
O CEO enganado
Capítulo 3
LORENZO
Sigo para o quarto lembrando da loucura que o início da minha noite foi, está ficando tarde e preciso voltar antes que percebam minha ausência.
— Nossa quanta pergunta. Mas acho que antes de respondê-las quero saber o motivo de uma menina tão linda estar sozinha e chorando aqui, um lugar isolado e que até onde sei apenas eu vinha — digo observando a menina que parece estar mais calma.
— Bom, não te conheço e pelo que sei não deveria estar aqui na escola de moças. Então acho que quem tem que responder algo é você — diz empinado seu lindo nariz.
— Justo. Bom, me chamo Fernando, estudo na escola ao lado e realmente não deveria estar aqui, mas descobri nesses jardins um refúgio. Pensando bem, não me importaria de dividir com você que parece estar tão triste.
Percebo que ela não me reconhece, talvez seja a única que não me conheça nessa escola e isso é bom porque posso conhece-la melhor sem meu sobrenome falar mais alto.
— Não vale a pena, mas enfim eu me chamo Francesca e estudo aqui. Sou nova, na verdade, quer dizer faz três meses que estou nessa escola e a primeira que venho aqui. As coisas estão difíceis sabe...
— A adaptação não está sendo fácil?”
Saio dos meus pensamentos com meu amigo, Guiseppe, correndo em minha direção parecendo estar afobado.
— Cara, vamos rápido! A inspeção vai começar e devemos estar em nossos quartos. Você demorou hoje, o que aconteceu, quer dizer, onde você estava?
— Estava no meu refúgio, mas, enfim, vamos que preciso te contar algo interessante que aconteceu comigo.
— Cara, você brinca com o perigo, sabe que se te pegarem nos jardins da escola ao lado a coisa pode ficar feia pro seu lado. Se isso acontecer nem seu sobrenome irá te salvar.
— Eu sei, mas foi me arriscando que conheci uma menina linda e que cativou minha atenção.
— Como é? Alguém te viu?
— Sim, mas ela pareceu não me reconhecer, acredita? Eu até aproveitei disso e me presentei como Fernando apenas, não quero que meu sobrenome se sobressaia a minha pessoa. E pensando bem não menti, apenas omiti meu primeiro nome.
Todos me conhecem como Lorenzo Rocatelli, mas se esquecem que meu nome mesmo é Lorenzo Fernando Rocatelli.
— Cara, isso é bizarro. Quem em Florença não te conhece, o único herdeiro da maior empresa de massa da Itália. Será que ela não está te enganando.
— Cara, vi sinceridade nela, sem comentar a maneira como se portou. Ela não se jogou em cima de mim como qualquer outra e ainda tentou me intimidar ao falar que estava errado ao entrar nas terras da escola de moças. — Dou uma risada.
— Ela não estava errada.
— Sim, não estava. Mas se fosse outra poderia usar isso para me chantagear, principalmente se essa outra fosse a Rafaella.
Entramos no nosso quarto e nos deitamos, esperando a inspeção passar.
Assim que nos ajeitamos a porta abre e o monitor coloca a cabeça para dentro.
— Está na hora de apagar as luzes — diz e espera as luzes serem apagadas.
Assim que aperto o interruptor acima da minha cama, a luz se apaga e ele sai fechando a porta.
Dou um tempo e ligo a luz do abajur.
— Cara, essas regras são chatas demais, não é nem nove da noite e precisamos estar na cama. Não somos mais crianças, temos dezesseis anos — Giuseppe diz se sentando na cama. — Mas me conta mais da menina que você encontrou e que não te reconheceu.
— Ela é linda, uma beleza natural que não tinha visto por aí. Sem contar que a conversa fluiu bem, sem ficar falando sobre fortuna, apenas sobre a vida de uma forma mais profunda. Não sei explicar, mas ela me tocou. Ela parecia carregar uma tristeza profunda. Tive vontade abraçá-la e protegê-la do mundo.
— Meu amigo foi laçado? Vivi para ver isso. Se prepare que quando a Rafaella descobrir fará da sua vida e da menina um inferno.
— A Rafaella é um saco, pode ser linda, mas se torna horrível devido a forma que age com os outros. E outra, ela não é minha dona nem nada minha. Meu pai pode até querer que eu me case com ela, mas isso não vai acontecer, pode anotar. Não sinto nada por ela a não ser dó pela pessoa horrível que ela é.
— Bom não está mais aqui quem falou, só tenha cuidado para essa menina não ser uma golpista e te enrolar.
— Fica tranquilo, eu sei me cuidar. Agora vamos dormir que amanhã as aulas começam cedo. Boa noite.
— Boa noite, meu amigo.
Guiuseppe é um bom amigo, o conheço desde que vim estudar aqui com oito anos de idade, nos identificamos de primeira e nos tornamos inseparáveis, tanto que nas férias geralmente ele vai para minha casa e juntos viajamos por aí.
Nos aproximamos mais quando seus pais faleceram em um acidente de avião.
Foi um momento muito difícil na vida do meu amigo, mas estive ao seu lado em todos os momentos e felizmente ele se reergueu.
Ele é herdeiro de uma grande empresa de máquinas agrícolas e a empresa do meu pai é um dos seus principais cliente.
Como meu amigo é menor de idade, seu tio é seu tutor e cuida da empresa até ele se chegar a maioridade e assumir a empresa.
Considero meu amigo, o irmão que não tive.
Desligo a luz do abajur, mas não consigo fechar os olhos lembrando da conversa que tive com a menina mais instigante que conheci.
Por que será que ela estava tão triste?
— Vamos fazer assim, você me conta só o que se sentir confortável e toda vez que se sentir sozinha venha aqui para conversar um pouco. Sempre venho aqui para pensar na vida e ter sua companhia será algo muito agradável.
— Geralmente não sou bem tratada assim, mas obrigada. Vou me lembrar disso.
— Então você é nova aqui? Pelo jeito não está gostando muito.
— Não é isso, é que não é fácil ser a diferente. Não sou como as outras meninas, não tenho um sobrenome de peso, mas enfim não quero falar sobre isso.
— Entendo.
Ali entendi que ela não deveria pertencer a alta sociedade, provavelmente deve estar estudando na escola de moças devido uma bolsa de estudo, inclusive sua vestimenta me chamou a atenção.
Não que ligo para isso, mas percebi que não parecia ser nova, ainda mais para alguém que está na escola a tão pouco tempo.
Sabendo disso, acredito que Rafaella e suas amigas devem estar tornando a vida da menina um inferno. Conheço aquelas meninas e elas amam pisotear as menos abastadas.
Por que essa menina me intriga tanto?
Algo nela grita por proteção e irei fazer isso, mas como?
Não sei.
Tentarei saber mais dela e quem encontrar uma maneira de ajudá-la a pelo menos ser mais aceita.
Como conseguirei chegar até ela se não aparecer lá no jardim novamente?
Preciso vê-la novamente, preciso conversar mais com ela.
Reviro na cama e nada do sono vir. Fecho os olhos e só vejo lindos olhos negros como a noite. Seu olhar baixo, envergonhada, suas bochechas coradas, seu lindo cabelo...
Ela é linda, simplesmente linda.
Seu nome é lindo como ela e parece até uma doce melodia ao ser pronunciado.
Francesca...
O que será que você passa ou passou, Francesca?
Qual será a sua história?
Preciso ganhar sua confiança para descobrir, preciso te ver novamente.
Amanhã tentarei encontrá-la de novo mesmo sendo arriscado, só precisarei que meu amigo me ajude a não pego e sei que ele fará isso com prazer.
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