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Capa do romance O desconhecido que me salvou

O desconhecido que me salvou

Song JaeMin, um pintor de 26 anos, vê o sonho da paternidade surgir com um teste positivo. Ao ser rejeitado pelo noivo, In LinHyun, que exige um aborto, JaeMin termina a relação para proteger o filho. Contudo, em um passeio, ele enfrenta uma emergência trágica que ameaça a vida do bebê. Quando tudo parece perdido e os desejos do ex-noivo quase se realizam, o destino intervém. No auge do desespero, JaeMin conhece Lee Junkoo, o homem que mudará seu futuro.
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Capítulo 3

À noite no hospital não foi nada legal.

Graças ao universo não senti nenhuma dor ou desconforto, referente ao bebê, mas o ambiente hospitalar nunca foi o meu preferido. E dormir ali, não era nada fácil.

Felizmente consegui tirar um cochilo, algo rápido, coisa de duas ou três horas, mas nada além disso.

ㅡ Com licença... ㅡ ergui meus olhos encontrando o mesmo rapaz da noite anterior, parado na porta do quarto.

Ele sorriu contido, e se curvou minimamente, me cumprimentando.

ㅡ Bom dia... JaeMin?

ㅡ Isso. ㅡ sorri ainda sem graça para ele, o respondendo. ㅡ Bom dia, Lee.

ㅡ Como passou a noite? ㅡ perguntou, se aproximando um pouco, vestindo um casaco preto gigante, de capuz, e me ajudando, a sair da cama.

O olhei rapidamente, e julguei suas vestes. Parecia um adolescente.

ㅡ Acordado... É muito difícil dormir numa cama que não é a minha.

Ele assentiu sorrindo, e ouvimos batidas leves na porta.

Olhei rapidamente para a porta e vi a mesma doutora que havia me atendido no dia anterior, entrar.

ㅡ Com licença, bom dia. ㅡ sorriu. ㅡ Como se sente, senhor Song?

ㅡ Com sono. ㅡ brinquei com ela, a fazendo sorrir também. ㅡ Não consigo dormir em uma cama que não seja a minha, é muito difícil.

ㅡ Terá muito tempo para dormir e descansar.

Ela anotou algo num papel, e logo me entregou.

ㅡ Esta é a sua liberação. Já assinei. Mas não esqueça sobre o que te pedi ok? Repouso total e imediato. Queremos que esse bebezinho e o seu papai fiquem muito bem de saúde, não é? ㅡ ela olhou para Lee, o pegando de surpresa com a pergunta, mas ele assentiu, sorrindo e me olhando também.

ㅡ Certo. A conta do hospital também já foi paga, então o senhor já está liberado para ir.

ㅡ Espera, como assim já foi paga? Quem pagou?

Lee levantou a mão rapidamente, sorrindo e mostrando seus dentes de coelho outra vez.

ㅡ Eu paguei.

ㅡ Mas... Não. Você não podia... Quanto que foi? Eu irei te pagar o prejuízo! ㅡ Busquei minha bolsa, onde estava minha carteira, mas ele me impediu, negando com a cabeça.

ㅡ Não precisa JaeMin. ㅡ ele sorriu e mesmo sem entender o porquê de sua atitude, assenti o olhando.

Esse cara é o cara mais estranho que já vi. E veja que na minha vida, ficar cercado de gente estranha é quase comum.

ㅡ Ok...

ㅡ Bom, eu vou indo. Espero não te ver por aqui. ㅡ A doutora sorriu se despedindo.

ㅡ Eu também. ㅡ ela deu um último tchauzinho e se foi.

Olhei o rapaz parado à minha frente, com as mãos juntas ao corpo, olhando tudo ao redor.

ㅡ Então... ㅡ trouxe a atenção dele para mim. ㅡ Vamos?

Ele assentiu rápido, e ainda bastante prestativo segurou meu pulso para que conseguisse calçar as sandálias ofertadas pelo hospital, e buscou todas as minhas sacolas.

Sorri, caminhando devagar para fora do quarto, seguido por ele, que carregava tudo sozinho.

ㅡ Desculpa te fazer passar por isso.

ㅡ Não é nada. ㅡ ajeitou as sacolas na mão, e se apressou em chamar o elevador.

ㅡ Eu preciso te pagar, é sério.

ㅡ Já te disse que não precisa.

ㅡ Cara, você é doido? ㅡ Entrei no elevador, e parei de frente a ele, com as mãos na cintura. ㅡ Você não pode sair pagando as dívidas dos outros assim.

Ele me olhou sério, até um pouco assustado, mas depois de 2 segundos, caiu na gargalhada.

ㅡ Desculpa, é que você ficou bem fofo com as mãos na cintura.

O olhei sem acreditar. Ele está me chamando de fofo? Eu, que Possivelmente sou mais velho que ele e estou grávido? Mereço respeito poxa.

ㅡ Eu não sou fofo. E você está errado. Diga-me o preço que pagou no hospital, que irei pagar.

O elevador abriu, e seguimos para o lado de fora.

ㅡ Irá mesmo pagar? Olha que foi bem caro viu...

ㅡ Está insinuando que eu não posso te pagar? ㅡ o olhei, pondo novamente a mão na cintura. Era uma mania minha de quando ficava nervoso.

Ele parou em frente a um carro, na qual eu não saberia dizer a marca, mas sei que com certeza, é bem caro e o destravou.

ㅡ Eu não insinuei nada.

Colocou as sacolas no banco de trás do carro, e abriu a porta do passageiro para que eu pudesse entrar.

O olhei nos olhos, e depois olhei para o carro.

ㅡ Ok, mas antes me responda o que você é...? Você tem um carro que vale mais que minha casa, e um rosto de um garoto 18, então o que você é?

Ele arqueou uma de suas sobrancelhas me olhando, e depois olhou para o carro.

ㅡ Isso importa?

ㅡ Claro que importa. Eu terei que entrar aí, ao menos, me responda... Qual a sua idade?

ㅡ Vinte...

Minha nossa, é quase um adolescente mesmo.

ㅡ e a sua?

ㅡ vinte e seis.

ㅡ Você é meu hyung. ㅡ sorriu e eu não achei a mínima graça.

ㅡ Não me chame assim... não temos intimidade e me faz parecer velho.

ㅡ Vou te chamar de “oppa” então. Oppa você quer entrar, por favor?

Gargalhei, sem conseguir me controlar e neguei com a cabeça.

ㅡ Me chame por JaeMin.

Ele sorriu e assentiu. Entrei no carro, mesmo sem saber ao certo quem era o garoto, e ditei meu endereço para que ele pudesse me deixar em casa.

A viagem, não foi nada silenciosa. Ele adora falar, e às vezes fala sobre coisas aleatórias.

Descobri que sua ida ao centro foi para comprar telas, mas quando me animei ao pensar que pintava, apenas disse que desenhava por puro hobby.

O contei um pouco sobre mim também, em como era um pintor, e até prometi-lhe mostrar algumas de minhas telas, terminadas que iriam para a próxima exposição de Seul e Daegu.

Assim que chegamos ao meu prédio, pedi para não se importar muito com as sacolas, que pediria ajuda ao porteiro, mas ele recusou a ideia e fez questão de levá-las até meu apartamento.

Vocês agora devem estar pensando: meu deus, Song JaeMin é louco. Está indo em direção ao seu apartamento com um total estranho.

Mas era a verdade, eu realmente sou um louco que estava subindo o elevador em direção a minha casa com um total estranho, mas de algum jeito, ele não me passava a insegurança que um estranho normalmente passava.

ㅡ Onde posso deixá-las? ㅡ perguntou e apontei para o sofá. Ele me olhou, com o olhar de repreensão. ㅡ Um lugar onde você nem ouse erguer essa sacola. Está de repouso esqueceu? Aliás, toma aqui. ㅡ me estendeu seu celular. ㅡ coloca aqui teu número que a hora que você precisar, é só me ligar.

Peguei o celular de suas mãos, o olhando com estranhamento.

ㅡ Mas o correto não seria eu ter o teu número? ㅡ Coloquei meu número e salvei o entregando o aparelho de volta. ㅡ para quando "precisar" te chamar? ㅡ falei entre aspas, porque era claro, que eu não iria precisar novamente. Talvez nós nem nos víssemos mais.

ㅡ E terá. ㅡ fez uma ligação rápida para mim. ㅡ agora é só salvar. Você tem o meu, e eu tenho o seu.

Sorriu, começando a caminhar, procurando um lugar para deixar as sacolas do bebê.

ㅡ Põe no meu quarto. ㅡ Abri a porta do cômodo, e indiquei-lhe o closet.

ㅡ Ainda não comprei um lugar para guardar as coisas do bebê.

ㅡ Por falar em bebê... Eu posso te fazer uma pergunta? ㅡ falou, já saindo do quarto.

ㅡ Acho que sim.

ㅡ Com quanto tempo está? Digo... Sua barriga é pouco perceptível.

ㅡ Acabei de entrar no quarto mês. Ela ainda é bem pequena, mas daqui a uns dias irá crescer muito.

Sorri, alisando a barriga.

ㅡ Espero poder te ver assim, você irá ficar bem fofo.

Sorri desta vez, imaginando como ficaria com a barriga maior.

ㅡ Bem... Acho que está tudo certo, né?

ㅡ Já vai? ㅡ perguntei sem pensar, e ele me olhou sorrindo e assentiu.

ㅡ Não quer um café? Uma água?

ㅡ Um jantar. ㅡ disse simples.

ㅡ Como?

ㅡ Um jantar. Com você.

Pisquei várias vezes, tentando entender o que ele queria.

ㅡ É o preço, você não queria saber? Esse é o preço que cobro pelo hospital.

ㅡ Mas isso é... Você não pode... É...

ㅡ Estou brincando JaeMin, na parte do pagamento, óbvio. Mas eu realmente quero que aceite meu convite para um jantar.

ㅡ Porque quer jantar comigo?

ㅡ Eu te achei bastante interessante, e você parece ser uma boa pessoa.

ㅡ Você não está jogando uma cantada para um cara grávido, Está?

ㅡ Apenas como amigos, Song. ㅡ ele me olhou sorrindo, e semicerrei os olhos. De alguma forma as palavras dele pareciam falsas.

ㅡ Ok. ㅡ lancei a palma em sua direção e ele olhou estranhando meu ato. ㅡ É para apertar... Você sabe? Você pega a sua mão e aperta a minha.

Lee sorriu, negando com a cabeça e juntou nossas mãos, selando nosso "acordo", no qual nem eu mesmo sabia qual era.

ㅡ Te mando uma mensagem, Song. ㅡ abriu a porta, mas antes de sair por completo, me olhou e sorriu. ㅡ Não esqueça, é repouso completo.

Revirei os olhos e assenti.

ㅡ até mais.

ㅡ até mais, Lee.

Continua...

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