
O Dia em Que Ele Escolheu Outra
Capítulo 2
No dia em que o meu filho nasceu, o meu marido, Pedro, estava a doar sangue à sua ex-namorada, Sofia.
Eu estava sozinha na sala de parto, a minha visão turva pelo suor e pelas lágrimas.
A enfermeira ao meu lado tentava encorajar-me, a sua voz parecia vir de muito longe.
"Força, respira fundo! Já conseguimos ver a cabeça!"
Eu agarrei os lençóis da cama com toda a força que me restava, o meu corpo parecia que se ia partir ao meio.
Onde estava o Pedro?
Eu tinha-lhe ligado dezenas de vezes antes de entrar na sala de parto.
Ele atendeu apenas uma vez, a sua voz soava apressada e irritada.
"O que foi, Ana? Estou ocupado, não posso falar agora."
"Pedro, a bolsa rompeu, estou no hospital, o nosso filho vai nascer."
Houve um silêncio do outro lado, depois um suspiro pesado.
"Ana, a Sofia sofreu um acidente de carro, perdeu muito sangue. Ela tem um tipo de sangue raro, RH nulo, igual ao meu. Estou no hospital a doar sangue para ela, é uma emergência, a vida dela está em risco."
A vida dela está em risco.
E a minha? E a do nosso filho?
"Mas Pedro, é o nosso filho..."
"Os médicos estão aí contigo, não estás sozinha. A Sofia não tem ninguém. Sê compreensiva, por favor. Ligo-te mais tarde."
Ele desligou.
Compreensiva.
Ele pediu-me para ser compreensiva enquanto eu dava à luz o nosso filho sozinha, porque a ex-namorada dele precisava dele.
Um grito rasgou a minha garganta, misturando-se com a dor do parto.
Finalmente, o choro de um bebé encheu a sala.
O meu filho.
A enfermeira colocou-o nos meus braços. Ele era tão pequeno, tão enrugado, mas perfeito.
As minhas lágrimas caíam sobre o seu rostinho. Eu consegui. Nós conseguimos, meu filho.
Sozinhos.
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