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Capa do romance O Contrato - Uma simples assinatura pode mudar tudo!

O Contrato - Uma simples assinatura pode mudar tudo!

Heitor D'angelo é um bilionário implacável que comanda o setor contábil. Para recuperar o antigo patrimônio de seu pai, Roland, ele aceita firmar um inesperado contrato matrimonial. Do outro lado está Isadora Dixon, uma herdeira que perdeu a família e a fortuna, restando-lhe apenas dívidas e os cuidados com a mãe enferma. Diante do desespero, ela aceita o acordo. Essa assinatura unirá um homem obstinado e uma jovem indomável em uma trama de ambição e destino.
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Capítulo 1

Isa

— Seu nome, por favor!

— Isadora Dixon.

— Certo, Isadora! Temos uma vaga disponível para copa. Ela está bem longe do que o seu currículo nos oferece, mas… — Respiro fundo. A verdade é que eu já andei tanto e espalhei vários currículos por todos os lugares dessa cidade e nada. E o pior é que eu não posso esperar mais tempo. Eu preciso de um emprego e preciso para ontem!

— Tudo bem, eu fico com esse!

— Você tem certeza?

— Infelizmente, eu não tenho muita escolha. Eu preciso de um emprego e de um salário com urgência. — Forço um sorriso para a moça do outro lado do balcão da agência de empregos.

— Tudo bem! Anotarei o endereço para você e vou ligar para a D’Angelo avisando que ocupará essa vaga.

— Obrigada, Dany — Aguardo a moça fazer as anotações e assim que saio do prédio, sigo direto para a D’Angelo Corporation.

Um emprego em uma das maiores empresas de administração e contabilidade do país seria uma oportunidade única para a minha carreira. Servir cafezinho, limpar balcões e mesas não era o que eu tinha em mente, porém, para hoje me serve e muito. A minha vida não tem sido muito fácil desde que Andrew Dixon, meu pai faleceu em um acidente de carro. É como se ele fosse o eixo que mantinha tudo em seu devido lugar. Desde então John Dixon, meu irmão mais velho saiu de casa em busca de suas aventuras e a minha mãe Sara Dixon não tem tido muita vontade de viver ultimamente. Depois vieram as dívidas que quase nos deixaram sem um teto e sem comida, ou sem os dois.

Enfim, servir cafezinho é o que vai nos manter da melhor maneira possível por um tempo. Com uma respiração profunda ergo a minha cabeça e fito o arranha-céu suntuoso forçando-me a entrar nele em seguida. Inevitavelmente observo o luxo por todo o hall e caminho para o enorme balcão de um mármore negro e lustroso, e me apresento para a jovem atrás dele.

— Bom dia, eu me chamo Isadora Dixon. A agência de empregos me enviou para a vaga na copa. — Estendo-lhe o papel e ela o ler em silêncio, abrindo um sorriso profissional em seguida.

— Avisarei que está aqui, Senhorita Dixon. — Apenas aceno um sim para a moça, enquanto ela pega o telefone e fala com alguém. — Pronto, siga para o elevador dos empregados e aperte a tecla do terceiro andar. Alguém estará a aguardando.

— Obrigada! — Não me imaginei entrando em lugar como esse pela área de serviços, afinal, estudei tanto e me dediquei por anos a fio que esperava pelo menos entrar pela porta da frente e ocupar uma sala só minha. Sonhos, não dá para acreditar neles!

O Tim do elevador avisa que cheguei no meu andar e assim que as portas se abrem um homem de aproximadamente trinta anos, usando um terno barato me abre um sorriso espalhafatoso.

— Você deve ser a Senhorita Dixon. Eu sou Peter Thompson e sou o encarregado desse setor.

— É um prazer, Senhor Thompson! — Estendo uma mão acompanhado de um sorriso cordial para o homem que provavelmente será o meu chefe de agora em diante, enquanto saio do elevador.

— Por favor, me chame apenas de Peter. Agora, venha por aqui. — Ele pede, levando-me para um corredor largo e comprido, e seguimos para a última porta. Na copa tem algumas moças usando um uniforme azul-escuro com aventais e toucas brancas, com a logo de uma empresa que não conheço. Provavelmente a D’Angelo terceiriza esse tipo de serviço. — Vista isso, eu preciso que fique pronta para começarmos — Pega de surpresa apenas arqueio as sobrancelhas enquanto fito o homem alto me estendendo o uniforme.

— Ah... tipo, agora?! — gaguejo pois não imaginava que começaria o meu primeiro dia hoje e tão pouco agora. Quer dizer, eu não avisei nada para ninguém e mamãe ficou sozinha em casa. Droga!

— Algum problema, Senhorita?

— Ah, não, tudo bem! Onde eu posso me trocar?

— Tem um banheiro para empregados voltando por esse corredor, a terceira porta.

Seguro o fardamento e saio da copa para me trocar, e quando volto à cozinha, Peter me apresenta as dezenas de funcionários que estão em fileira e em pé diante dele. Não demora e descubro que a minha primeira tarefa do dia é organizar um Breackfast em uma das salas de reuniões do vigésimo sexto andar. Tudo parece ser muito rápido e pragmático por aqui, e em um piscar de olhos tenho um carrinho prateado na minha frente contendo algumas bandejas com torradas, biscoitos, croissants, uma garrafa de café e outra com água, um bule com chá, algumas xícaras e copos, e uma jarra de suco. A sala de reuniões está completamente vazia e isso me deixa mais à vontade para deixar tudo organizado em um canto de parede próximo a uma enorme janela que tem a mais bela vista da cidade New York. Assim que termino saio, deixando as portas duplas fechadas e imediatamente volto para o meu setor para seguir as próximas ordens.

— O que está achando do seu primeiro dia? — Anne, uma das funcionárias pergunta sentando-se ao meu lado no horário de almoço. Ela abre uma vasilha plástica e o cheiro de comida caseira se espalha pelo ar no mesmo instante. Dou de ombros para a sua pergunta.

— Nada mal — ralho abrindo a embalagem de uma barrinha de cereal que tinha na minha bolsa.

— Aqui não é tão ruim. Temos um salário, plano de saúde, cartão alimentação e ganhamos alguns extras caso precise passar do horário.

— Passar do horário? — Ela meneia a cabeça, fazendo um sim e leva uma garfada da comida a boca.

— Às vezes chego a fazer quase dois mil por mês só de horas extras.

— Uau! — digo com desdém. Não estou desdenhando, mas dois mil por mês não dá nem para começar a quitar as dívidas que meu pai deixou. Sem falar no aluguel e as contas do cotidiano. Bufo mentalmente. E ainda tem a minha mãe, que não pode ficar sozinha. Terei que pensar onde a deixá-la durante o dia enquanto estiver trabalhando.

— Você só trouxe isso para o almoço? — Anne pergunta me despertando.

— Na verdade, eu não sabia que começaria hoje.

— Entendi. Se quiser eu posso dividir o meu com você.

— Não precisa, Anne, obrigada! Na verdade, eu não estou muita fome no momento.

No segundo turno foi difícil manter a minha concentração. Eu estava preocupada com Dona Sara, com o fato de estar sozinha em casa e nem sequer pude telefonar para Mila a nossa vizinha para pedir que a olhasse até eu voltar. Contudo, pude me distanciar dos problemas que tiram o meu sono todas as noites desde que tudo virou de cabeça para baixo.

Os credores que batem em minha porta querendo receber o dinheiro que meu pai lhes deve, ou na última carta do banco que me deu um ultimato para quitar a hipoteca da casa. Como não pude pagar nada fomos despejadas e confiscaram tudo que tinha de valor. Menos as minhas economias, que já está quase no fim.

— Uau, você está maravilhosa! — sibilo admirada para Emma que surgiu no meu campo de visão usando em um vestido negro colado ao seu corpo de uma forma sensual e uma maquiagem que realçava os olhos negros, e puxados. Ela leva as mãos por baixo dos cabelos volumosos e cacheados, e sacode os fios.

— Ela está indo para a boate Tecno's Kiss. Emma é dançarina à noite. — Anne explica, enquanto a morena passa um batom vermelho-púrpura na boca.

— Ah! — É tudo que consigo dizer.

— Pois é, não dá para viver apenas com um salário de copeira. — Emma resmunga e ajeita uma bolsa a tiracolo brilhosa em seu ombro. Eu só penso que ela está certíssima, entretanto, eu não fazia ideia. Durante toda a minha adolescência e mocidade sempre tive tudo nas minhas mãos e a minha família era feliz, então eu estava satisfeita com isso. Como tudo mudou tão radicalmente do dia para noite? Essa é uma pergunta que me faço todos os dias.

— Estou indo! — aviso após trocar de roupa e as meninas acenam um tchau de dedos para mim.

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