
O Beijo da Víbora: A Vingança de Uma Esposa
Capítulo 2
Meu plano era esperar o período de reflexão do divórcio e depois me mudar com Léo. Mas Caio e Cássia tornaram impossível ficar.
Na manhã seguinte, Caio entrou na cozinha, esperando que seu café estivesse pronto, como esteve todos os dias nos últimos dez anos. Ele me viu preparando um lanche para Léo e franziu a testa.
"Sem café hoje?" ele perguntou, um toque de irritação em sua voz.
Eu nem olhei para ele.
Mais tarde, ele me abordou enquanto eu estava em uma ligação de trabalho. Cássia pairava atrás dele, parecendo pálida e frágil.
"Bianca", disse ele, interrompendo minha ligação. "Cássia não dormiu bem ontem à noite. Ela disse que o choro de Léo a manteve acordada. Acho que seria melhor se você e Léo se mudassem para o seu antigo apartamento por um tempo."
Ele estava nos expulsando de nossa própria casa. Por ela.
Uma parte de mim queria gritar, lutar, jogar sua hipocrisia na cara dele. Mas outra parte, mais fria, viu a oportunidade. Esta era minha chance de fugir.
"Tudo bem", eu disse, minha voz desprovida de emoção.
Ele pareceu surpreso com minha fácil conformidade. Ele se aproximou, tentando colocar o braço em volta de mim. "Eu sei que isso é difícil, mas é para o bem de todos. Cássia é muito sensível."
Eu me afastei de seu toque. "Não. Apenas não." Eu o olhei nos olhos. "Espero que ela durma bem esta noite."
Seu rosto escureceu. "O que isso quer dizer? Sua mente é tão suja, Bianca."
"É mesmo?" Eu ri, um som amargo e oco.
Ele se inclinou, sua voz um rosnado baixo. "Estou te avisando. Não saia espalhando boatos."
Eu apenas sorri. Ele não tinha ideia do que estava por vir.
Arrumei nossas coisas e nos mudamos para o meu apartamento de solteira naquele mesmo dia. Parecia um santuário, uma lousa em branco.
Mas a paz não durou. Alguns dias depois, Cássia entrou no meu escritório na minha agência de marketing. Ela olhou ao redor com um ar de proprietária, como se já fosse dona do lugar.
"Preciso de um emprego", ela anunciou para minha assistente, sem nem se dar ao trabalho de olhá-la.
"Desculpe, você tem hora marcada?" minha assistente perguntou educadamente.
Cássia zombou. "Eu não preciso de uma. Eu sou Cássia Flores. Caio Clark é meu irmão."
Ela entrou no meu escritório e sentou na minha cadeira. "Esta é uma boa estrutura. Vou aceitar um cargo de diretora sênior de marketing. Tenho muitos seguidores no Instagram, sabe. Posso agregar muito valor."
Sua arrogância era de tirar o fôlego. Eu construí esta agência do zero, com meu próprio sangue, suor e lágrimas.
"Não", eu disse calmamente.
Seus olhos se estreitaram. "O que você disse?"
"Eu disse não. Você não é qualificada."
Ela se levantou da cadeira. "Você vai se arrepender disso! Caio vai saber disso!"
"Fora", eu disse, minha voz baixa e perigosa. "Agora."
Ela me encarou, seu rosto contorcido de raiva, e então saiu furiosa. Chamei a segurança.
"Acompanhem a Sra. Flores para fora do prédio. E certifiquem-se de que ela nunca mais pise aqui."
Menos de uma hora depois, Caio invadiu meu escritório. Ele abandonou uma reunião de fusão de milhões de reais para correr até aqui. Por ela.
"Qual é o seu problema?" ele gritou. "Cássia é da família! Por que você não pode ser mais tolerante?"
"Esta é a minha empresa, Caio", eu disse, minha voz firme apesar da raiva que fervia dentro de mim. "Eu decido quem trabalha aqui. E ela não é bem-vinda."
Ele me encarou, sua mandíbula tensa. Ele agarrou o braço de Cássia. "Tudo bem. Vamos, Cássia. Não precisamos da caridade dela."
Eles saíram, e um silêncio pesado desceu sobre o escritório.
Na manhã seguinte, a crise atingiu.
Meus três principais executivos pediram demissão. Em seguida, uma onda de funcionários juniores os seguiu. Todos eles foram cooptados, com ofertas do dobro de seus salários para trabalhar em uma nova empresa rival.
Uma empresa que havia sido secretamente financiada por Caio.
Tentei contratar novas pessoas, mas ninguém aceitava o emprego. A notícia se espalhou de que minha empresa era tóxica, que eu era um pesadelo para se trabalhar. Mentiras, tudo isso, espalhadas por Caio e Cássia.
Meus clientes começaram a desistir, um por um. A empresa na qual eu havia investido minha vida estava sangrando.
Fui forçada a vender. A única oferta na mesa era uma proposta baixa, mal suficiente para cobrir minhas dívidas. Não tive escolha a não ser aceitar.
No dia em que fui assinar os papéis finais, entrei no meu antigo escritório pela última vez.
E lá estava ela. Cássia. Sentada na minha cadeira, com os pés apoiados na minha mesa.
"Bem-vinda ao meu escritório", disse ela com um sorriso presunçoso. "Ou devo dizer, meu novo escritório."
Ela gesticulou ao redor da sala. "Caio comprou a empresa para mim. Um presentinho. Ele não é o mais doce?"
Meu coração se apertou no peito. Este lugar era meu bebê, minha criação. E eles o roubaram, o esvaziaram e me deixaram com as migalhas.
Caio entrou então, um olhar de falsa simpatia no rosto. "Bianca, sinto muito que tenha chegado a isso. Mas não se preocupe, eu cuidarei de você."
Eu apenas ri. O som era frágil, vazio. "Você é muito gentil."
Fui até a mesa e assinei os documentos de transferência. Estava acabado.
Quando me virei para sair, Cássia pegou um dos meus prêmios da prateleira, um troféu de 'Inovadora de Marketing do Ano'.
"O que é esse lixo?" ela debochou, e então o deixou cair. Ele se espatifou no chão.
Ela então seguiu pela prateleira, quebrando cada placa, cada troféu, cada símbolo do meu sucesso.
Um prêmio permaneceu. O primeiro que eu já havia ganhado. Era uma placa de vidro pequena e simples, mas significava o mundo para mim. Representava o momento em que soube que poderia conseguir sozinha.
Eu me lancei para pegá-lo, tentando salvá-lo.
Cássia gritou, tropeçando para trás. "Ai! Você me empurrou!" Ela levantou a mão, onde um arranhão minúsculo, quase invisível, estava com uma única gota de sangue.
Caio correu para o lado dela instantaneamente. "Cássia! Você está bem? Deixa eu ver!" Ele se preocupou com o arranhão insignificante dela, ignorando a ferida aberta na minha alma.
Ele se virou para mim, seus olhos frios. "Me dê o prêmio, Bianca. Você a machucou."
Ele estendeu a mão, esperando que eu obedecesse. Ele ofereceu uma substituição, uma tentativa patética de solução.
"Vou mandar fazer um novo para você", disse ele, sua voz doentiamente razoável. "Um melhor. Vou até pedir para o Léo me ajudar a desenhar."
Naquele momento, eu o vi como ele realmente era. Superficial. Indiferente. Ele pensava que um objeto novo e brilhante poderia substituir os anos de trabalho duro, a paixão, a própria essência de quem eu era.
Olhei para o prêmio em minha mão, a última peça da minha vida antiga.
Então olhei para ele.
E o espatifei no chão eu mesma.
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