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Capa do romance O Ardil Mais Cruel da Família Perversa

O Ardil Mais Cruel da Família Perversa

Após sete anos como o segredo do sucesso de Carlos Eduardo, decidi me demitir. Descobri que Helena, minha meia-irmã, causou meus abortos e me incriminou pela morte de seu cão. Ignorando meu pânico, Carlos me trancou e me agrediu, forçando-me a cavar o túmulo do animal enquanto minha mãe zombava de minha dor. Eles não sabem que o filho que carrego não é dele. Ensanguentada, liguei para o bilionário Gabriel: O bebê é seu. Venha nos buscar agora.
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Capítulo 2

O cheiro estéril de desinfetante pairava pesado no ar, um contraste gritante com o perfume enjoativo que ainda persistia em minha mente.

Eu estava em uma cama de hospital, os lençóis brancos um conforto frio contra meu corpo machucado.

Meu corpo doía, uma sinfonia de dor da noite anterior, mas era a dor surda na minha alma que realmente me aleijava.

Meu celular, milagrosamente intacto, vibrou na mesa de cabeceira. Peguei-o, meus dedos desajeitados.

Um número desconhecido. Quase ignorei, mas algo me compeliu a atender.

— Alô? — Minha voz estava rouca, mal um sussurro.

— Alice? É você?

Uma voz profunda e familiar. Gabriel. Gabriel Ferraz. Meu amigo de infância. O bilionário da tecnologia que eu não via há anos.

— Gabriel? — Minha mente girou. Por que ele estava ligando agora?

— Alice, eu sei que isso vai parecer loucura, mas... é sobre o seu bebê. — A voz dele estava urgente, tensa.

Minha mão voou para minha barriga, um instinto protetor.

— O que tem meu bebê? — Um pavor frio se infiltrou em meus ossos. Carlos tinha feito mais alguma coisa?

— Esse bebê... é meu, Alice.

As palavras dele me atingiram como um soco, roubando o ar dos meus pulmões.

— Oito meses atrás, naquela noite no baile de caridade... você estava tão chateada, tão bêbada. Você pensou que eu fosse o Carlos. Eu... eu não deveria, mas não consegui me conter.

Meu mundo inclinou.

Meu bebê? Bebê do Carlos? Não. Do Gabriel?

As memórias daquela noite eram um borrão de champanhe e lágrimas, uma tentativa desesperada de anestesiar a dor de outro aborto.

Lembrei-me de ser consolada, abraçada, uma sensação fugaz de calor contra o vazio frio. Mas eu tinha tanta certeza de que era o Carlos.

— Não — sussurrei, balançando a cabeça, embora ninguém pudesse ver. — Isso é impossível. É do Carlos.

— Eu sei que é difícil de acreditar — disse ele, a voz suavizando —, mas eu tenho provas. Testes de DNA. Tenho monitorado você, Alice. Sei de tudo o que eles fizeram você passar. Sei sobre os abortos, sobre a Helena, sobre o Carlos. Eu só... eu queria esperar até que você estivesse segura para te contar. Eu não suportava a ideia de eles machucarem nosso filho.

Um soluço sufocado escapou dos meus lábios.

Nosso filho.

Não do Carlos. Não uma criança que seria manchada pela crueldade deles.

Uma centelha de esperança, frágil mas insistente, acendeu dentro de mim.

Este bebê, esta vida preciosa que eu lutei tanto para proteger, era verdadeiramente minha. E do Gabriel.

— Eu ia... eu ia interromper a gravidez — admiti, as palavras com gosto de cinzas. — Eu não suportava que fosse do Carlos. Não depois de tudo.

Pensei em todas as perdas, todas as lágrimas. Este era o único que eu tinha carregado até aqui. O único que parecia real, vital, vivo.

— Não faça isso — Gabriel implorou, a voz falhando de emoção. — Por favor, Alice. Não. Vamos para a Europa, para longe de tudo isso. Eu vou proteger você, vocês dois. Apenas me diga que você vai ficar bem. Me diga que vai deixá-lo.

Uma profunda sensação de alívio me lavou, lágrimas quentes escorrendo pelo meu rosto.

Meu bebê estava seguro. Meu bebê era amado, verdadeiramente amado, por alguém que se importava.

— Sim — engasguei. — Sim, Gabriel. Eu vou deixá-lo. E vou fazê-los pagar por tudo.

A ligação terminou, me deixando em um silêncio atordoado.

Mas desta vez, não era o silêncio do desespero, mas de uma resolução feroz e inabalável.

Eu tinha um motivo para lutar, um novo futuro para construir.

E um novo aliado. Gabriel. E meu bebê.

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