossa relação. Nós não queremos as mesmas coisas, não nos amamos...

- Como pode falar isso? - ela pergunta, não permitindo que eu continue a falar. - Eros, é claro que eu amo você.

- Não, Penélope, você gosta do que o status da minha família pode te proporcionar. Busque alguém que queira as mesmas coisas que você, eu não sou esse cara.

- Eros Makris, você vai se arrepender por estar me dispensando e, talvez, quando cair na real eu não estarei mais aqui - ela fala, virando as costas, dando passadas firmes de volta à sua mesa.

- Já se imaginou casado com Penélope e tendo que aguentá-la todos os dias? - meu irmão pergunta, sorrindo.

- Não.

- Posso imaginar porquê. Seria um verdadeiro pesadelo.

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