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Capa do romance O Duque que me amava

O Duque que me amava

Charlotte, filha de um rico fazendeiro, casou-se por amor, mas tornou-se apenas um troféu para o marido. Após dois anos de abusos e a descoberta da infertilidade, ela é devolvida à família com a reputação destruída e vive isolada. Tudo muda quando o Duque de Gloucester, Lucian, busca abrigo em sua porta durante uma tempestade. Encantado por sua doçura, ele deseja torná-la sua esposa, mas Charlotte teme entregar seu coração ferido outra vez.
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Capítulo 3

Marcel viu, ao longe, o começo das terras de seu pai.

Estava feliz por retornar para casa, principalmente por saber que, logo, logo, a região seria o berço de um encontro de nobres e isso traria muito prestigio, principalmente porque um mais novo duque de Gloucester estaria hospedado em sua casa, aquilo o animava muito.

Sabia que o Duque de Gloucester tinha muitas posses além de ser muito bem quisto pelo rei, que lhe dera tal título por ter sido um exímio líder de guerra. A família real era pequena, não haviam muitos nobres que de fato, estivessem aptos para governar caso o príncipe viesse a falecer, por isso, e, diante a instrução dos Adsumus, o rei o nomeou, afinal, era um homem de respeito.

Quando a carruagem passou pelo umbral de entrada, não demorou mais que alguns minutos para estar em frente a casa principal. Sua família não sabia da sua chegada que, certamente, pegaria todos de surpresa, mas aquilo não o incomodava. Adoraria ver suas irmãs e encontrar seus pais.

— Marcel? — a voz de Chelsea chegou aos seus ouvidos assim que pisou os pés para fora da carruagem.

Ele ergueu os olhos, o tempo havia feito muito bem a sua pequena irmã, que já não era tão pequena assim. Dois anos tornaram Chelsea uma bela jovem e, certamente, aquilo lhe taria muitas preocupações. Porém, seu sorriso desmanchou completamente a postura séria que Marcel tentava manter, então, ele somente abriu os braços, recebendo-a com todo carinho que podia.

— Olá, pequena! — falou, deixando um beijo entre os cabelos loiros. — Também estava com saudades.

— Mamãe não disse que você estava vindo, teria colocado um vestido mais bonito e arrumado meus cabelos! — ralhou a mais jovem, unindo as sobrancelhas claras enquanto olhava para o irmão.

Chelsea sempre foi muito ligada a aparência física, Marcel sabia o quanto ela odiava que a vissem mal arrumada, mas chegar de surpresa havia lhe dado a oportunidade de observá-la brincar com os cães, mostrando que ainda era a mesma garotinha levada que ele ajudou a criar, mesmo que não demonstrasse isso tanto quanto ele gostaria. Seus cabelos loiros estavam presos em duas tranças laterais desgrenhadas, seu vestido, que ficava acima dos tornozelos, estava um pouco velho e manchado de terra.

— Está linda! Não se preocupe com isso, e eu trouxe presentes, arrume-se com eles — ele tentou melhorar o humor da garota puxando uma mala mediana e mostrando para ela. — Vamos, tenho presentes para você e para nossas irmãs!

— Presentes! Trouxe para mim um vestido da capital? — ela perguntou, animadamente, entrelaçando seu braço ao do irmão. — Brista está tocando piano, ela vai se apresentar no próximo baile, já Charlotte… — A loira se calou por alguns instantes, sua voz, normalmente aguda e muito animada, se tornou um tanto quanto triste. — Não a vejo desde o casamento com Willian, mamãe diz que a vida de esposa dela é muito ocupada e…

— Não a vê desde o casamento? — Marcel a interrompeu, deixando a mala no chão da sala de estar. — Como assim não foi visitá-la? Brista também não? Já faz dois anos!

O coração do rapaz parou por um momento. Vez ou outra, culpava-se por estar tão longe de suas irmãs e, por dois longos anos, não vê-las pessoalmente. Agora, ali ouvindo sua irmã dizer que não via Charlotte há dois anos, sentiu um peso se instalar sob seus ombros.

Será que negligenciou sua irmã por dois anos?

— Mamãe não nos deixa ir, mas ela sempre vai — Chelsea parecia completamente insatisfeita enquanto falava. — Disse que Charlotte não tem tempo para nós, que precisa dar atenção para seu marido, aquele fazendeiro de... — Chelsea se deteve, unindo as sobrancelhas e percebendo que falaria algo que não era próprio para uma dama.

Momentaneamente, Marcel decidiu não questionar mais, certamente, teria tempo para falar sobre isso com a mãe e ele mesmo iria visitar a irmã. Por dentro, irritava-se com o fato de Judith não levar as duas mais novas para visitar Charlotte em sua companhia, sua irmã ficou isolada por todo esse tempo?

Aquilo não lhe parecia nada bom.

Quando entrou na casa, observando o organizado hall de entrada, ouviu a voz de Judith, sua mãe. Nunca teve um bom relacionamento com ela, normalmente, Judith era controladora demais para com suas irmãs e, apesar das garotas acharem que aquilo era normal, Marcel não concordava com as atitudes da mãe, que manipulava tudo para arranjar para as meninas propostas vantajosas. Teve medo de voltar de viagem e encontrar até a própria Chelsea, que tinha somente 16 anos, casada.

— Chelsea! O que eu disse sobre receber visitas como um animal selvagem? Olhe seus cabelos! — a voz de Judith soou por toda a casa, o grito foi alto o bastante para fazer a mais nova encolher os ombros.

Marcel suspirou ao notar a irmã murchar, vendo toda a animação e euforia ir por água abaixo. Odiava aquilo, odiava a forma como sua mãe as obrigava a manter a compostura até nos momentos mais íntimos. Sabia que a educação das moças era importante, mas sentia que suas irmãs eram cobradas demais e aquilo o machucava.

— Não ligue para isso, vá chamar Brista, quero vê-la! — falou, abaixando-se para deixar um beijo na testa da irmã e vendo-a correr para o corredor, sumindo de vista.

Nesse mesmo instante, chegando à sala de estar, Marcel viu sua mãe de pé na escada. Judith nunca mudava, seu porte elegante e altivo estava ainda mais presente, assim como o olhar de julgamento, afinal, ele estava fora há dois anos e aquilo a irritava profundamente, além disso, a vida boemia que levara se espalhou até ali e chegou aos ouvidos de sua mãe.

— Resolveu lembrar que tem uma família, Marcel? — ela perguntou, com uma expressão fechada.

— Achei que era melhor voltar antes que casasse Brista e Chelsea com algum velho fazendeiro — alfinetou o rapaz, fazendo a mulher unir as sobrancelhas. — Também senti sua falta, mamãe.

O rapaz se aproximou, estendendo as mãos para ela e segurando os finos dedos de sua mãe com carinho, apesar de discordar de suas atitudes, a amava intensamente, assim como a suas irmãs. Judith apertou as mãos do filho delicadamente e desceu os degraus restantes, o abraçando e dando alguns beijinhos em seu rosto.

— Está ainda mais bonito, meu rapaz! — falou, levemente emocionada.

— Obrigada, mamãe — ele agradeceu, afastando-se dela e tirando o casaco, entregando-o à mulher. — Onde está meu pai?

— No campo, sabe como ele é — respondeu ela, em tom de reclamação, dobrando o casaco. — Não sabia que vinha, seu quarto nem está organizado!

Judith estava nervosa.

Não havia se preparado para a volta de Marcel, aquilo mudava um pouco seus planos. Seu filho mais velho sempre fora bastante protetor e a situação de Charlotte estava se sustentando até aquele dia justamente pela distancia que Marcel se encontrava. Não sabia como iria contornar a curiosidade do filho e sabia que ele odiava Willian com todas as suas forças. Além disso, tinha certeza que Chelsea havia dito alguma coisa, afinal, os olhos azuis e tempestuosos não negavam a curiosidade e a desconfiança, que estava estampada no rosto do rapaz.

— Eu achei melhor vir sem avisar, gosto de chegar de surpresa — ele comentou, erguendo os olhos para a mãe com desconfiança, estreitando as íris claras. — Como está Charlotte? Me disse que tudo estava bem e que ela vinha frequentemente a casa, mas Chelsea me disse que não a vê desde o casamento. Já faz dois anos, mamãe.

O tom de Marcel era tranquilo, falava como quem dizia as notícias matinais e tediosas da coorte, mas Judith sabia que ele só usava aquele tom quando estava ciente de que havia algo de errado.

— Ela está ocupada com a vida de casada — justificou a mulher. — Tem sua própria casa e família agora.

A forma como ela falava soou evasiva aos ouvidos de Marcel, que se silenciou, tinha seus próprios meios de descobrir o que estava acontecendo. Judith mentia muito bem, mas ele aprendeu a ler todos os comportamentos da mãe, dessa forma, ele era tão bom quanto ela em mentir e fingir quando queria.

— Amanhã irei vê-la, quem sabe até levarei as meninas comigo, mas falamos sobre isso depois e… — Marcel estava prestes a falar que provavelmente passaria a tarde com Charlotte quando sua cintura foi envolvida pelos braços delicados e afoitos de Brista.

Diferente de Chelsea, Brista havia mudado muito. Seus cabelos estavam muito maiores, desciam como cascatas até abaixo da cintura, alguns fios tomavam uma tonalidade mais escura que outros, era encantador. Sua pele também estava mais bronzeada, assumindo um tom mais vivido e luminoso que combinava perfeitamente com a vivacidade de Brista e a impetuosidade que ela carregava.

— Marcel! Estou tão feliz que voltou! Soube do duque? — ela disparou as perguntas rapidamente enquanto o soltava.

— Também estou feliz em vê-la! — respondeu o mais velho, tocando as madeixas loiras. — Sim, inclusive, ele virá passar a temporada em nossa casa!

— O QUE? — perguntaram as três mulheres em uníssono.

Então, toda a sala se tornou uma confusão de vozes e Marcel se viu num longo interrogatório sobre o visitante que chegaria dali a alguns meses.

***

Quando a noite já ia longe e a lua estava alta no céu, Judith se levantou de sua cama silenciosamente, vestindo o hobby de seda perolado e ajeitando a touca nos cabelos. Saiu silenciosamente, ouvindo os roncos de seu marido e revirando os olhos, resmungando como ele roncava feito um porco no meio da noite enquanto deixava seus aposentos, não sem antes pegar o saco pequeno de moedas que guardava em sua gaveta de roupas íntimas.

Caminhou silenciosamente até o escritório do marido, pegando papel e caneta, escrevendo um breve bilhete, dobrando-o e pondo num envelope. Judith não demorou a deixar o escritório e seguir em direção as escadas, ouvindo o ranger da madeira e amaldiçoando o linóleo velho enquanto caminhava, não podia chamar atenção de ninguém.

Seguiu para os fundos da casa, chegando à porta que levava até os jardins traseiros e ao pequeno casebre, onde sabia que os trabalhadores solteiros ficavam jogando até tarde da noite. Sem vergonha ou timidez alguma ela se aproximou, recebendo um olhar de surpresa dos dois capatazes que jogavam xadrez e bebiam cerveja.

— Preciso que um de vocês leve isso até a fazenda dos Griffin — anunciou, com uma postura firme. — Meu marido e meu filho não devem saber, esse é o pagamento! Entreguem ao fazendeiro Willian, esposo da minha filha.

Ela jogou um saco de moedas de ouro sob o tabuleiro, bagunçando todas as peças. Os homens pegaram o saco e um deles o abriu, sorrindo ao ver a quantidade generosa de moedas. Então, ambos se levantaram e, aproximando-se, um deles pegou a carta de sua mão e disse:

— Com todo prazer, minha senhora.

***

Pessoal, espero que gostem desse novo capítulo! Os capítulos serão postados a medida que escrevo, então deixem seus comentários, eles me motivam muito, me contem o que estão achando! Me sigam no insta para acompanhar minha rotina de escrita e informações exclusivas sobre minhas histórias, interajam comigo por lá! @evy_da_dreame

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