
O CEO e a Bibliotecária
Capítulo 2
ʕ•́ᴥ•̀ʔっ♡ Desabafo de Bia.
Pela terceira vez, em menos de cinco minutos, eu questionei a mim mesma: o que fiz da minha vida? Eu deveria ter aceitado a proposta de Arthur quando ele me pediu em casamento há cinco anos, mas ele é um mulherengo, não nasci para viver num harém.
"Sua burra, burra, burra!" Captei a imagem da mulher com os cabelos desgrenhados através do espelho. Tive vontade de socá-la até que a minha raiva passasse, mas eu não podia ferir a mim mesma. Por dentro, eu já estava totalmente destruída.
Não deveria ter saído de casa naquela noite. É tudo culpa daquele idiota do Arthur. Se eu não estivesse naquela festa estúpida, isso não estaria acontecendo! Eu não estou acostumada a beber, sei que exagerei um pouco.
Para o meu desespero, tem dez minutos que eu estou atrasada assim como a minha regra que esqueceu de descer há três semanas. Tomei um banho rápido e depois de colocar um blazer salmão combinando com a saia envelope, eu calcei o salto alto e peguei a minha bolsa.
Formei em biblioteconomia e, por um tempo, trabalhei numa biblioteca Municipal de Lisboa.
Há pouco mais de um ano, comecei num emprego novo. Trabalho numa livraria no centro de Lisboa. Inicialmente, seria um serviço temporário. Administraria a loja até que a gerente recebesse alta do hospital para reassumir o seu cargo. Tive a infeliz ideia de contar sobre isso ao meu melhor amigo, mas esqueci que ele herdou as empresas do pai que faleceu há cerca de dois anos. Não sei em que momento, aquele idiota do Arthur resolveu comprar a livaria em que eu trabalhava. Fiquei quase um mês sem falar com ele. Enfim, como eu disse ele é um bom amigo, mas a reputação dele entre as mulheres era terrível. Arthur troca de mulher como quem troca de roupa, sua lista de conquistas inclui os nomes mais conhecidos e badalados da cidade de Lisboa e do Rio de Janeiro.
Minha vida é uma correria, mas tirei um tempo para escrever um pouco do meu cotidiano no diário que comprei na livraria. O meu terapeuta disse que preciso colocar tudo o que sinto para fora. Nesse exato momento, a minha mente está confusa e não paro de pensar sobre o que farei como uma criança sem pai. Não sei se essa técnica funcionará, mas preciso me libertar desse turbilhão de sentimentos que estão me enlouquecendo.
"Que se dane!"
Peguei a caneta dourada que Arthur me deu de presente no meu último aniversário e fiquei encarando a folha em branco.
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Lisboa, 7 de julho de 2017
Naquela manhã de segunda-feira, as gotas da chuva se chocavam contra o vidro do meu carro. Estacionei o meu Citroën cereja na vaga disponível, me livrei do cinto, saí e corri para o outro lado da calçada. Alarguei os passos e entrei na loja. Estava tão distraída que esbarrei no cliente que caminhava pelo corredor.
— Boa tarde! — Cumprimentou-me com uma seriedade inigualável.
Aquele homem tinha uma postura que conservava um toque de arrogância, notei que ele tirava vantagem de sua altura, uma característica que, há alguns meses, me deixava em chamas, mas hoje em dia, acho que ele parecia um tanto pretensioso.
Já imaginou ver um homem lindo entrar numa loja e você sorrir como se fosse uma adolescente apaixonada? Pois é, eu não fiz isso! Tenho cara de poucos amigos, não sou simpática, admito isso!
— Em que posso ajudá-lo? — Tony, um dos melhores funcionários da livraria, sorriu para o cliente.
Tony é gay assumido, mas gosta de heteros com jeito imponente. Segundo ele, já ficou com caras com aquele tipo físico.
— Eu quero um livro que fale sobre a Segunda Guerra ou algo sobre Stalingrado! — O cliente com um queixo intransigente me fitou.
Confesso que a minha calcinha ficou molhada só com o jeito que ele me comia com aqueles olhos expressivos. Ergui o meu rosto e dei a volta, eu não sou uma mulher tão fácil de se conquistar à primeira vista. Embora a minha musculatura íntima fique animada, não podia me apaixonar pelo primeiro cara que me olha daquele jeito. Deixei que o funcionário da livraria atendesse ao cliente e me retirei. Tinha muita coisa para resolver no escritório naquele dia e precisava me apressar.
Logo que sentei atrás da minha mesa, acessei a planilha de vendas e avaliei o fluxo de caixa. O telefone vibrou sobre a mesa, era segunda vez que o meu melhor amigo me avisava sobre a festa de aniversário dele que rolaria numa boate perto do meu trabalho.
Depois que eu confirmei presença, Tony bateu na porta da minha sala e entrou em seguida. Esticou a mão e me entregou o papel.
— É para você!
— O que é isso? — Examinei as letras que pareciam garranchos. — De quem é esse telefone?
— É do bofe que eu estava atendendo, ele levou cinco livros e ainda me deu gorjeta.
— Pode ficar para você! — Devolvi o bilhete.
— Você enlouqueceu, gata? Aquele homem é um deus grego.
— Pode ficar com ele, não quero!
— Bem que eu queria! — Tony confessou e fez um muxoxo. — Ele não quis assunto comigo, só escolheu os livros e me entregou — disse em tom decepcionado. — Depois que o gostosão passou no caixa, ele voltou e pediu para entregar esse bilhete para você.
Minha cabeça doía demais e eu tinha muito o que fazer naquele dia. Pedi ao Tony que deixasse o bilhete na mesa e retornasse ao trabalho.
— Aquele homem deve fazer loucuras na cama! — Tony deu uma risadinha. — Depois, você me conta tudo, gata! — se retirou.
Quer saber se liguei para aquele homem? Claro que não, fiquei uma semana investigando e procurando algo sobre o tal Theodoro Muniz. Passei uma madrugada inteira investigando tudo sobre esse cara e não achei quase nada.
“Como uma pessoa não usa redes sociais em pleno século 21? Não tem cabimento!”
Na sala da minha casa, eu divagava em meus pensamentos enquanto tomava um saboroso café expresso. Olhei a mensagem da minha mãe no aplicativo de mensagens, ela queria que eu fosse almoçar na casa dela no fim de semana. Como eu não tinha nada para fazer, confirmei.
O meu iphone tocou e eu fiquei pensando se deveria atender. Eu sei que confirmei presença no aniversário do meu melhor amigo, mas eu não estava afim de sair.
— Oi, Arthur!
— Onde você está?
Afastei o telefone do meu ouvido quando ele berrou. Detesto quando Arthur faz isso. Conheço ele desde que éramos crianças, nossas famílias sempre foram próximas. Apesar de ser um amigo maravilhoso, ele sempre teve um pavio curto, mas comigo ele não crescia. Bastava ficar sem falar com ele por uma semana, que rapidinho ele ligava e pedia desculpas.
— Eu vou te buscar!
— Não consigo te ouvir! — Eu menti descaradamente. Na verdade, as batidas da música estavam muito altas. Então tecnicamente, eu omiti. — A ligação está péssima! — encerrei a ligação.
Voltei para o meu sofá e afundei no estofado confortável da minha sala de estar com uma decoração neo-clássica. Sempre amei móveis com pés curvos e com aqueles entalhes dourados que remetem a um estilo provençal. Não me julguem, nasci na época errada.
Coloquei na série que eu amo de paixão, sempre fui louca por The Big Bang Theory. Toquei no episódio em que parei na última noite e por quase vinte minutos, ri que nem uma hiena. Minha risada é meio estranha, confesso! É por isso que não fico rindo na frente dos outros.
— Quem será que veio atrapalhar o meu sossego? — Coloquei a pipoca de lado, caminhei até a porta e girei a maçaneta. — Quem me perturba? — Forcei o riso quando o vi. — Ah, é você! — Olhei para o homem grandalhão com blazer slim fit preto que sobrepunha a blusa de linho branca.
Arthur estava com uma fisionomia inelegível, não sabia se ele estava bravo ou magoado comigo.
— Você ainda não se arrumou? — Examinou o meu blusão branco com estampa de urso e minha meia cinza-clara que eu costumo usar dentro de casa. — Vá se arrumar, Bia! — ordenou enquanto entrava.
— Oh, aqui dentro eu sou a rainha! — Bati a porta. — A minha casa é o meu reino!
Ele se jogou no sofá com sorriso branquíssimo, pegou a minha pipoca, pegou o controle e deu o play.
— Me dê isso aqui! — Tomei a vasilha da mão dele e sentei para continuar vendo a série. — Volte para a sua festa!
— Não vou sair daqui até você se arrumar — esticou o braço ao longo das costas do sofá.
— O.k. — Dei de ombros. — Você é quem sabe!
— Maravilha! — sussurrou e me olhou de um jeito estranho. — Nós podemos aproveitar para…
— Para com isso agora, Arthur! — Eu saí do sofá antes que ele tentasse me beijar. — Você venceu! Vou me arrumar para a sua festa.
— Não demora! — O sorriso dele alargou.
Mesmo que ele fosse apenas um amigo, eu sempre tive consciência do charme que emanava de Arthur, aliás, acho que todas as garotas notavam isso. Na faculdade, ele era o mais atraente dos rapazes. Apesar de ser jovem, tinha um ar de masculinidade que fazia qualquer mulher tremer nas bases. Eu sei como ele magoava essas garotas, e mesmo que ele tentasse me conquistar algumas vezes, eu nunca quis nada com ele.
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