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Capa do romance O Dono do Meu Destino

O Dono do Meu Destino

Dedicada à família, Ayla Santana vê sua vida ruir quando a irmã testemunha um crime do implacável Emir Navarro. Para evitar o pior, ela se submete ao domínio do mafioso, aceitando trabalhar para seu clã sob vigilância total. No entanto, a convivência forçada revela camadas obscuras de Emir, oscilando entre a brutalidade e uma proteção inesperada. Quando segredos do passado vêm à tona, Ayla enfrenta o dilema de amar o homem que pode ser a ruína de sua história.
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Capítulo 3

Parte 3...

Narin Santana

Meu estômago virou.

- LEVANTA, PORRA! – um dos homens bateu na cabeça do que estava ajoelhado.

Meu corpo inteiro tremeu de medo. Olhei em volta, observando por onde eu poderia sair. Só tinha um carro preto do outro lado, parado com a porta aberta.

O homem ajoelhado chorava.

- Eu juro... Juro que não entreguei nada... Por favor... Eu tenho família...

O homem elegante inclinou a cabeça como se estivesse cansado.

- Eu não repito ordens duas vezes.

Ele levantou a mão. Só isso. Um gesto.

E o homem armado do lado direito engatilhou a arma. Eu coloquei a mão na boca para não soltar um grito. Devia ter me afastado sem fazer barulho, mas meu pé escorregou na calçada molhada.

O homem elegante virou o rosto na mesma hora. Os olhos dele percorreram a rua. As sombras, os carros, os cantos escuros.

E pararam exatamente onde eu estava. Meu coração parou junto.

- Tem alguém ali. - ele disse, com uma calma tão perigosa que minhas pernas quase cederam.

- Quer que eu veja? - perguntou um dos armados.

- Não. - respondeu o líder, sem desviar o olhar da minha direção. - Eu mesmo vejo.

Ele começou a caminhar até mim. Me escondi atrás da caminhonete, com as mãos tremendo tanto que quase deixei a sacola da farmácia cair.

Peguei meu celular. Minhas mãos mal respondiam e liguei para Ayla que graças a Deus atendeu logo.

- Ayla... - sussurrei, quase sem voz. - Ayla...

- Narin? Que voz é essa?

- Eu... Eu vi... Eu... - tentei falar, mas o ar travou no peito. - Tem um homem aqui... Ayla, ele tá aqui... Ele tá vindo...

- O quê? - ela quase gritou. - Narin, escuta! Sai daí agora! Onde você está? Me deixou nervosa...

- Eu não posso... Ele... Ele olhou pra mim... Ele tá vindo pra cá...

- Narin, pelo amor de Deus, eu estou nervosa. Me fala onde você está?

- Eu tô... - minha voz falhou quando ele virou a cabeça como se tivesse ouvido meu sussurro. - Ayla, ele tá vindo direto pra mim...

- Narin, corre! - ela implorou. - Corre agora!

Não deu tempo.

A bota dele raspou no chão, perto, muito perto. Quando olhei por cima da carroceria, ele já estava do outro lado, me enxergando como se eu tivesse chamado seu nome.

- Achei. - ele disse, baixo, frio.

Soltei um soluço. O celular quase caiu da minha mão.

Ele deu a volta completa na caminhonete, com passos pesados, firmes, e antes que eu pudesse reagir, sua mão fechou no meu braço com força suficiente pra arrancar meu ar.

- O que você tá fazendo aqui? - ele rosnou.

- Eu... Eu só... Eu tava passando... - minha voz vinha picotada, presa no susto. - Por favor...

Ele estendeu a outra mão, aberta.

- Celular.

- Por favor... Eu não vi nada... - murmurei, desesperada, tremendo. - Eu só quero ir embora.

- Celular. - repetiu, mais baixo ainda, como se o ar ficasse mais denso com cada palavra.

Minha mão vacilou. Tentei esconder o aparelho atrás do corpo por puro instinto, mas ele puxou meu pulso com brutalidade, arrancando o celular dos meus dedos. Um gemido escapou quando a dor subiu pelo braço.

- Quem é? - ele perguntou, ouvindo a voz da minha irmã que ainda chamava meu nome do outro lado. - Quem tá aí?

Engoli o choro, tentando respirar, mas as lágrimas já escorriam sem controle.

- É... M-minha irmã...

Ele levou o telefone ao ouvido sem tirar os olhos de mim. Quando ouvi sua voz, mais dura do que qualquer coisa que eu já tinha escutado, minhas pernas ficaram completamente fracas.

***** *****

Emir Navarro

A voz do outro lado veio trêmula, desesperada.

- Narin? Narin, fala comigo! Você tá me ouvindo? O que tá acontecendo? Eu tô ficando louca aqui!

A garota diante de mim chorava tanto que mal respirava. Tentei puxá-la mais perto pra ela parar de se mexer, mas só fez soluçar mais.

- Sua irmã não pode atender agora. - falei no telefone, seco. Silêncio. Depois um arquejo agudo.

- Q-quem... Quem é você? Onde está minha irmã? Me diz agora! O que você fez com ela?

- Ela viu o que não devia. - respondi. A garota tentou puxar o braço, e eu o apertei até ela parar. - E vai pagar por isso.

A mulher do outro lado perdeu o fôlego.

- Não! Não! Por favor! - ela implorou. - Ela não tem nada a ver com isso! Ela só tava passando! Eu juro! Eu imploro, não faz nada com a minha irmã!

- Não tenho tempo pra drama. - apertei a mandíbula. - Você quer ela viva? – nem sei porque perguntei isso. Tinha algo na voz do outro lado.

- Pelo amor de Deus, sim! Me diz onde você tá, eu vou agora, eu vou correndo, eu faço qualquer coisa!

Olhei pros homens, que já observavam, esperando ordens. O corpo no chão ainda quente atrás deles.

- Você tem dez minutos pra aparecer.

- Dez?! Eu tô do outro lado da cidade! Eu tô trabalhando! Eu não consigo em dez minutos! Eu... Por favor, por favor, não toca na minha irmã! Eu tô implorando!

A garota diante de mim chorou mais, ouvindo tudo. Suspirei, impaciente.

- Vou ser generoso. Meia hora. - disse. - Terceiro posto do cais. Se você não aparecer... Sua irmã vai fazer um nado noturno.

Houve um barulho do outro lado, como se a mulher tivesse perdido as forças.

- N-não... Por favor...

Não ouvi mais nada. Desliguei. Peguei a garota pelo braço de novo.

- Leva. - ordenei aos homens, empurrando ela pra frente.

Ela tropeçou, quase caiu, mas eles a seguraram sem cuidado nenhum.

- Mas chefe... - um deles começou.

- Eu disse leva. - repeti, gelado.

Eles puxaram a garota sem gentileza, arrastando seus passos enquanto ela soluçava, tentando falar, sem conseguir formar uma frase sequer.

Um dos homens abriu a porta da caminhonete. Ela tentou se segurar na lataria, em puro desespero.

- Não, não, por favor... - ela implorou.

Não adiantou. Eles a empurraram pra dentro, a porta bateu, e eu só dei um passo pro lado, limpando o sangue da mão na roupa de um deles.

- Em meia hora no cais. – falei olhando para a garota. - Se a irmã dela falhar... Resolve do jeito de sempre.

Os homens assentiram.

Eu subi no carro da frente, bati a porta e dei o sinal pra partir. A garota ainda chorava lá atrás, o som abafado, mas alto o suficiente pra acompanhar o motor ligando.

Autora Ninha Cardoso.

Começamos mais uma aventura. Espero que goste e que fique comigo. Comente, engaje. Me ajude a trazer mais novidades.

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