
O Anseio Dele, Meu Coração Desfalecente
Capítulo 3
"Você tem que pedir dinheiro a ele, Helena!", o aperto da minha mãe no meu braço era feroz, suas unhas cravando na minha carne. Seus olhos, geralmente tão calculistas, agora estavam arregalados de pânico. "Ele nos deve isso! Seu pai está morrendo!"
Eu recuei, puxando meu braço. Meu rosto estava frio, minha voz desprovida de emoção. "Ele me odeia, mãe. Ele não vai nos dar um centavo."
Tapa!
O estalo agudo ecoou no corredor estéril do hospital. Minha bochecha ardeu, uma sensação de queimação se espalhando pelo meu rosto. Minha mãe me encarou, seus olhos ardendo de fúria. "Inútil! Você é uma completa inútil!"
Meus lábios tremeram, mas nenhum som escapou. Um frio amargo se infiltrou em meu coração. Lembrei-me de outra época, três anos atrás, quando outro homem havia ameaçado tudo.
Retrospectiva
Gustavo Neves. Ele me interceptou, seu rosto uma máscara de charme sinistro. "Eu tenho provas", ele ronronou, "do caso da sua mãe. Um escândalo que destruiria sua família e a reputação de Rodrigo por associação."
Então, a oferta. "Deixe o Rodrigo. Rompa publicamente seu noivado. Em troca, eu fornecerei os fundos para salvar o negócio da família dele. E o seu."
Eu vi Rodrigo então, abatido e desesperado, lutando para manter sua família à tona. Seus ombros, geralmente tão largos e confiantes, estavam curvados com o peso da responsabilidade. Meu coração doía ao vê-lo tão quebrado.
Se deixá-lo, se ser mal compreendida, significasse salvá-lo, então que assim fosse. Meu amor por ele era absoluto. Eu assumiria qualquer dor, qualquer infâmia, se isso significasse sua sobrevivência.
Peguei o dinheiro de Gustavo, salvando ambas as nossas famílias da ruína. Então, encontrei Rodrigo. Disse coisas odiosas, coisas que o cortariam profundamente, afastando-o, fazendo-o acreditar que eu era a mulher gananciosa e oportunista que ele agora pensava que eu era. Tinha que ser convincente.
Eu nunca pensei que o veria novamente, não daquele jeito. Não como meu marido.
Fim da Retrospectiva
Mas o destino tinha outros planos. No dia seguinte, o pai de Rodrigo me procurou. "Helena", ele disse, seus olhos gentis, "eu entendo a posição difícil em que você estava. Meu filho... ele precisa de uma esposa. Ele precisa de você."
Ele estava me oferecendo um caminho de volta, uma maneira de estar perto de Rodrigo, mesmo que fosse sob falsos pretextos. Inicialmente, eu recusei. Meu coração estava partido, meu orgulho em frangalhos.
Então, na manhã seguinte, minha família recebeu uma quantia substancial da família de Rodrigo. Era um arranjo, uma transação. Minha família, gananciosa e oportunista, havia me vendido.
Rodrigo, forçado a um casamento que não queria, me odiava desde então. Ele acreditava que eu havia orquestrado tudo, usando seu pai para prendê-lo.
Saí do quarto de hospital do meu pai, a dor familiar no meu abdômen se intensificando. Engoli um analgésico a seco, tentando ignorar o gosto amargo da minha própria vida.
Então eu a vi.
Parada logo na esquina, seu cabelo loiro capturando a luz forte do hospital, estava Carla Costa. Minha melhor amiga. E a mulher que Rodrigo amava.
Nossos olhos se encontraram. Desviei o olhar rapidamente, tentando escapar, evitar o confronto inevitável. Meu coração martelava no peito.
"Helena!", sua voz, doce, mas afiada, me parou.
Cerrei a mandíbula, meus dentes rangendo, mas continuei andando. Eu não podia encará-la agora.
"Oh, Helena", ela arrulhou, alcançando-me, sua mão pousando levemente em meu braço. Seus olhos, geralmente tão gentis, agora tinham um brilho de triunfo malicioso. "Ouvi dizer que sua família está falindo. Que triste."
Parei, virando-me lentamente para encará-la. "Some daqui, Carla", eu disse, minha voz fria, um contraste gritante com meu tom gentil habitual.
Um sorriso zombeteiro brincou em seus lábios. "O Rodrigo está comigo", ela sussurrou, inclinando-se mais perto, seu hálito quente contra minha orelha. "Ele esteve aqui a noite toda, preocupado com a minha condição. Estávamos falando sobre nosso futuro."
Meu coração se contorceu, uma dor crua e excruciante. Eu sabia disso, é claro. Eu sabia há muito tempo. Mas ouvir isso dela, entregue com tanta satisfação cruel, era um tipo diferente de tortura.
"Ótimo", eu disse, forçando um sorriso. Parecia que meu rosto ia rachar. "Então vocês dois podem discutir o divórcio também. Vou facilitar para ele."
Carla riu, um som quebradiço e zombeteiro. "Oh, Helena. Você não vê? Ele não vai se divorciar de você. Ele vai te manter amarrada a ele, só para te fazer infeliz." Seus olhos brilharam com um brilho predatório. "É a vingança dele, querida. Por tudo que você o fez passar."
Ela se inclinou ainda mais perto, sua voz caindo para um sussurro teatral. "Você sabia... ele nunca sequer te tocou? Ele me contou. Ele disse que você era... suja."
Uma onda de náusea me invadiu. Minha visão embaçou. Ela estava insinuando que eu estive com Gustavo, que eu estava manchada. A mentira que ele acreditava.
"Tire suas mãos imundas de mim, Carla!", rosnei, empurrando-a com uma súbita e inesperada onda de raiva.
Ela tropeçou para trás, perdendo o equilíbrio. Seus olhos, arregalados de choque fingido, encontraram os meus assim que ela atingiu o chão. Ela caiu com força, um baque surdo ecoando no corredor deserto.
Nesse momento, Rodrigo irrompeu pelas portas duplas no final do corredor, seus olhos examinando a cena. Ele viu Carla no chão, seu rosto pálido, seus lábios tremendo. E ele me viu, de pé sobre ela, minha mão ainda estendida do empurrão.
Seus olhos, quando encontraram os meus, eram mais frios que o gelo do Ártico. Ódio puro e não adulterado.
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