
O Amor Tóxico Que Quase Me Destruiu
Capítulo 2
Eu segurava um envelope pesado quando entrei no escritório de Breno dois dias depois. O papel grosso estalava com o peso da minha decisão. Ele estava ao telefone, rindo, o nome de Aimée um som frequente e leve em sua conversa. Ele nem levantou a cabeça quando entrei.
"Breno", eu disse, minha voz neutra, desprovida de emoção. Coloquei o envelope em sua mesa. Continha o acordo de separação autenticado, redigido pelo meu advogado.
Ele olhou para o envelope, depois de volta para o telefone. "O que é isso, Jade? Mais drama?" Seu tom era desdenhoso.
Engoli em seco, a amargura subindo pela minha garganta. "É o término do nosso relacionamento. Tudo. Formal."
Ele revirou os olhos, finalmente desligando a chamada com um suspiro. "Jade, podemos conversar sobre isso mais tarde. A Aimée precisa que eu a ajude a escolher cortinas novas para a cobertura."
Meu sangue gelou. A cobertura. Nossa casa. "Você esqueceu o que aconteceu há duas noites?", perguntei, minha voz tremendo agora. "Minha mãe morreu. Por sua negligência. Porque você a escolheu em vez da minha mãe moribunda."
Ele se encolheu, o primeiro sinal de desconforto genuíno que eu via em semanas. "Jade, isso é injusto. Eu fiz tudo que pude. A crise de pânico da Aimée foi grave. Os médicos disseram que foi por um fio."
"Por um fio por uma crise de pânico?", zombei, uma risada amarga escapando dos meus lábios. "Enquanto minha mãe lutava pela vida."
Ele se levantou, contornou sua mesa e tentou pegar minha mão. Eu a puxei de volta. "Olha, sinto muito pela sua mãe. De verdade. Mas você não pode me culpar por tudo. É isso que você quer, não é? Uma grande indenização? Tudo bem." Ele gesticulou vagamente para o envelope. "Apenas diga o seu preço. Posso assinar um cheque."
Meu queixo caiu. Ele achava que eu estava ali por dinheiro. Depois de tudo. Ele achava que a morte da minha mãe, meu coração partido, minhas palavras roubadas, poderiam ser quantificados por um valor em reais.
"Uma indenização?" Minha voz era quase um sussurro, cheia de uma descrença crua e agonizante. "Você acha que isso é sobre dinheiro?" O insulto doeu mais do que qualquer golpe físico.
Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, a porta se abriu novamente. Aimée. Ela entrou dramaticamente na sala, uma mão pressionada na têmpora. Seus olhos estavam arregalados, sua vulnerabilidade uma arte praticada.
Breno correu imediatamente para o lado dela. "Aimée, querida, o que há de errado?" Sua preocupação foi instantânea, seu foco inteiramente nela. Eu poderia muito bem ser um fantasma.
Aimée se aninhou em seu abraço. "Ah, Breno, eu só precisava te contar. Encontrei as cortinas mais perfeitas para a sala de estar! Aquelas que você disse que ficariam tão bem na sua cobertura." Ela então voltou seu olhar para mim, um sorriso doentiamente doce brincando em seus lábios. "Você não acha, Jade? Elas realmente vão iluminar nosso novo lar."
Meu sangue virou gelo. "Sua cobertura?", ecoei, as palavras pesadas e dormentes na minha língua. Aquela cobertura não era apenas um prédio; era onde Breno e eu havíamos construído uma vida, onde ele me prometera um futuro. Era onde celebrávamos nossos triunfos, lamentávamos nossas perdas e sussurrávamos nossos segredos mais profundos. Era nosso santuário.
Ele viu o choque no meu rosto, a dor crua em meus olhos. Mas em vez de me acalmar, ele apertou o braço em volta de Aimée. "Sim, Jade. A Aimée vai se mudar para cá. Ela precisa de um ambiente estável depois de tudo que passou."
"Mas... essa é a minha casa!", gritei, minha voz se elevando. "Você me prometeu. Você disse que envelheceríamos lá!" Meu coração estava se partindo, o som ecoando em meus próprios ouvidos.
Ele endureceu o olhar. "A Aimée precisa mais. Ela sacrificou tanto por mim, Jade. Ela salvou minha vida." Ele falou como se o heroísmo fabricado de Aimée superasse uma vida inteira de sonhos compartilhados. "Você é forte. Você encontrará outro lugar."
Aimée, sentindo a convicção de Breno, recuou um pouco, suas lágrimas falsas brotando. Ela enxugou os olhos com um lenço delicado. "Ah, Breno, não quero causar problemas. Talvez... talvez eu não devesse. A Jade parece tão chateada." Sua voz era quase um sussurro, uma performance projetada para obter o máximo de simpatia.
O rosto de Breno se suavizou instantaneamente. Ele acariciou o cabelo dela. "Besteira, querida. Você merece isso. A Jade está apenas sendo irracional." Seus olhos piscaram para mim, frios e desapontados. "Você está agindo como uma criança, Jade. A Aimée está passando por muita coisa agora."
Ele levou Aimée para fora do escritório, seu braço firmemente em volta dela. Ao passarem, Aimée olhou para trás para mim, um pequeno sorriso triunfante brincando em seus lábios antes de desaparecer na esquina. Foi um momento fugaz, mas confirmou todas as suspeitas sombrias que eu tinha. Não se tratava de vulnerabilidade; tratava-se de poder.
Fiquei ali, sentindo o vazio do escritório, a dor oca no meu peito. Minha casa. Perdida. Substituída.
Mais tarde, voltei para a cobertura. A chave ainda parecia familiar na minha mão, mas o apartamento em si parecia estranho. As malas de Aimée já estavam empilhadas perto da porta, uma reivindicação agressiva do meu espaço. Malas baratas e coloridas contrastavam com a decoração sofisticada que eu havia escolhido meticulosamente.
Caminhei entorpecida até o quarto da minha mãe, seu cheiro ainda pairando fracamente no ar. Eu precisava juntar suas coisas, me agarrar a algum fragmento de sua memória. Dentro de sua caixa de joias, notei imediatamente. O colar de pérolas, um presente do meu pai, estava faltando.
Meu coração martelava contra minhas costelas. Era uma peça simples e elegante, mas inestimável para nós. Perguntei à Sra. Helena, nossa governanta, uma mulher gentil que estava conosco há anos.
"Ah, Dona Jade", disse ela, torcendo as mãos, seus olhos arregalados de preocupação. "Aquela moça, a Aimée... ela esteve aqui ontem. Disse que o Sr. Breno a mandou para 'organizar' as coisas."
Meu sangue gelou. Corri de volta para a sala de estar. Aimée estava lá, empoleirada na beirada de um sofá de veludo, usando casualmente as pérolas da minha mãe. Elas brilhavam em seu pescoço, um branco gritante contra sua pele pálida.
"Onde você conseguiu isso?" Minha voz era afiada, cortando o silêncio.
Ela olhou para cima, fingindo surpresa. "Ah, isso? O Breno me deu esta manhã. Disse que era um presentinho para me dar as boas-vindas ao meu novo lar." Ela tocou as pérolas, seu sorriso se alargando. "Não é lindo?"
A raiva, pura e não diluída, surgiu dentro de mim. "Isso pertencia à minha mãe!" Eu avancei, minhas mãos alcançando o colar.
Breno, que acabara de entrar, viu meu movimento. Ele reagiu instantaneamente, um borrão de fúria protetora. Ele agarrou meu braço, torcendo-o atrás das minhas costas. "Jade! Que diabos você está fazendo?"
Gritei, uma dor aguda subindo pelo meu braço. Cambaleei para trás, caindo com força no chão de mármore. Minha cabeça bateu na pedra fria com um baque surdo. O mundo girou por um momento.
"Como você ousa atacar a Aimée!", Breno rugiu, seu rosto contorcido de raiva. Ele ficou sobre mim, suas mãos ainda tremendo da força de me empurrar. Aimée, enquanto isso, se agarrava a ele, choramingando dramaticamente.
"Ela roubou as pérolas da minha mãe!", ofeguei, segurando minha cabeça latejante.
Aimée choramingou mais alto. "Eu não roubei! O Breno me deu! Pensei que fossem para mim!" Ela fez um show de tentar tirá-las. "Aqui, pegue. Não as quero se causarem tanto problema."
"Não!", Breno retrucou, sua voz firme. Ele a impediu, puxando-a para perto. "Fique com elas, Aimée. São suas agora." Ele me olhou de cima a baixo. "Você está realmente tão desesperada por dinheiro, Jade? Essas bugigangas? Eu te disse, diga o seu preço e eu te dou um cheque. Pare de fazer cena."
Lágrimas escorriam pelo meu rosto, quentes e ardentes. Não pela dor física, mas pela humilhação lancinante, pela pura audácia de suas palavras. Ele viu minhas lágrimas, mas não viu nada além de ganância. Seus olhos estavam desprovidos de qualquer reconhecimento da mulher que ele um dia amou, substituídos por um desdém frio.
"Você realmente se tornou um estranho, Breno", sussurrei, as palavras com gosto de cinzas.
Ele zombou. "E você, Jade, se tornou um constrangimento." Ele levou Aimée embora, seu braço ainda protetoramente em volta dela. "Voltarei mais tarde para discutir sua... compensação." Sua voz pingava desprezo.
Fiquei ali, no mármore frio, ouvindo seus passos se afastarem, depois os sons abafados de risos e intimidade do andar de cima. A cobertura, antes meu santuário, agora parecia uma gaiola dourada.
Minha mão instintivamente foi para o meu bolso. O acordo de separação. O papel parecia sólido, real. Um farol de esperança na escuridão sufocante.
Contei as horas. Mais cinquenta e três. Mais cinquenta e três horas até eu estar livre dele, livre desta vida, livre para reconstruir das cinzas.
Você pode gostar





