
O Despertar de Sofia
Capítulo 2
O rosto do meu filho Leo estava a inchar.
Os seus lábios, antes rosados, estavam agora roxos e inchados, e a sua respiração saía em silvos agudos e aterrorizantes.
Ele tinha apenas cinco anos.
Peguei no telefone, as minhas mãos tremiam tanto que mal conseguia marcar o número do meu marido, Miguel. Ele era médico no hospital central, a pessoa que eu mais precisava naquele momento.
A chamada foi atendida ao terceiro toque.
"O que foi, Sofia? Estou ocupado."
A sua voz era cortante, cheia de impaciência.
"Miguel, é o Leo! Ele não consegue respirar! Comeu um bolo na festa da escola, acho que tinha nozes. Ele é alérgico!"
O pânico engasgava-me a voz.
Houve um silêncio do outro lado, seguido de um suspiro irritado.
"Já lhe deste o anti-histamínico?"
"Sim, mas não está a resultar! Ele está a piorar, Miguel! Por favor, vem para casa! Ou encontra-nos no hospital!"
"Não posso agora," disse ele, a sua voz fria como gelo. "A Clara torceu o tornozelo a descer as escadas. Estou a caminho da casa dela para ver se é grave."
Clara. A sua irmã mais nova.
"O quê? Uma torção no tornozelo? Miguel, o nosso filho não consegue respirar! Ele pode morrer!"
Eu estava a gritar agora, o desespero a tomar conta de mim.
"Não sejas dramática, Sofia. Leva-o tu mesma ao hospital de urgência. Fica a dez minutos de casa. Liga-me quando chegares lá."
E antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, ele desligou.
O som da chamada terminada ecoou no silêncio do meu pânico. Olhei para o meu filho, o seu peito a subir e a descer com um esforço terrível.
Não havia tempo para chorar. Não havia tempo para sentir a traição.
Peguei no Leo ao colo, agarrei nas chaves do carro e corri para fora de casa.
Eu estava sozinha nisto.
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