
O DEMÔNIO SEM ALMA
Capítulo 3
NARRAÇÃO HEITOR
- Agora já pode tirar as mãos dos meus seios.
Aperto ainda mais suas saliências e isso é tão intrigante. Meu pau até treme de felicidade.
- Heitor, pode soltar meus seios?
- Não consigo! Eles são tão...
- Tira a mão!
Levo um tapa. Caramba! Ela bateu na minha mão e doeu.
- Faz de novo!
- Fazer o que?
- Me bate!
- Não vou te bater.
- Por que não vai me bater?
- Porque não se deve bater nas pessoas.
- Primeiro eu não sou "pessoas".
Dou ênfase na palavra que odeio. Humanos são a espécie mais podre criada. Um demônio nunca deve ser comparado a lixo.
- Segundo, você acabou de me bater.
- Te bati porque está tocando meus seios.
- Oh!
Agora tudo fica mais claro. Tetas liberam a agressividade humana. Volto a tocar as tais tetas e isso é tão legal.
- Para!
Levo outro tapa.
- Eu preciso entender porque posso te sentir.
Espera! Ela disse que me sente. Pego sua mão e enfio no meu pau.
- Consegue sentir ele?
- Sim!
Normalmente as humanas que enfio meu pau, não o sentem de verdade. Ela sentem algo... como foi mesmo que a outra disse? Algo celestial, de outro mundo. É como se fosse algo fora do mundo e nada humano. Então entendi que não sentia o meu toque, mas o prazer em si que eu as dava. Um prazer que venho tentando sentir a cada trepada com humana que dou. Olho a humana a minha frente e ela parece tão deliciosa. Isso deve ser o tal apetite sexual. Quero me enfiar nela pra caralho.
- Vamos trepar.
- O que?
- Trepar! Vou enfiar meu pau no seu buraco.
- No meu buraco?
- Deixo você escolher. Não tenho problemas com nenhum deles. Pode ser boca, a sua buceta ou cu. Se quiser o ouvido, tudo bem. Mas devo informar que a ultima que tentou enfiar meu pau no ouvido, teve...
- Chega!
A humana grita com cara de nojo. Humano tendo nojo de humano. Julgando uns aos outros por suas escolhas.
- Você não vai enfiar nada em mim.
Olho para o meio de suas pernas e agora entendo tudo. Ela é tipo humana que nasceu humano. Ela tem pau. Bom! Nunca tentei isso antes, mas se ela é a única que pode me sentir...
- Tudo bem! Pode enfiar na minha bunda.
- O que?
Achei que não era possível ela fazer uma cara mais assustada que a de antes.
- Pode enfiar seu pau em mim. Nunca chupei um, mas se todas pedem pra chupar meu pau, é porque deve ser bom. Abaixa a calça e deixa eu provar.
- Meu Deus!
- Não enfia ele nisso! Não estou afim de ouvir sermão divino. Chame o diabo que ele vai me entender.
- Você usou drogas?
- Não! Já tentei usar, mas não fizeram efeito em mim.
- Bebeu?
- Bebida também não faz efeito em mim.
- Você é louco?
- Não! Sou um demônio.
E humana ri de mim e odeio quando fazem isso. Quando menos percebo, minhas mãos estão em seu pescoço.
- Hei...tor...
Bate no meu braço e isso é tão intenso. O que estou sentindo agora? Isso que cresce dentro de mim é um sentimento? Prazer?
- Me... solta...
Seus olhos cor de mel parecem desesperados e tudo que eu sentia antes some, entrando outro sentimento que também não reconheço. Remorso? Solto seu pescoço em busca o ar.
- Você quase me matou!
- Não era isso que queria?
Me olha com tristeza. Caramba! Muitos sentimentos aqui em tão pouco tempo.
- Há alguns minutos atrás estava querendo isso.
Limpa o rosto e percebo que chora.
- É melhor eu ir embora!
Vira e começa a andar. Sigo atrás dela, sem saber pra onde vamos.
- Por que está me seguindo?
- Porque vou com você!
Para de andar e não vira.
- Não! Vou embora sozinha!
- Não! A partir de agora estou com você.
- O que?
Vira pra mim e seus olhos estão bem apertadinhos. Isso dificulta minha leitura sobre ela. Essa humana é confusa demais.
- Olha! Sei que acabou de salvar minha vida e agradeço muito por isso.
Arruma o cabelo e parece inquieta.
- Mas não vai acontecer de novo. Estou bem!
- Não me importo com você!
Ela para de se mover e parece paralisada. Isso facilita minha tentativa de entendê-la. Apesar que paralisada totalmente assim, não me diz nada.
- Não me importa se vai se jogar da ponte.
Seus olhos piscam muito rápido.
- Na verdade o que me importa é saber porque você me sente de verdade e eu te sinto.
- Porque somos dois corpos cheios de carne, pele e isso facilita a parte do tato.
Fala com um tom de... irônia?
- Não! Não sinto vocês, humanos.
- Você também é um humano!
- Não! Eu sou um demônio!
- Certo! Você deve ser louco e não se contraria suas loucuras. Vou entrar na loucura.
Respira fundo e sorri com a boca quadrada.
- Talvez, oh digníssimo demônio, esteja demais entre nós humanos e tenha virado um de nós.
Isso é uma possibilidade.
- Mas isso só aconteceu com você. Depois que você apareceu pra mim. Quando enfiei meu pau na outra humana, ela enfiou meu pau na boca dela e sentou na minha cara nada aconteceu.
- Pelo amor de Deus, para de me contar suas putarias!
Grita e tenho vontade de rir. Ai caralho! Eu quero rir.
- Já pedi pra não chamar esse homem.
- Então para de falar suas putarias.
Rir é tão legal. Isso é muito bom.
- Qual a graça?
- Falar de trepada te deixa sem graça. Você fica vermelha.
- Estranho é você achar normal falar com estranhos sobre suas... suas... trepadas.
- Não somos estranhos. Te salvei da morte e você me fez sentir. Isso é muito mais intimo que um pau em vários orifícios.
Ela abre um sorriso que agora parece verdadeiro.
- Isso é verdade!
- Acho que somos bem íntimos agora.
- Mais uma vez obrigada por me salvar.
- Parece que a morte foi embora.
Ela olha em volta.
- Morte?
- Sim! A sombra da morte estava com você quando cheguei.
Seus braços agora estão em volta de seu corpo e ela parece assustada.
- Por que estava querendo morrer?
A humana me olha e volta a chorar.
- E agora por que chora?
- Eu não quero morrer.
Limpa as lagrimas e fecha os olhos.
- Eles querem que eu morra.
- Eles quem?
Seus olhos se abrem e parecem que vão me engolir.
- As vozes.
- Que vozes?
- Na minha cabeça! Elas dizem coisas horríveis sobre mim. Mandam fazer coisas para me machucar.
- As vozes na sua cabeça?
- Sim! Eu não sou louca!
- Não disse que era!
- Elas surgem quando a tristeza toma meu coração.
- Elas te mandaram pular da ponte?
- Não me mandam fazer algo. Elas me dizem que não sou nada e que o mundo seria melhor sem mim. Que as pessoas seriam mais felizes.
- Sua família sabe dessas vozes?
Balança a cabeça e volta a chorar.
- Não tenho ninguém! Não sei quem são meus pais. Cresci em um orfanato e eles não fazem idéia de onde vim e quem me deixou lá.
- Você mora nesse orfanato?
- Não!
- Onde você mora?
- Preciso ir...
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