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Capa do romance O Diário do Meu Marido A Verdade Me Libertou

O Diário do Meu Marido A Verdade Me Libertou

Grávida e apaixonada, eu acreditava ser a prioridade de Ethan até descobrir que era apenas uma substituta de minha prima, Olivia. Meu casamento foi uma farsa meticulosa onde eu servia de cópia para a obsessão dele. Diante dessa traição cruel, minha submissão deu lugar a uma vingança silenciosa. Interrompi a gestação, orquestrei minha fuga e garanti o divórcio, desaparecendo sem deixar rastros. Ele achou que me manipulava, mas acabou destruído pela própria arrogância.
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Capítulo 2

Os dias que se seguiram ao procedimento foram uma névoa de dor silenciosa e determinação férrea. Ava movia-se pelo apartamento como um fantasma, a dor física um contraponto tênue à agonia cortante em sua alma.

Ela disse a Ethan que precisava descansar, que o estresse pela morte do pai e a ausência dele haviam cobrado seu preço. Ele aceitou, com a atenção já se dispersando.

Ela começou a organizar seus pertences, não com tristeza, mas com um estranho sentimento de desapego. Roupas, joias, presentes de Ethan: eram todos adereços de um espetáculo do qual ela não queria mais fazer parte. Providenciou para que tudo fosse discretamente doado.

Estava apagando Ava Cole, a mulher que Ethan tentara moldar. Ava Miller aguardava para ressurgir.

Ethan voltou de uma viagem de negócios uma semana depois, alheio a tudo. Encontrou-a mais quieta, mais distante, mas atribuiu seu comportamento ao luto que ela ainda vivia.

Trouxe uma coisa para você, disse ele, entregando-lhe uma caixa de veludo. Dentro, uma pulseira de diamantes brilhava friamente. "Para te animar."

Sua cegueira era espantosa. Ele ainda acreditava que bens materiais poderiam reparar o abismo que havia criado.

É linda, Ethan, disse ela, com a voz desprovida de emoção. Não pôs a pulseira no pulso.

Ele franziu o cenho levemente, mas não insistiu. Já falava de um jantar beneficente, de manter as aparências.

Ele ainda não fazia ideia de que o chão sob seus pés estava prestes a ruir.

A dor constante e surda em seu abdômen era um lembrete. Certa tarde, uma cólica particularmente aguda a fez perder o fôlego.

Nesse exato momento, seu telefone tocou. Era Olivia.

Ava? Oi. Estou em Nova York por uns dias. Assuntos de família. Queria ver se a gente podia se encontrar.

A voz de Olivia era calorosa, amigável, completamente inconsciente da devastação que, em parte, ajudara a provocar.

Ava sentiu uma onda de emoções complexas: raiva, pena e uma estranha afinidade.

Antes que pudesse responder, Ethan entrou na sala, e seus olhos se iluminaram ao ver o nome no identificador de chamadas.

Ethan praticamente arrancou o telefone da mão de Ava.

Olivia! Que surpresa! Você está na cidade?, sua voz era vibrante, cheia de uma vida que Ava não ouvia direcionada a si havia meses.

Ele ignorou o rosto pálido de Ava, sua mão pressionada contra o lado. Já fazia planos com Olivia, de costas para a esposa, completamente absorto na conversa.

Ava o observou, e uma certeza gélida se instalou dentro dela. As prioridades dele estavam cristalinas.

Ela era um pensamento secundário, uma substituta.

A pontada em seu lado se intensificou, mas não era nada comparada ao vazio que sentia.

Ethan desligou, com um sorriso satisfeito no rosto.

A Olivia quer ver a família. Vai ter um encontro na propriedade dos Hayes, nos Hamptons, neste fim de semana. Ela pediu especificamente que você fosse.

Ele apresentou a situação como uma obrigação, um dever familiar.

É importante, Ava. Pelas aparências, pela Olivia.

Suas palavras soavam ocas; sua preocupação com ela, fingida.

Ava assentiu em silêncio. Não sentia nada. Nem raiva, nem tristeza. Apenas um vasto nada onde antes existia seu amor por ele.

Seu distanciamento emocional era um escudo que se fortalecia a cada dia.

Eles chegaram à imensa propriedade dos Hayes, nos Hamptons, na tarde de sábado. O ar estava denso de dinheiro antigo e tensões veladas.

Ethan, sempre charmoso, estava em seu elemento.

Enquanto caminhavam em direção à casa principal, ele colocou uma pequena caixa, primorosamente embrulhada, na mão de Ava.

É para a Olivia, disse ele em voz baixa. "Um pequeno presente de boas-vindas. Da nossa parte."

Ava olhou para a caixa. Sabia, com uma certeza nauseante, que aquele presente fora escolhido por Ethan, para Olivia, pensando em Olivia.

Ela era apenas a mensageira.

A manipulação dele era tão arraigada, tão casual, que chegava a ser espantosa.

Olivia os recebeu na porta, bela e elegante. Aos trinta anos, era uma galerista de arte internacional bem-sucedida, a mulher que Ethan nunca superou.

Ela abraçou Ava calorosamente. "Ava, que bom te ver. E Ethan." Seu olhar se demorou nele por uma fração de segundo a mais.

Os parentes explicaram a Olivia sobre o casamento, e ela fingiu uma surpresa polida, embora Ava suspeitasse que ela sabia mais do que deixava transparecer.

A atmosfera estava carregada, com correntes sutis percorrendo a conversa educada.

Ava os observava, uma espectadora distante do drama de sua própria vida.

Ethan entregou o presente a Olivia, usando Ava como intermediária.

A Ava escolheu para você, Olivia, mentiu ele, suavemente.

Olivia abriu a caixa. Um deslumbrante colar de safira, uma peça que Ava lembrava vagamente de Olivia ter admirado anos atrás, antes mesmo de Ethan entrar em sua vida.

Ethan, Ava, é... deslumbrante, disse Olivia, encontrando o olhar de Ethan. "Você se lembrou."

Ava viu o lampejo de cumplicidade passar entre eles.

Era um presente com história, uma história que a excluía por completo.

Sentiu-se uma intrusa em seu momento particular.

Olivia, graciosa e serena, agradeceu a ambos.

Vou ficar na cidade por pouco tempo, anunciou ela à família reunida. "Apenas resolvendo algumas pendências antes de voltar para Paris."

Ava viu a expressão de Ethan vacilar, uma sombra breve cruzando seu rosto com a menção da partida de Olivia.

Então, Olivia se voltou para Ava, passando os dedos pelo colar. "Isto é realmente especial. É da cor do mar Egeu, não é? Você tem um gosto maravilhoso, Ava."

O elogio parecia mais direcionado à memória de Ethan do que à suposta escolha de Ava.

Ava esboçou um sorriso contido.

O Ethan sempre foi muito atencioso com presentes, disse ela, a voz deliberadamente leve, com um toque de algo indecifrável.

Olivia olhou para Ethan, depois de volta para Ava, com uma expressão curiosa. Ethan pareceu momentaneamente desconfortável.

Ava sabia que Olivia entendia o subtexto. O presente não era "nosso". Era de Ethan, um símbolo de sua obsessão duradoura.

Ava era simplesmente a mensageira, um fantasma naquela reunião.

No jantar, Ethan foi atencioso, mas não com Ava. Ele se lembrou do vinho favorito de Olivia, de sua preferência por frutos do mar em vez de carne vermelha, de sua aversão a certos temperos.

Ele fez o pedido para Olivia, relembrou refeições que compartilharam na Europa, com o foco inteiramente nela.

Ava, ainda se recuperando e aconselhada a comer alimentos leves, foi amplamente ignorada. Suas necessidades alimentares relacionadas à gravidez, que Ethan antes fazia questão de atender, pareciam completamente esquecidas.

Ele encheu o prato de Olivia com iguarias, enquanto Ava beliscava um pãozinho.

O contraste era gritante, uma exibição pública de seus verdadeiros sentimentos.

Ava observava, seu entorpecimento inicial se convertendo em uma resolução fria e implacável.

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