
O Arrependimento do CEO após o Divórcio
Capítulo 3
Serena
O quarto mergulhou em um silêncio mortal. Ryan me encarou como se eu tivesse falado em uma língua de outro planeta.
Tirei a aliança do dedo e a joguei aos seus pés. O tilintar metálico contra o piso frio ecoou como um ponto final.
"A dívida por você ter me salvado da água foi paga há muito tempo", disse, cada palavra medida, cortante e final. "Esse jogo de ser a substituta acabou. Estou cansada de viver à sombra da Sophie."
O rosto de Ryan se transmutou do choque para uma fúria crescente. Ele se inclinou, as mãos agarrando as grades da cama com tanta força que o metal gemeu.
"O que foi que você disse?", rosnou, a voz um sopro carregado de ameaça.
Encaro-o sem pestanejar. "Eu disse que quero o divórcio."
Seus olhos escureceram perigosamente, as feições se tornando uma tempestade prestes a desabar. O ar no quarto pareceu ficar mais pesado, carregado pela raiva dele.
"Você se atreve a mencionar divórcio como se fosse uma brincadeira, Serena?", sua voz cortou como uma lâmina de gelo.
"Não é brincadeira", respondi, firme. "Nosso casamento nunca foi real. Foi um acordo de negócios da sua avó. Você nunca me quis, e eu cansei de fingir."
Sua mão grande apertou meu braço, pressionando-me contra o colchão. "Com que direito? Sem mim, como você sobreviveria por aí?"
"Estou sã e forte. Por que não sobreviveria sozinha?"
Ele cerrou a mandíbula, o olhar gélido. "Você não tem ideia do mundo lá fora."
Sorri, um sorriso sarcástico e triste. "O Sr. Blackwood está relutante? Não me diga que vai sentir falta da sua substituta?"
"Fica sempre professando seu amor eterno pela Sophie, mas se agarra a uma cópia... Não acha patético?"
As veias de suas têmporas saltaram. "Você não merece nem pronunciar o nome dela!"
"Que bom", forcei o sorriso, engolindo a dor que teimava em subir. "Então não terá problemas em assinar os papéis. O que acontecer comigo daqui para frente não será da sua conta."
"E se eu me recusar?", suas narinas dilataram.
"Torno tudo público", a ameaça saiu clara e calma. "Conto a todos como o grande Ryan Blackwood trata a esposa - deixando-a ser sequestrada enquanto se diverte em hotel com outra."
Seus olhos faiscaram. "Você não tem a coragem."
"Tente-me", sussurrei, surpresa com a frieza na minha própria voz. "Não tenho mais nada a perder."
Ele travou, o corpo tenso como uma mola, a raiva quase palpável. Por um instante, pensei que fosse me agarrar. Mas, inesperadamente, deu um passo atrás.
"Tudo bem", cuspiu as palavras. "Quer o divórcio? Você vai ter. Mas lembre-se: fora do título de Sra. Blackwood, você não é nada. Sem minha proteção, sem recursos, sem status. Você voltará a ser a ninguém que eu pesquei da água."
Dessa vez, o sorriso que surgiu em meus lábios foi genuíno, embora triste. "Para você, eu sempre fui esse ninguém."
Ele se virou e saiu. A porta bateu com um estrondo que fez os vidros tremerem.
Ivy, que tinha ficado paralisada durante o confronto, recobrou a fala. "Você cometeu um erro colossal", disse, a voz fina e trêmula. "Ninguém simplesmente deixa Ryan Blackwood."
Soltei um suspiro profundo. "Não era exatamente isso que você queria?"
Ela ficou imóvel. "O que quer dizer?"
"Você queria que eu fosse embora. Queria ele. Agora tem os dois."
Ela abriu a boca para negar, mas as palavras não saíram. "Eu só..."
"Não importa", interrompi, exausta. "Pode ir, Ivy. E leve essas flores com você."
Quando a porta se fechou sozinha atrás dela, finalmente deixei as lágrimas caírem.
Não eram de tristeza pelo fim, nem de arrependimento. Eram lágrimas de alívio. De um peso colossal sendo tirado dos ombros. Pela primeira vez em três anos, senti algo adormecido dentro de mim despertar.
Esperança.
Três dias depois, recebi alta.
Meu advogado redigiu os papéis do divórcio e os enviou ao escritório de Ryan. Em seguida, liguei para Maya, minha melhor - e quase única - amiga de antes do casamento.
"Oi. Posso ficar na sua casa por um tempo?", perguntei, tentando disfarçar o tremor na voz.
"O quê?", a surpresa dela era total. "O seu marido bilionário não tem tipo, dez mansões? Isso é alguma moda excêntrica de rica?"
"Estou me divorciando dele", confessei. "E estou saindo sem levar nada que não seja meu."
Um silêncio carregado do outro lado da linha. "Sério?! Mas você sempre disse que foi amor à primeira vista!"
"Foi... até descobrir que era apenas a atração principal do circo particular dele", respondi, tentando um tom leve que soou quebrado. "Se for incômodo, posso ir para um hotel."
"Não, nada disso! Você vem pra cá, ponto final!", ela exclamou, protetora. "Mas, Serena, já que você vai se livrar desse peso morto e parar de orbitar um homem... que tal voltar a trabalhar? No nosso negócio?"
"Preciso de você", a voz dela perdeu um pouco a firmeza, tornando-se um apelo. "Para ser honesta, estou desesperada. A Celeste - minha designer mais promissora - está com sérios problemas pessoais. Se eu não encontrar alguém para assumir os projetos pendentes dela, vou acabar desenhando joias em uma caixa de papelão na esquina."
Franchi a testa, surpresa.
Maya e eu nos conhecemos há quatro anos, quando éramos duas designers iniciantes em uma empresa medíocre. Meu instinto para joias logo se destacou, com alguns designs causando burburinho na cena.
Quando a empresa ficou tóxica, sugando nossa criatividade sem dar crédito, saímos juntas e fundamos o Ateliê Dreamland. Era nosso refúgio criativo.
Depois que casei com Ryan, transferi minhas cotas para ela. Ela conduziu o negócio sozinha, e com sucesso, todos esses anos. O que poderia tê-la colocado em tal desespero?
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