
O Diário Secreto da Amante Proibida
Capítulo 3
No dia seguinte, tentei agir como se nada tivesse acontecido. Voltei ao meu pequeno apartamento, vesti-me para o trabalho e tentei ignorar os olhares curiosos dos vizinhos. Mas o mundo digital não perdoa nem esquece.
Ao abrir o meu computador no escritório, o meu sangue gelou. Alguém tinha filmado a humilhação da noite anterior. O vídeo de mim, semi-nua e a ser expulsa para a tempestade, estava por todo o lado. Os comentários eram cruéis, cheios de julgamento e malícia. "Amante apanhada em flagrante", "Mereceu o que levou", "Que vergonha".
O meu maior medo era que a minha mãe visse aquilo. A vergonha seria insuportável para ela. O pânico apoderou-se de mim.
Mas, tão subitamente como apareceram, os vídeos e as notícias desapareceram. Tentei procurar, mas não encontrei nada. Era como se nunca tivessem existido. Só podia haver uma pessoa com poder suficiente para fazer aquilo: Hugo.
Uma pequena e estúpida chama de esperança acendeu-se no meu peito. Será que ele se sentia culpado? Será que, no fundo, ele se importava?
Na penthouse de Hugo, a realidade era outra.
"Porque é que fizeste isso, Hugo?" A voz de Nicole era estridente. "Porque é que mandaste apagar tudo? Ainda tens sentimentos por aquela cabra?"
Hugo estava de costas para ela, a olhar pela janela para a cidade. "Não tem nada a ver com sentimentos. Tem a ver com a reputação da Acosta Construções. Ela ainda é, tecnicamente, minha funcionária. Um escândalo destes prejudica a imagem da empresa."
Ele virou-se e o seu rosto era uma máscara de indiferença. "Não te preocupes, Nicole. Tu és a única mulher para mim."
Ele aproximou-se dela e beijou-a. Um beijo profundo, apaixonado, cheio do tipo de ternura que ele nunca me tinha mostrado.
Eu, infelizmente, testemunhei esta cena. Tinha sido chamada ao seu escritório para lhe entregar uns documentos urgentes. Parei à porta, paralisada, a observar a intimidade deles. A forma como ele lhe tocava no rosto, a forma como os seus corpos se encaixavam. Era a prova dolorosa de que eu nunca tinha significado nada.
Nicole afastou-se do beijo e os seus olhos encontraram os meus. Um sorriso de puro triunfo espalhou-se pelo seu rosto.
"Ainda estás aqui, a espiar? Não tens vergonha?"
Antes que eu pudesse recuar, ela agarrou num pesado pisa-papéis de cristal da secretária de Hugo e atirou-o na minha direção. Instintivamente, levantei o braço para me proteger. O objeto atingiu-me no antebraço com uma força brutal. A dor foi aguda e imediata.
"Ai!" gritei, agarrando no meu braço, que começou a inchar e a ficar roxo.
"Vês, Hugo? Ela não consegue deixar-nos em paz!" gritou Nicole, fingindo estar assustada. "Tens de a despedir! Agora! Não a quero mais a trabalhar aqui!"
Hugo olhou para o meu braço magoado e depois para Nicole. Vi novamente aquela breve hesitação.
"Nicole, acalma-te. Não a posso despedir agora. Estamos no meio do projeto do Hotel de Luxo do Douro. Ela é a designer principal. Perderíamos milhões."
"Eu não quero saber do projeto!" A voz de Nicole era um guincho. "Estás a escolher o trabalho em vez de mim? Ou é por ela? Diz-me a verdade, Hugo! Ainda a queres por perto?"
O seu ciúme era uma arma, e ela sabia como usá-la.
Você pode gostar





