
O Despertar do Herdeiro: Não Mais um Tolo
Capítulo 3
A lembrança da traição era uma brasa viva no peito de João Pedro.
A compaixão que ele sentia antes se transformou em pedra.
Sua determinação em se casar com Clara Medeiros e punir os traidores se fortaleceu.
Ele procurou Seu Afonso novamente.
"Pai," disse João Pedro, a voz fria como gelo, "reafirmo minha decisão de me casar com Clara. E exijo que corte todo o sustento das protegidas e de Leonardo. Imediatamente."
Seu Afonso o olhou, surpreso pela mudança no filho.
O rapaz generoso dera lugar a um homem com um brilho perigoso nos olhos.
"Está certo disso, meu filho?"
"Absoluta."
Seu Afonso assentiu lentamente. "Farei como pede. Após seu casamento com Clara, elas serão removidas da fazenda."
Um peso saiu dos ombros de João Pedro. O primeiro passo para sua vingança estava dado.
Ao sair do escritório do pai, João Pedro deu de cara com Leonardo na imponente escadaria da casa grande.
Leonardo sorriu, aquele sorriso charmoso e falso que antes o enganava.
"João Pedro, meu irmão! Como está?" Ele tentou colocar a mão no ombro de João Pedro.
Um nojo profundo subiu pela garganta de João Pedro.
Ele repeliu o toque de Leonardo com um empurrão seco.
"Não me toque."
Leonardo, pego de surpresa, desequilibrou-se.
Com um movimento teatral, ele se jogou dramaticamente escada abaixo, gritando como se tivesse sido brutalmente agredido.
"Aaaah! João Pedro, por quê?!"
Isabella e as outras protegidas surgiram correndo, atraídas pelo barulho.
Elas viram Leonardo caído no pé da escada, gemendo de dor, e João Pedro no topo, impassível.
"Leonardo!" gritou Isabella, correndo para o lado dele.
Ela olhou para João Pedro com fúria. "O que você fez com ele?!"
As outras protegidas ecoaram a acusação, os olhares cheios de desprezo.
"Você o empurrou!" acusou Gabriela.
Leonardo, com a testa franzida em falsa dor, tentou se levantar, amparado por Isabella.
"Não... não foi culpa do João Pedro," ele gemeu, fazendo-se de vítima inocente. "Eu tropecei... ele só... ele só não quis me ajudar."
As protegidas olharam para João Pedro com ainda mais nojo.
Isabella o fuzilou com os olhos, mas não disse uma palavra. Ignorou-o friamente, negando-lhe qualquer chance de explicação.
João Pedro aceitou a situação, resignado.
Sabia que qualquer palavra sua seria inútil. Eles já o haviam condenado.
A imagem de vilão estava selada.
Nos dias que se seguiram, a tensão na fazenda era palpável.
Durante a aula de equitação, uma atividade que João Pedro costumava apreciar, Leonardo apareceu.
Ele mancava levemente, um lembrete constante de sua "queda".
Isabella, que antes dividia sua atenção entre os cavalos e, ocasionalmente, João Pedro, agora dedicava-se exclusivamente a Leonardo.
Ajudava-o a montar, ajustava suas rédeas, ria de suas piadas.
Para João Pedro, nem um olhar.
Era uma humilhação silenciosa, mas eficaz.
Ele se lembrou de outras vezes, quando era mais novo, em que Isabella o defendera de alguma injustiça.
Agora, ela era a fonte de sua dor.
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