
O Eco Silencioso do Nosso Amor
Capítulo 3
Na manhã seguinte, o som estridente do meu celular me acordou de um sono agitado. Eu mal havia dormido, a traição de Vítor se repetindo em minha mente como um pesadelo. Era uma mensagem de sua mãe, a matriarca da família Ferraz.
"Laura, já faz três anos. Quando você vai nos dar um neto? A família precisa de um herdeiro. Não me decepcione."
Senti um calafrio percorrer minha espinha. A pressão era constante, um lembrete de que meu único valor para eles era como uma incubadora. Eu ignorei a mensagem, mas a náusea já havia se instalado no meu estômago.
Pouco depois, Vítor desceu as escadas, já vestido em um terno impecável, como se a noite anterior não tivesse acontecido. Ele me olhou com seu habitual ar de superioridade.
"Sua saúde sempre foi fraca, não é de se admirar que você não consiga engravidar", ele disse com desdém, o tom casual tornando as palavras ainda mais cruéis. Era uma acusação, como se fosse minha culpa, minha falha.
Minhas mãos se fecharam em punhos sob o lençol. Eu queria gritar, jogar na cara dele todas as mentiras, mas me contive. Ainda não era a hora.
"Levante-se e se arrume", ele ordenou, nem mesmo me olhando nos olhos. "Temos um compromisso."
"Que compromisso?", perguntei, a voz rouca. Eu não queria ir a lugar nenhum com ele.
"Não faça perguntas. Apenas faça o que eu digo", ele respondeu, já se dirigindo para a porta. "Estou esperando no carro. Não demore."
Senti uma onda de desconfiança e ansiedade. O que ele estava planejando? Contra a minha vontade, levantei-me e me vesti, o coração pesado de maus pressentimentos. Entrei no carro em silêncio, e ele dirigiu sem dizer uma palavra, a tensão entre nós quase palpável.
O carro não parou em um restaurante ou em um evento social, como eu poderia esperar. Ele parou em frente a um prédio alto e moderno, com uma placa que dizia "Clínica de Fertilidade e Genética Avançada".
Meu estômago gelou. "Vítor, o que estamos fazendo aqui?", perguntei, o pânico começando a tomar conta de mim.
Ele me ignorou, saiu do carro e abriu minha porta, seu gesto um comando silencioso para que eu o seguisse. Senti-me como um cordeiro sendo levado ao matadouro, mas uma parte de mim estava curiosa para ver até onde sua crueldade iria. Ele me guiou para dentro, por corredores brancos e estéreis, até uma sala que parecia um consultório médico.
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