
O arrependimento do meu ex-marido frio
Capítulo 3
Carrie permaneceu imersa na banheira por trinta minutos até decidir se levantar. Seu corpo parecia pesado enquanto ela deixava a água escorrer lentamente. Ao erguer o olhar, ela viu sua imagem refletida no espelho e parou. Sua pele, impecável e radiante, lembrava a mais fina porcelana, refletindo uma beleza que parecia quase irreal.
Seus olhos, de um brilho profundo e encantador, pareciam carregar um convite silencioso, impossível de resistir.
Mesmo aos vinte e cinco anos, o tempo ainda não havia tocado sua aparência.
Uma mulher com tal beleza não deveria se permitir cair em autopiedade.
Absorvida em sua contemplação, Carrie estendeu descuidadamente a perna direita no chão frio, esquecendo-se de que era o membro que havia machucado. O membro, enrolado em uma camada apertada de filme plástico para evitar contato com a água, estava dormente. O frio do chão atingiu seu pé, que escorregou de forma inesperada.
"Ah!", ela exclamou, enquanto seus braços buscavam freneticamente algo para se apoiar, mas encontraram apenas o vazio.
Antes que ela pudesse se chocar contra o chão, a porta do banheiro se abriu com força, revelando Kristopher, que estava vestindo um terno impecável que realçava sua presença marcante.
Quando os olhares deles se cruzaram, ele parou, visivelmente surpreso, mas então rapidamente encurtou a distância e a pegou nos braços com um movimento seguro e decidido.
Carrie sentiu o ar escapar de seus pulmões, com o aperto inesperado envolvendo sua cintura, então percebeu com horror que estava completamente nua.
Um calor constrangedor tomou conta de seu rosto, e ela rapidamente cobriu o peito com as mãos, tentando preservar algum resquício de dignidade.
Esse foi o primeiro momento de proximidade entre eles desde o casamento, e o desconforto fez seus dedos dos pés se encolherem, sua pele adquirindo um suave rubor rosado.
Kristopher a observava com um sorriso travesso. "Vamos ser sinceros, não há muito o que esconder."
Com as bochechas ainda mais vermelhas, Carrie o encarou, irritada. "Ah, senhor Norris, depois de tudo o que já viu, imaginei que nada mais pudesse te surpreender."
Ela carregava suas curvas de tamanho C com um charme discreto, uma sensualidade que superava a estrutura magra e quase rígida de Lise.
Porém, Carrie sabia que, sem amor, até o físico mais perfeito ficava opaco diante do encanto de alguém verdadeiramente amado.
Despreocupado, Kristopher pegou o roupão pendurado atrás da porta e o colocou sobre ela. Seus olhos, antes cheios de diversão, assumiram um ar sério. "Do que você está falando, Carrie?"
Então, algo pareceu despertar em sua mente e sua expressão se tornou impaciente, enquanto sua voz carregava uma mistura de irritação e incredulidade: "Você me mandou aqueles papéis de divórcio no meio da noite só para me atrair de volta para te ver assim? Eu já te disse que estava sobrecarregado de trabalho. Isso tudo era mesmo necessário?"
O temperamento de Carrie se inflamou com o tom acusatório dele, intensificando a tensão entre os dois. Ele sempre perdia a paciência com facilidade.
Ela não era de usar palavras como divórcio ou separação sem pensar. Na verdade, essa era a primeira vez que mencionou o divórcio nos dois anos de casamento.
Porém, ele parecia desinteressado por sua angústia e simplesmente descartou suas preocupações, como se ela estivesse reagindo exageradamente a algo sem importância.
Mesmo com a dor pulsando em sua perna, ela encontrou forças e disse: "Me coloque no chão."
No entanto, Kristopher ignorou o pedido, seus olhos se fixaram na perna dela, ainda envolta em bandagens, e um vinco surgiu em sua testa. "O que aconteceu com sua perna? Isso faz parte de algum plano elaborado para me atrair de volta?"
Carrie soltou uma risada amarga.
Era isso o que ele via nela? Alguém desesperada por atenção, capaz de inventar qualquer desculpa para tê-lo por perto?
Com um tom indiferente, ela respondeu: "É só um tratamento de beleza que não pode entrar em contato com água."
"Por que decidiu fazer isso de repente?", perguntou Kristopher, de maneira descontraída, enquanto a levava para fora, sem insistir mais sobre o assunto.
Seu corpo era imponente e, através de sua camisa fina, ela podia sentir distintamente o calor de seu corpo e a forma definida dos músculos do peito.
A aproximação gerou uma tensão desconfortável em Carrie, que já havia decidido colocar um fim definitivo na situação.
Sua voz, agora mais firme e carregada de ironia, cortou o silêncio. "Desde quando você se preocupa com coisas tão insignificantes, senhor Norris?"
Kristopher a observou com curiosidade, percebendo pela primeira vez o tom afiado e mordaz que ela adotava. Com um sorriso ligeiramente divertido, ele respondeu calmamente: "Você é minha esposa. Me preocupar com você não deveria ser algo natural?"
Carrie estreitou os olhos, sua voz carregada de amargura: "Esposa? Às vezes me pergunto se você realmente acredita nisso. Tenho minhas dúvidas se você notaria minha ausência, mesmo que eu morresse."
Afinal, naquele momento perigoso, Kristopher estava tão absorto em lembranças de seu primeiro amor que não conseguia prestar atenção aos seus apelos desesperados.
Kristopher inclinou a cabeça, seu olhar sério se transformando em uma risada breve, mas incrédula. "Carrie, de onde vem toda essa raiva repentina? É só porque eu não atendi sua ligação esta tarde? Talvez eu tivesse sido indulgente demais com você, e isso te deixou um pouco presunçosa."
Essas palavras atingiram Carrie como um golpe inesperado, congelando-a no lugar. Ele estava a acusando de ser presunçosa?
Ela se deu conta de que seu casamento sempre havia sido desequilibrado. Para ele, ela não era mais do que uma parceira de negócios, uma mulher que havia trocado sua independência por estabilidade financeira.
No entanto, contra todo bom senso, Carrie havia permitido que o amor a enredasse.
No campo complicado do romance, quem se apaixonava primeiro geralmente acabava em uma situação desfavorável.
Kristopher, com seu tom indiferente, parecia tratar os sentimentos dela como algo trivial, enquanto ela, sufocada pela angústia, tentava se recompor.
"Eu disse para me colocar no chão agora mesmo!", ela exigiu, sua voz carregada de frustração e impaciência.
Sem dizer nada, Kristopher a carregou até a cama e, num movimento abrupto, a soltou.
Carrie se assustou com o impacto repentino, seus braços instintivamente se agarrando a ele.
Os corpos deles colidiram na cama. O roupão que ela usava ameaçava se abrir a qualquer movimento descuidado, intensificando o embaraço da situação.
Se apoiando em um dos cotovelos, Kristopher a observou, o sorriso provocador brincando em seus lábios. "Não era isso que você queria? Então por que se agarrou a mim agora?"
Seus olhos, profundos como a escuridão de um lago salpicado de estrelas, capturaram os dela.
Por um breve instante, Carrie sentiu como se pudesse enxergar algo mais no olhar dele, algo que quase a fez acreditar que havia afeto.
Mas logo a realidade a atingiu: o coração de Kristopher sempre pertenceria a Lise e o que restava para ela não passava de ilusões vazias.
"Chato!", ela murmurou, tentando desviar o rosto e se afastar. No entanto, um movimento desajeitado fez com que sua mão esbarrasse em algo inesperado.
No instante seguinte, algo provocou a excitação do homem, causando uma pressão crescente contra seu estômago.
"Fique quieta, ou não posso garantir o que acontecerá a seguir", ele alertou, com a voz grave e rouca.
Um suspiro de irritação escapou de Carrie.
Em sua mente, ela amaldiçoava a natureza básica e previsível dos homens, cujos instintos sempre falavam mais alto, mesmo com a falta de sentimentos.
Mesmo assim, ela sabia que não deveria provocar Kristopher mais do que já havia feito. Com o corpo rígido, virou o rosto, tentando ignorar o desconforto crescente.
Tomada pela irritação, Carrie respondeu de forma ríspida: "Não era você quem disse que aqui não havia nada interessante para ver? E agora, senhor Norris? Está impressionado tão facilmente assim?"
A provocação saiu antes que ela pudesse pensar nas consequências.
Um arrependimento imediato tomou conta dela, mas, para sua surpresa, Kristopher apenas riu. "Você é minha esposa. E já que não posso mudar isso, posso muito bem aceitar. Afinal, já faz tempo que nos casamos, e seria um desperdício te ignorar completamente, não acha?"
Você pode gostar





