
O Defeito Humano É A Rainha Loba Branca
Capítulo 1
Cinco anos atrás, fui expulsa da minha alcateia por ser um "defeito" — uma loba que não conseguia se transformar.
Hoje, retornei à Cúpula dos Alphas, não como uma dignitária, mas como uma faxineira esfregando o chão.
— Olha só a vira-lata — meu ex-noivo, Liam, zombou, jogando um maço de dinheiro aos meus pés.
Sua nova parceira, Seraphina, riu com crueldade.
— Pega isso e compra comida para o seu filho bastardo. Depois, suma da minha frente.
Tentei ignorá-los, mas meu filho de três anos correu para me defender.
Quando Seraphina tentou bater nele, uma onda de choque de pura energia Alpha sombria a arremessou para trás.
— Ele é um monstro! Prendam eles! — ela gritou, histérica.
Os seguranças nos cercaram, com seus cassetetes de choque apontados para uma criança.
Protegi meu filho, preparando-me para a dor, sabendo que uma "humana" como eu não tinha direitos ali.
De repente, as pesadas portas do salão de baile se desintegraram em pó.
Um silêncio mais pesado que a gravidade esmagou o ambiente.
Damien, o Rei Alpha, atravessou os escombros. Seus olhos violeta não olharam para os Alphas trêmulos.
Eles travaram em mim.
Ele passou pelos dignitários, passou pelo meu ex aterrorizado e parou na minha frente.
Então, a criatura mais poderosa da Terra caiu de joelhos.
Ele tocou meu rosto gentilmente, a voz tremendo de reverência.
— Finalmente te encontrei, minha Rainha.
Ele se virou para o salão, os olhos queimando com fogo violeta.
— Quem ousou tocar na minha Luna?
Capítulo 1
Ponto de Vista: Elena
O ar no grande salão de baile do Hotel Emerald Heights era sufocante. Não era o calor, mas a densidade absoluta de feromônios. Para um humano normal, este lugar cheiraria apenas a colônia cara e perfume. Mas mesmo com meus sentidos entorpecidos, eu podia sentir a pressão esmagadora.
Esta era a Cúpula dos Alphas. Os lobos mais poderosos de cada alcateia do país estavam reunidos aqui para discutir território, comércio e as antigas leis.
E eu estava aqui para esfregar o chão. Ou pelo menos, era isso que todos presumiam ao olhar para meus jeans desbotados e meu moletom largo.
Mantive a cabeça baixa, apertando um pano de limpeza que eu não precisava, vasculhando o chão perto da fonte decorativa.
— Onde está? — sussurrei para mim mesma, o pânico subindo no meu peito.
Adrian, meu filho de três anos, tinha deixado cair sua pedra da lua aqui mais cedo, quando estávamos entregando a roupa lavada. Não era apenas uma pedra. Era a única coisa que mantinha seus pesadelos afastados. Era um canalizador de energia, algo essencial para uma criança que tinha um poder que ainda não conseguia controlar.
— Ora, veja só o que o gato trouxe. Ou devo dizer, a vira-lata?
Meu sangue gelou. Eu conhecia aquela voz. Ela assombrou meus sonhos por cinco anos.
Levantei-me lentamente e me virei.
Liam estava lá, segurando uma taça de champanhe, parecendo tão bonito e arrogante quanto no dia em que me expulsou. Seu cabelo loiro estava perfeitamente penteado, o terno feito sob medida para enfatizar seus ombros largos de Alpha.
Agarrada ao braço dele estava Seraphina. Seu vestido vermelho era decotado, exibindo a marca em seu pescoço — ou melhor, a falta de uma marca de companheiro.
— Liam — eu disse, minha voz firme apesar do tremor das minhas mãos.
— É Alpha Liam para você, Ômega — Seraphina zombou, o lábio se curvando em nojo. — Na verdade, você nem é uma Ômega. Você não é nada. Um defeito humano.
Ao nosso redor, a conversa morreu. Lobos têm excelente audição. A humilhação estava prestes a ser pública.
— O que você está fazendo aqui, Elena? — Liam perguntou, seus olhos me examinando com uma mistura de pena e irritação. — O dinheiro acabou? Veio implorar?
— Estou procurando algo que perdi — disse eu, dando um passo para trás. — Vou embora em um minuto.
— Perdeu? — Liam riu, um som cruel e seco. — Você perdeu tudo cinco anos atrás, quando sua loba morreu dentro de você. Você é uma casca vazia, Elena. Um desperdício de espaço.
Um segurança, um Beta corpulento da alcateia local, deu um passo à frente. Ele cheirou o ar perto de mim e franziu a testa.
— Alpha Liam, essa humana está incomodando o senhor? — o guarda perguntou, a mão descansando no cassetete de choque. — Este é um andar restrito. Não sinto cheiro de alcateia nela. Ela é uma variável desconhecida.
No nosso mundo, o cheiro é identidade. Ele diz aos outros a quem você pertence, sua classificação e seu estado emocional. Por causa do selo sombrio colocado em mim cinco anos atrás, eu não tinha cheiro. Eu era invisível para os sentidos deles, o que me tornava suspeita em uma zona de alta segurança como a Cúpula.
— Ela é pior que uma humana — disse Liam alto o suficiente para os dignitários ao redor ouvirem. — Ela é uma loba que não conseguiu se transformar. Uma falha genética.
A multidão riu abafado. Senti o calor subir às minhas bochechas.
— Eu só preciso encontrar a pedra do meu filho — insisti, olhando de volta para a fonte.
— Filho? — Seraphina ergueu uma sobrancelha. — Você procriou? Com quem? Algum humano fraco, presumo? Nojento.
O guarda agarrou meu braço. Seu aperto era como ferro.
— Hora de ir, senhorita. Não permitimos entidades não registradas na Cúpula.
— Espere — disse Liam, levantando a mão.
Ele enfiou a mão no bolso e tirou um maço grosso de dinheiro. Ele o jogou no chão de mármore aos meus pés. As notas se espalharam como folhas mortas.
— Pegue — ordenou Liam. — Considere isso um pacote de indenização pelo tempo que desperdicei com você. Compre comida para seu filho bastardo e suma da minha frente.
Ele puxou um pequeno scanner portátil, um dispositivo usado para identificar Rogues. Ele o passou sobre mim. O dispositivo emitiu um tom plano e oco.
*Nenhum Vínculo de Alcateia Detectado.*
— Viu? — Liam sorriu com escárnio, mostrando a tela para a multidão. — Sem alcateia. Sem lobo. Apenas uma Rogue em pele humana. Você tem sorte de eu não mandar caçarem você por esporte, Elena.
Olhei para o dinheiro, depois para o rosto dele.
Bem no fundo de mim, enterrado sob camadas de magia negra e cinco anos de supressão, algo se agitou. Não era apenas raiva. Era o rosnado fraco e distante de uma fera acordando.
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