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Capa do romance O CEO E A ÓRFÃ BILIONÁRIA

O CEO E A ÓRFÃ BILIONÁRIA

Criada sob a dureza de um orfanato, Lua enfim alcança a liberdade aos dezoito anos, mas logo percebe que o mundo externo é igualmente implacável. No entanto, sua trajetória muda ao conhecer Roberto, um magnata poderoso. Entre a paixão e o perigo, ela descobre ser herdeira de uma fortuna bilionária. Agora, Lua precisa enfrentar inimigos letais e decidir se Roberto é seu maior aliado ou sua destruição em meio a uma disputa por poder e segredos do passado.
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Capítulo 1

LUA NARRANDO

 - Fica quietinha, não vai doer - o jardineiro sussurrou, os olhos estreitos como os de um gato faminto. Meu estômago virou e eu tentei me soltar, mas ele me empurrou contra o muro do quintal dos fundos, onde o mato alto escondia a vista da janela da cozinha. Meu coração batia tão alto que parecia que ia estourar dentro do peito.

 - Solta - minha voz saiu fraca, presa na garganta. Ele riu. Um riso baixo, pesado. O cheiro de cigarro que vinha dele me fez querer vomitar. Senti os dedos ásperos subindo pelo meu braço, e o desespero começou a queimar dentro de mim.

Eu só tinha cinco anos. Não sabia exatamente o que ele queria, mas sabia que era errado.

 Foi quando a lembrança veio. Como se alguém tivesse acendido uma luz dentro da minha cabeça. Eu não estava mais ali, no quintal. Eu estava numa sala iluminada por um abajur. O carpete era macio debaixo dos meus pés pequenos.

Um homem de cabelos brancos, terno escuro e cheiro de perfume caro se ajoelhava diante de mim. O rosto dele era calmo, mas os olhos.. os olhos tinham urgência.

 - Lua, meu anjo - ele me segurava pelas mãos - você vai precisar ficar aqui por um tempo, mas o vovô vem te buscar, eu prometo. As lágrimas ardiam nos meus olhos.

 - Eu não quero ficar aqui, vovô! Eu quero ir com você - minha voz ecoou dentro de mim, pequena e desesperada. O cheiro de terra voltou. O muro áspero arranhando minhas costas. A respiração dele perto demais.

 - Para de se mexer, menina - o jardineiro apertou meu braço com força. Eu gritei. Alto. Tão alto que senti minha garganta rasgar.

 - O QUE É ISSO AÍ ? - a voz da diretora, dona Conceição, cortou o ar como um chicote. O jardineiro recuou rápido, soltando meu braço. Eu deslizei para o chão, engasgada de choro.

Ela se aproximou com passos duros, o rosto vermelho não de indignação, mas de raiva por ter flagrado algo que podia dar problema.

 - Vá já para dentro, Lua - ela ordenou, nem olhando para mim direito. Eu corri, tropeçando, as lágrimas turvando minha visão. Atrás de mim, a voz dela se abaixou num tom cúmplice para o jardineiro.

 - Você é maluco? Quer que alguém veja? Entrei no dormitório e fechei a porta, sentando no canto da cama de ferro. Meu braço doía onde ele tinha me segurado.

Passei os dedos sobre a marca avermelhada e tentei controlar o choro. Eu queria esquecer, mas a imagem daquele homem de cabelos brancos continuava queimando na minha mente. Quem era ele? Por que me deixou ali? E por que nunca veio me buscar, como prometeu? Nos anos seguintes, aprendi que o orfanato não era um lugar para perguntar.

Quem perguntava demais apanhava, ficava sem comer ou era trancado na "sala escura". Então guardei aquela lembrança como se fosse um tesouro perigoso. A irmã Clara sempre anda rápido, como se o chão fosse quente. Eu preciso dar passinhos apressados para não ficar para trás. Ela segura a caixa com os braços finos, mas fortes .. 

 - É só entregar para o padre e voltamos, Lua. Não se afaste, entendeu? Eu balanço a cabeça que sim, mas meus olhos estão presos nas ruas da cidade.

Nunca consigo olhar para tudo de uma vez. As casas são coloridas, as janelas têm flores e as pessoas sorriem umas para as outras. É tão diferente do orfanato que parece outro planeta.

 Entramos pelo pátio lateral da igreja, e ela desaparece por uma porta pesada de madeira.

 - Fique aqui perto! - repete. Eu fico... mais ou menos.

 O portão de madeira no canto está meio aberto, e um cheiro diferente vem de lá. Passo por ele devagar e vejo um caminho de terra batida que leva aos fundos da igreja.

 O cheiro fica mais forte. Não é cheiro de pão, nem de flores. É amargo, faz minha garganta arranhar. Mais alguns passos e vejo fumaça fina saindo do telhado do estábulo.

 Meu coração bate rápido. Olho para os lados , não tem ninguém. Dou um passo .. dois.. e ouço um som baixo, quase um gemido.

 - Tem alguém aí? - chamo, mas o estalo da madeira quase cobre minha voz. Chego perto e olho pelas frestas da porta. Tem um menino lá dentro. Ele está caído no chão, perto das baias. É alto , forte , mas está mole, como se o corpo fosse feito de pano. O cabelo castanho gruda na testa suada e.. tem espuma branca na boca dele.

 - Moço? - minha voz treme. Ele abre os olhos com esforço

 - Ajuda..

Corro para a porta e tento girar a tranca. Está presa. Empurro, puxo... nada. Meu coração está tão rápido que parece que vai pular pela boca. Olho para o chão e vejo uma pedra grande perto da cerca. Pego com as duas mãos e bato contra o cadeado.

 - Eu vou abrir - prometo, mesmo sem saber se consigo. Bato uma, duas, três vezes.. até ouvir o ferro ceder. A porta range e a fumaça quente vem direto no meu rosto. Entro tossindo. O ar está pesado, difícil de respirar. Meus olhos ardem.

 - Vem - seguro o braço dele e tento puxar. Ele tenta se levantar, mas as pernas falham. Ele está muito fraco.

Então passo o braço dele pelo meu ombro e começo a arrastar. O calor aumenta a cada segundo e o cheiro de queimado enche minha boca. Um estalo alto me faz olhar para cima, uma viga começa a soltar fagulhas.

 - Rápido.. - ele sussurra, quase sem voz. Eu aperto o passo como posso. A porta está perto. Puxo, puxo.. e finalmente saímos para o pátio aberto.

 O ar frio entra nos meus pulmões como um soco. Ele cai de joelhos na grama, respirando com dificuldade, os olhos meio fechados.

 - Quem fez isso com você? - pergunto sem pensar. Ele me olha. Por um instante, parece que vai responder, mas um barulho de passos rápidos corta o momento.

 - LUA - a voz da irmã Clara explode no ar. Ela corre até mim, o rosto cheio de susto.

 - Meu Deus.. - segura minha mão e me puxa para trás. Homens aparecem correndo, falando alto, e vão até o menino.

Eu tento ficar para ver, mas a irmã me arrasta de volta para a igreja.

 Antes de sumir da minha vista, ele me olha uma última vez. Um olhar que prende o meu, como se quisesse gravar minha cara para sempre.

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