
O arrependimento do rei da máfia
Capítulo 2
Luna se encolheu no sofá, passando a noite inteira em silêncio.
Pela manhã, finalmente conseguiu se recompor.
Levantou-se e começou a colocar tudo o que possuía em malas, determinada a deixar esse lugar para trás.
Mas, assim que saiu do quarto, deu de cara com Liam.
Ele subia as escadas, carregando uma desmaiada Elena nos braços. No momento em que viu Luna, ele congelou no meio do passo, os olhos escurecendo com alarme. "Querida, o que você está fazendo?"
Luna ergueu os olhos friamente. Seu olhar passou pelas marcas de paixão no pescoço dele e pousou na frágil mulher em seus braços. Um sorriso amargo torceu em seu coração.
"Estou indo viajar. Um novo ambiente pode me fazer bem," ela disse calmamente, escolhendo não contar a verdade para ele.
Liam abriu a boca para questioná-la mais, mas Elena tossiu fracamente em seus braços.
O pânico nublou instantaneamente sua expressão — uma emoção que Luna nunca tinha visto nele antes. Ele murmurou um rápido "Tá bem," e então apressou-se com Elena sem olhar para trás.
Arrastando sua mala, Luna sussurrou para si mesma para se manter firme. Só então conseguiu impedir que as lágrimas caíssem.
Ela se hospedou em um hotel e começou a trabalhar em três coisas.
Primeiro, vendeu a propriedade que Liam lhe havia dado e transferiu os fundos para sua própria conta.
Segundo, removeu a tatuagem com o nome dele de seu corpo.
E terceiro, foi até o mar e jogou o bracelete de família valioso que Liam uma vez lhe presenteou.
Houve um tempo em que Liam Moretti — o homem tanto temido quanto reverenciado no submundo — ajoelhou-se em um joelho para colocar sapatos de salto alto em seus pés. Quando ele beijou sua testa tão ternamente, colocando aquele sagrado bracelete familiar em suas mãos como se estivesse lhe oferecendo todo o seu mundo.
Mas agora, ele nunca faria isso novamente. Porque ele não a amava mais.
As ondas devoraram o bracelete instantaneamente, enviando ondulações que logo se dissiparam.
Luna se virou sem olhar para trás. Enquanto a brisa do mar puxava seu vestido, ela abaixou a cabeça para alisá-lo, apenas para ser repentinamente agarrada por trás e jogada em uma van.
O ar dentro cheirava a algo estranho. Em poucos momentos, a cabeça de Luna começou a girar.
Pouco antes de perder a consciência, ela vagamente ouviu alguém no banco da frente murmurar, "Acelera. A senhorita Rossi disse que precisamos estar lá antes das três."
Sua cabeça bateu contra a janela do carro. Tudo ficou preto.
Quando recobrou os sentidos, estava em um armazém abandonado.
Ela e Elena estavam amarradas a cadeiras em lados opostos da sala.
Luna olhou para ela, com nojo passando por seus olhos.
Estavam perto o suficiente para que Luna pudesse ver claramente os hematomas e marcas de paixão espalhados pela pele de Elena.
Até a marca de colar ao redor de seu pescoço, gravada profundamente pelo colar personalizado que Liam lhe dera.
Elena percebeu que Luna havia acordado e lançou-lhe um sorriso presunçoso.
"Eu te vi no porão ontem à noite, Luna. Já que ouviu tudo, não vou me dar ao trabalho de fingir mais. Eu planejei todo esse sequestro. Agora, quando Liam chegar aqui, por que você não tenta adivinhar — quem você acha que ele vai salvar?"
Luna abaixou o olhar. Liam realmente escolheria salvá-la?
Os sequestradores usaram o telefone de Luna para ligar para Liam, exigindo que ele viesse sozinho com dinheiro, ou matariam sua esposa.
Sua voz soou frenética do outro lado. Dez minutos depois, ele chegou.
Com um estrondo alto, ele arrombou a porta do armazém. No momento em que seus olhos pousaram nas duas amarradas, ele congelou.
"Que diabos? Por que ela está amarrada também? Pensei que fosse só a Luna!"
O coração de Luna se apertou, como se uma faca tivesse sido cravada diretamente nele.
"Então, senhor Moretti," um dos sequestradores zombou, arrancando o dinheiro de sua mão, "isso é um problema, não é? Você só trouxe o suficiente para uma. Então... quem vai ser?"
Elena olhou para Luna como uma vencedora.
E no segundo seguinte, Liam abriu a boca—
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