
O Casamento Roubado
Capítulo 3
Quando cheguei a casa da Sofia, o caos reinava.
Decoradores corriam de um lado para o outro, floristas arranjavam enormes bouquets de lírios brancos, os meus favoritos.
Pedro estava no meio da sala de estar, a dar ordens, a sua testa franzida em concentração. Ele parecia um noivo a preparar-se para o seu grande dia.
Ele viu-me e o seu rosto suavizou-se com alívio.
"Clara, graças a Deus que vieste. A Sofia está lá em cima no quarto dela, ela não sai."
Ele agarrou o meu braço, tentando puxar-me em direção às escadas.
Afastei a sua mão.
"Não me toques."
A sua expressão mudou de alívio para irritação.
"Clara, agora não é altura para isto. Já te expliquei. É um favor para a Sofia."
"Um favor que envolve anular o nosso local de casamento e usar o nosso catering?" apontei para os homens que montavam as mesas no jardim. Eram da empresa que tínhamos contratado para o nosso casamento em Setembro.
Pedro passou a mão pelo cabelo, um sinal de que estava a perder a paciência.
"Foi mais fácil assim. Já estava tudo pago. Estás a ser egoísta. A mãe da Sofia morreu! Tens alguma compaixão?"
A sua acusação atingiu-me com força. Ele estava a usar a morte da mãe dela como um escudo para a sua traição.
"A minha compaixão não se estende a ajudar a minha melhor amiga a casar com o meu noivo."
Subi as escadas, deixando-o para trás.
A porta do quarto da Sofia estava entreaberta. Ouvi soluços.
Entrei sem bater.
Ela estava sentada no chão, a usar um lindo vestido de noiva. O vestido que tínhamos escolhido juntas para o meu casamento.
Quando ela me viu, os seus olhos arregalaram-se.
"Clara! Tu vieste!"
Ela correu para me abraçar, as suas lágrimas a mancharem o meu ombro.
Não a abracei de volta.
"Tira o meu vestido, Sofia."
Ela recuou, o seu rosto a contorcer-se em confusão.
"O quê? Clara, o que se passa? O Pedro não te explicou? Isto é tudo para a minha mãe..."
"A tua mãe está morta, Sofia. Ela não vai ver este espetáculo. Tira o vestido."
A minha voz era fria, desprovida de qualquer emoção.
As lágrimas dela pararam. O seu rosto endureceu.
"Não podes simplesmente estar feliz por mim, nem que seja por um dia? Depois de tudo o que passei?"
"Estar feliz por estares a casar com o meu noivo, no meu vestido, na data que deveria ser minha? Não, não posso."
Ela riu, um som seco e feio.
"O teu noivo? Clara, acorda. Ele ama-me. Ele sempre me amou. Tu eras apenas... conveniente."
As suas palavras confirmaram a verdade feia que eu tinha tentado ignorar.
"Ele escolheu-me", continuou ela, alisando o vestido. "Ele está lá em baixo, a planear o nosso futuro. E tu? Estás aqui, sozinha."
Senti o meu telemóvel a vibrar no bolso. Era a minha mãe. Ignorei.
Olhei para a Sofia, a mulher que eu pensava conhecer.
"Aproveita o teu casamento falso, Sofia."
Virei-me e saí do quarto, deixando-a com o meu vestido e o meu noivo roubado.
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