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Capa do romance O CEO E A ÓRFÃ BILIONÁRIA

O CEO E A ÓRFÃ BILIONÁRIA

Criada sob a dureza de um orfanato, Lua enfim alcança a liberdade aos dezoito anos, mas logo percebe que o mundo externo é igualmente implacável. No entanto, sua trajetória muda ao conhecer Roberto, um magnata poderoso. Entre a paixão e o perigo, ela descobre ser herdeira de uma fortuna bilionária. Agora, Lua precisa enfrentar inimigos letais e decidir se Roberto é seu maior aliado ou sua destruição em meio a uma disputa por poder e segredos do passado.
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Capítulo 3

Eu sabia que o dinheiro acabaria rápido. Precisava encontrar um emprego, qualquer um. Naquela mesma tarde, depois de lavar o rosto e trocar de roupa, saí com meu caderno na bolsa. Anotei endereços, observei vitrines com cartazes de "Procura-se atendente" e perguntei em dois restaurantes se estavam contratando. Recebi sorrisos educados e respostas negativas.

O sol já começava a se esconder atrás dos prédios quando voltei para a pousada, cansada e com os pés doendo. No quarto, deitei olhando para o teto e senti aquele mesmo nó no peito que carreguei a vida inteira. Mas agora havia algo diferente: a cidade estava ali, do lado de fora, cheia de portas que eu ainda não tinha batido.

E pela primeira vez, a ideia de que meu futuro dependia só de mim não me assustava tanto.

Na manhã seguinte, o sol já entrava pelas frestas da janela quando o despertador tocou, arranhando minha mente ainda meio presa ao sono. Virei para o lado e encarei o teto com vontade de voltar a dormir, mas sabia que não podia. Preciso levantar, pensei, apertando os dentes para ignorar o cansaço que grudava no meu corpo.

O quarto na Pousada Horizonte Azul tinha um cheiro estranho de limpeza misturado com mofo, e o chão fazia barulho quando pisei descalça para descer as escadas. O velho corrimão de madeira rangeu sob minha mão, e eu fiquei olhando para as portas fechadas dos outros quartos , ainda não sabia os nomes nem as histórias daqueles que moravam ali.

Na pequena cozinha da pensão, algumas pessoas já estavam sentadas à mesa, comendo pão e tomando café preto. O cheiro forte do café misturava-se com o perfume barato da senhora que cuidava da pousada. Sentei-me em uma cadeira perto da janela e peguei o pão com manteiga que me ofereceram, tentando disfarçar o nervosismo que me apertava o estômago.

- Você é nova aqui, né? - uma voz animada quebrou meu silêncio.

Olhei para o lado e vi uma garota com olhos grandes e castanhos, cabelos enrolados presos em um rabo de cavalo bagunçado. Ela sorriu, mostrando dentes brancos.

- Sim, cheguei ontem - respondi, tentando parecer confiante.

- Eu me chamo Júlia - ela disse, estendendo a mão. - Trabalho numa empresa aqui perto, cuidando da limpeza. É puxado, mas paga as contas.

Apertamos as mãos, e algo no jeito dela me fez sentir menos sozinha.

- Eu estou procurando emprego - falei baixo, olhando para o pão, meio envergonhada.

- Então você teve sorte - Júlia falou com um brilho nos olhos. - Na empresa onde eu trabalho, estão precisando de gente. Faxineira, sabe? Aquela vaga que ninguém quer, mas que é importante demais.

- Onde é essa empresa? - perguntei, erguendo o rosto.

- É o prédio grande na Avenida Álvares Cabral, perto do centro. 

Lá dentro é um luxo, menina, você nem imagina. Tem gente de terno pra tudo quanto é lado, e o cheiro de café é daqueles caros, que só quem vive nesse mundo conhece.

Meu coração bateu forte. Um prédio tão chique parecia um sonho distante, mas também uma chance real.

- Você acha que eu conseguiria? - perguntei, meio sem esperança.

- Claro! - Júlia disse com firmeza. - E eles estão precisando urgente. Se quiser, posso te levar lá hoje.

- Sério? - perguntei, surpresa.

- Sério! - ela riu. - Você vai ver que não é tão assustador quanto parece.

O céu estava azul claro, e o sol iluminava as fachadas das lojas e prédios. Conforme nos aproximávamos do endereço, eu sentia o peso da insegurança apertando meu peito. Tudo ali era tão diferente do orfanato, da pousada e da pequena cidade onde cresci.

Quando chegamos, fiquei impressionada. O prédio era alto, imponente, e as paredes de vidro refletiam o céu, as árvores e as pessoas passando apressadas. A porta automática se abriu com um sussurro quando nos aproximamos.

- Respira fundo - Júlia falou, segurando meu braço. - Você vai ver que é só mais um lugar pra trabalhar.

Entramos no saguão amplo, com piso de mármore brilhante, vasos com plantas gigantes e sofás de couro que pareciam de outro mundo. O som dos passos ecoava pelo espaço, misturado com conversas baixas e o toque constante de teclados.

- Onde você vai? - uma mulher de salto alto perguntou, olhando para Júlia com um sorriso frio.

- Trouxe uma amiga para a entrevista - Júlia respondeu, me apertando o braço para eu seguir.

Fomos até o escritório da gerente de RH, uma mulher elegante com cabelos presos em coque e óculos modernos.

- Boa tarde - Júlia falou, confiante. - Esta é a Lua, ela quer a vaga de faxineira.

A gerente me olhou de cima a baixo, e notei seu olhar avaliando cada detalhe: minha roupa simples, minhas mãos ásperas, meus olhos que não escondiam a mistura de medo e esperança.

- Precisamos de alguém para começar imediatamente - ela disse, abrindo uma pasta no computador. - Você tem experiência?

- Tenho - respondi, tentando controlar a voz trêmula. - No orfanato eu ajudava a limpar... tudo.

Ela digitou algo, depois olhou para Júlia, que sorriu afirmativamente.

- Tudo bem - disse a gerente. - Você está contratada. Amanhã começa às sete da manhã. É um trabalho duro, mas se dedicar, pode crescer na empresa.

Meu corpo estremeceu, e uma mistura de alívio e ansiedade me invadiu.

- Muito obrigada - consegui dizer.

- Amanhã, tudo vai mudar - pensei, fechando os olhos.

Saímos do escritório e eu mal podia acreditar no que tinha acabado de acontecer. Estava ali, num dos prédios mais importantes da cidade, pronta para começar uma nova vida.

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