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Capa do romance O Cientista Oculto: A Vingança da Esposa Traída

O Cientista Oculto: A Vingança da Esposa Traída

Disfarçada de estudante, ocultei minha herança e genialidade científica para curar Guilherme, meu marido. Mas ele me traiu com Keyla, sua ex e minha sósia. Após ser humilhada e perder meu bebê por culpa deles, Guilherme pediu a anulação do nosso vínculo. Ele me usou como substituta, mas ignorei meu poder por tempo demais. Como líder do Instituto Morton, usarei a coletiva da cura para revelar minha identidade e destruir o legado de mentiras dele.
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Capítulo 1

Por três anos, escondi minha identidade como cientista de ponta e herdeira, fingindo ser uma simples estudante de pós-graduação. Tudo para desenvolver secretamente uma cura para a doença genética fatal do meu marido, Guilherme.

Então, durante o sono, ele sussurrou o nome de outra mulher: Keyla.

Logo descobri que ela era sua ex-namorada e, para meu horror, minha sósia.

Ele a trouxe para nossa casa, ficou do lado dela enquanto ela me atacava, causando uma queda que me fez perder nosso filho que ainda não tinha nascido. Ele não demonstrou nenhum remorso.

Em vez disso, ele me humilhou publicamente, me acusou de fingir a gravidez e pediu a anulação do casamento para se casar com ela.

O homem por quem sacrifiquei minha carreira, minha fortuna e minha identidade me via como nada mais que uma substituta conveniente. Ele destruiu minha vida, tudo por uma cópia barata de mim.

Ele achou que tinha me quebrado. Mas ele se esqueceu de quem eu realmente sou. Agora, como a verdadeira chefe do Instituto Morton, estou pronta para reivindicar meu nome. Na coletiva de imprensa mundial para a cura dele, vou expor cada uma das mentiras deles.

Capítulo 1

Meu estômago se revirava, um nó frio e duro se espalhando por dentro de mim enquanto as mãos dele, que antes eram uma fonte de conforto, agora pareciam uma jaula. Cada toque era uma nova onda de traição, uma lembrança horrível do nome que ele sussurrou durante o sono, um nome que não era o meu.

"Amor", Guilherme murmurou, sua voz um ronronar baixo contra meu ouvido, me puxando para mais perto. "Você está tão tensa esta noite. O que há de errado?"

Eu me encolhi, meu corpo enrijecendo. A pergunta soou como uma acusação, uma exigência velada de performance. Minha respiração falhou. Como ele podia não saber? Como ele podia fingir?

"Nada", consegui dizer, a palavra um sussurro frágil. Tentei me afastar, mas seu aperto se intensificou.

"Vamos, Elisa", ele insistiu, seus dedos traçando um caminho pela minha espinha. Sua voz tinha aquele tom sedutor familiar, aquele que costumava me deixar de pernas bambas. Agora, apenas me irritava. "Vamos relaxar. Podemos pedir um champanhe, colocar uma música."

Ele se inclinou, seus lábios roçando meu pescoço. Eu recuei, um grito silencioso se formando em meu peito. A intimidade parecia errada, contaminada. Era uma performance, e eu não estava mais disposta a fazer meu papel. Meus músculos gritavam em protesto, um aviso, um apelo desesperado para escapar. Eu precisava de ar, de espaço, de qualquer coisa para me afastar da mentira sufocante que era nosso casamento.

Fechei os olhos, tentando bloquear a sensação, me desligar. Mas a memória era vívida demais, recente demais. Na semana passada, nesta mesma cama, na penumbra do amanhecer, ele havia se mexido em um sono profundo, seu braço ainda pesado sobre mim. Sua voz, grossa de sonhos, havia murmurado um nome, um nome que ecoou no quarto silencioso como um tiro.

"Keyla", ele sussurrou.

Não era o meu nome. Nunca o meu nome. Ele sempre me chamava de "amor", ou "querida", ou às vezes, se estivesse se sentindo particularmente afetuoso, "minha cientistazinha". Apelidos genéricos, doces o suficiente, mas totalmente desprovidos do reconhecimento específico e íntimo que eu desejava. Agora eu sabia o porquê. Eu era uma substituta, um tapa-buraco conveniente.

O choque foi um golpe físico, me deixando sem ar. Meu coração martelava contra minhas costelas, um pássaro frenético preso em uma gaiola. Fiquei ali, perfeitamente imóvel, ouvindo sua respiração regular, sentindo o gelo rastejar lentamente e agonizantemente por minhas veias. A ilusão de nossa vida perfeita, cuidadosamente construída ao longo de três anos, havia se estilhaçado em um milhão de pedaços irreparáveis.

Ele se moveu novamente, pressionando-se mais perto. O calor de seu corpo, antes reconfortante, agora me repelia. Minha mandíbula doía de tanto apertá-la. Eu não podia fazer isso. Não mais. Eu precisava saber a verdade, mesmo que isso me destruísse. Eu precisava de provas.

Mais tarde, quando Guilherme estava absorto em uma videochamada noturna, sua voz um murmúrio baixo vindo do escritório, eu saí da cama. Meus pés descalços mal faziam barulho no chão de mármore frio. Movi-me como um fantasma pela casa ampla e silenciosa, meu coração batendo um ritmo frenético contra minhas costelas.

Peguei meu velho celular pré-pago de seu esconderijo sob uma tábua solta no closet. Era uma relíquia da minha vida antes de Guilherme, uma ferramenta que pensei que nunca mais precisaria. Meus dedos tremiam levemente enquanto eu discava um número que sabia de cor, um número que não tocava há anos.

Entrei no banheiro principal, tranquei a porta e abri a torneira para abafar minha voz. A porcelana fria da pia contra minha bochecha ofereceu um pequeno conforto. Pressionei o telefone no ouvido, ouvindo o toque familiar.

"Caio", sussurrei quando ele atendeu, minha voz rouca de lágrimas não derramadas. "É a Elisa. Eu... eu acho que o Guilherme está me traindo."

Houve um momento de silêncio chocado do outro lado. Caio, meu protetor de infância, minha rocha, raramente perdia a compostura.

"Elisa? Você está ferida?" Sua voz era afiada, a preocupação imediata superando qualquer surpresa. "Onde você está? Estou indo até aí agora mesmo."

"Não, não estou ferida", apressei-me em tranquilizá-lo, embora meu coração estivesse se contorcendo no peito. "Não fisicamente. Mas... eu o ouvi. Ele chamou um nome."

"O nome de quem?" A voz de Caio era dura, perigosa.

"Keyla", engasguei, o nome com gosto de cinzas na minha língua. "Keyla Neves."

O nome pairou no ar entre nós, um peso sufocante. Minha mão voou para a boca, tentando abafar um soluço. A dor ainda era recente, ainda queimava. A vergonha, a humilhação, ameaçavam me consumir. Meu corpo tremia com a força disso.

"Keyla Neves", Caio repetiu, um rosnado baixo em sua voz. "Vou fazer algumas ligações. Me dê uma hora. Não faça nada, Elisa. Não o confronte. Apenas... fique segura."

"Vou ficar." Minha voz era quase um sussurro. Terminei a ligação, meus dedos dormentes.

Assim que saí do banheiro, Guilherme dobrou a esquina vindo do escritório, seus olhos arregalados enquanto me envolvia em um abraço repentino e apertado. Meu celular, esquecido em minha mão, caiu no chão com um baque.

"Amor! O que você está fazendo acordada tão tarde?" ele perguntou, seu tom tingido de falsa preocupação. Ele pegou meu celular, suas sobrancelhas se franzindo. "E o que é isso? Um celular velho?"

Antes que eu pudesse responder, ele me puxou de volta para o nosso quarto, suas mãos já desabotoando minha camisola de seda. "Você está tão fria, meu amor. Deixe-me aquecê-la."

Ele me empurrou para a cama, seu peso me pressionando. Seus lábios encontraram meu pescoço, depois desceram. Fechei os olhos, um apelo silencioso por distanciamento. Cada fibra do meu ser gritava em protesto. Isso não era amor. Era uma violação.

Tentei virar a cabeça, resistindo instintivamente. Ele interpretou mal minha luta, um sorriso zombeteiro brincando em seus lábios. "Se fazendo de difícil esta noite, é? Eu gosto." Seus movimentos se tornaram mais rudes, mais insistentes, sua força superando a minha. Minha respiração falhou, um grito silencioso morrendo em minha garganta.

Então, um som súbito e estridente da mesa de cabeceira. O tablet caro de Guilherme, deixado aberto, ganhou vida. Uma reportagem.

"...retornando ao Brasil após anos de pesquisa inovadora no exterior", anunciou uma voz feminina polida do tablet. "A Dra. Keyla Neves, a prodigiosa cientista, está pronta para se juntar ao aclamado instituto de pesquisa da USP, trazendo seu trabalho inovador sobre doenças neurodegenerativas genéticas para a vanguarda da ciência médica."

Eu congelei, meu sangue gelando. Guilherme também parou, sua cabeça se erguendo ligeiramente.

A repórter continuou: "A Dra. Neves, renomada por sua carreira acadêmica acelerada e teorias revolucionárias, afirmou em uma entrevista exclusiva ontem que está 'ansiosa para contribuir com o avanço científico do país e explorar novas colaborações'."

Um arrepio percorreu minha espinha, frio e agudo. Eu conhecia aquele instituto de pesquisa. Eu era sua chefe secreta.

As mãos de Guilherme pararam completamente. Sua respiração falhou. Ele se afastou de mim, seus olhos arregalados e fixos na tela.

"Keyla", ele suspirou, o nome um sussurro reverente, tingido de um anseio que me cortou pior do que qualquer dor física.

Naquele exato momento, meu celular escondido, que Guilherme havia colocado de volta na mesa de cabeceira, vibrou com uma nova mensagem. Meus olhos se voltaram para ele.

`Caio: Keyla Neves. Acabei de confirmar. Ela é a ex dele. A de antes de você.`

Meu olhar voltou para o tablet de Guilherme. Na tela, uma imagem promocional da Dra. Keyla Neves. Seu rosto me encarava, brilhante e composto, seus olhos brilhando de ambição. E então, a terrível constatação.

Não era apenas o nome. A mulher na tela, Keyla Neves, era minha sósia. Uma versão mais jovem e um pouco mais polida de mim. Os mesmos olhos escuros e inteligentes. As mesmas maçãs do rosto salientes. O mesmo cabelo longo e escuro. Eu era a substituta. Uma cópia barata.

Lágrimas arderam em meus olhos, quentes e picantes, mas me recusei a deixá-las cair. Não aqui. Não na frente dele. Fiquei ali, perfeitamente imóvel, meu corpo dormente, minha alma gritando. Guilherme, totalmente alheio, caiu em um sono inquieto ao meu lado, seu braço ainda sobre minha cintura, seu cheiro uma lembrança sufocante de sua traição.

Meu celular vibrou novamente, uma nova mensagem de Caio. Eu o alcancei com cuidado, meus dedos roçando o braço de Guilherme. Ele não se mexeu.

`Eu: Cansei. Depois que eu terminar o projeto, acabou.`

O projeto. A cura para sua "Síndrome de Harvey", a doença genética fatal que o levaria antes dos trinta anos. A cura à qual eu dediquei secretamente os últimos três anos da minha vida, sacrificando minha própria identidade, minha carreira, minha fortuna, fingindo ser uma simples estudante de pós-graduação para salvar o homem que eu pensava amar. O homem que me via como nada mais que uma substituta conveniente.

Lembrei-me do dia em que o conheci, quatro anos atrás, em uma gala de caridade que participei relutantemente em nome da Fundação Morton. Ele era carismático, charmoso, tudo para o que minha vida protegida não me preparara. Ele me perseguiu com um fervor que fez meu coração doer com uma frágil esperança. Ele me disse que eu era diferente, especial.

Lembrei-me do incêndio, um ano após nosso casamento. Um pequeno acidente de laboratório no instituto. Ele correu para dentro, um herói, me tirando da fumaça e das chamas, tossindo e me abraçando forte. "Pensei que tinha te perdido", ele sussurrou, sua voz rouca de emoção. "Eu não poderia viver sem você, Elisa."

Suas palavras agora tinham gosto de veneno. Tudo. Os grandes gestos, os doces sussurros, as promessas de para sempre. Era tudo uma mentira, uma performance. Ele não tinha me visto. Ele tinha visto um fantasma, uma procuradora para seu "único e verdadeiro amor". E eu, tola e cega de amor, entrei de bom grado em sua gaiola dourada.

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