
O Erro de 0%: A Verdade de Uma Esposa Fiel
Capítulo 3
O Pedro chegou em menos de vinte minutos, o seu rosto pálido de preocupação.
"Ana, o que se passa?" ele sentou-se ao meu lado, pegando na minha mão. A sua mão estava quente, a minha estava gelada.
Não consegui dizer uma palavra. Apenas lhe entreguei o relatório.
Ele leu-o, uma vez, duas vezes. A confusão no seu rosto transformou-se lentamente em choque, e depois em fúria gelada.
"O que é isto?" a sua voz era baixa, perigosa.
"Eu não sei, Pedro. Eu juro que não sei." As lágrimas que eu estava a segurar finalmente caíram. "Eu nunca te trairia. A única explicação é a clínica... eles devem ter cometido um erro."
O Pedro levantou-se abruptamente, afastando-se de mim como se eu tivesse uma doença contagiosa.
"Um erro?" ele riu, um som amargo e sem alegria. "Que erro conveniente, Ana."
"Pedro, por favor, acredita em mim."
"Acreditar em ti?" ele virou-se, os seus olhos, que antes me olhavam com tanto amor, estavam agora cheios de desprezo. "Como posso acreditar em ti? Este papel diz que me mentiste. Que andaste a dormir com outro homem pelas minhas costas."
"Não é verdade! Tu conheces-me!"
"Eu pensava que conhecia."
O seu telemóvel tocou nesse momento. Ele olhou para o ecrã e atendeu imediatamente. Era a sua mãe, a Joana.
"Mãe? Sim, estou no hospital com a Ana... Não, não está tudo bem."
Ele fez uma pausa, a ouvir o que ela dizia. O seu rosto endureceu ainda mais.
"Sim, mãe. Acabei de descobrir. A criança não é minha."
A sua voz era fria como o aço. Cada palavra era um golpe no meu coração.
Ele estava a contar à sua mãe, ali mesmo, na minha frente, antes mesmo de me dar a oportunidade de me explicar devidamente.
"O quê? Ela disse que foi um erro da clínica? Que piada... Sim, eu sei. Vou para casa agora. Falamos aí."
Ele desligou e olhou para mim.
"A minha mãe quer falar comigo. Vou para casa."
Ele nem sequer disse "nossa casa". Disse "casa".
"Pedro, espera. Vamos à clínica juntos. Podemos pedir-lhes os registos, podemos processá-los!"
"Eu não vou a lado nenhum contigo, Ana." Ele disse, a sua voz final. "Fica longe de mim."
Ele virou-se e foi-se embora, deixando-me sozinha no corredor frio do hospital, com o relatório de ADN amarrotado na minha mão.
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