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Capa do romance O Amor Oculto Dele, O Arrependimento Cego Dela

O Amor Oculto Dele, O Arrependimento Cego Dela

Após cinco anos de dedicação total a Júlia, abdicando até de um sonho em Paris, vi meu casamento ruir em segundos. Durante um jantar com Caio, o ex dela, um acidente com sopa fervente revelou a verdade: Júlia protegeu o antigo amor, ignorando minhas queimaduras graves. Abandonado no hospital enquanto ela socorria o outro, recebi o aviso de que minha bolsa de artes foi reativada. Decidi, então, deixar o passado para trás e retomar a vida que sacrifiquei por ela.
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Capítulo 2

Júlia ergueu os olhos do risoto quando Arthur voltou, seu rosto estranhamente sereno.

"Quem era?", ela perguntou, o tom casual, com uma pitada de acusação pela interrupção.

Arthur voltou para sua cadeira. "Apenas a diretora do meu antigo orfanato", ele respondeu, a voz calma. "Ligando para saber como estou."

Ela deu um "ah" evasivo e sua atenção foi novamente capturada pela tela do celular.

Naquela noite, Arthur ficou acordado em seu quarto separado, a luz da lua listrando o chão. Por cinco anos, este quarto fora seu santuário e sua prisão. Ele encarou o teto, não com angústia, mas com uma estranha e calma sensação de finalidade. A decisão estava tomada. O caminho estava claro.

Na manhã seguinte, no café da manhã, Júlia empurrou seu prato de torrada com abacate.

"O pão está velho", disse ela, torcendo o nariz.

Arthur não ergueu os olhos de seu próprio prato. "Comprei naquela padaria que você gosta na Rua das Palmeiras."

Ele manteve a cabeça baixa, dando uma mordida lenta na torrada. O que ele não disse foi que a comprara ontem, sabendo que estaria amanhecida hoje. Foi um pequeno e mesquinho ato de rebelião, o primeiro de muitos. Ele estava começando a se desembaraçar da teia de preferências dela.

Júlia não insistiu no assunto. Estava ocupada demais olhando para o celular, sua expressão uma mistura de ansiedade e antecipação. Arthur sabia o que ela estava esperando. Estava esperando uma mensagem de Caio, confirmando seus planos para o almoço. Ele vira o nome piscar na tela dela pouco antes de ela descer.

Um momento depois, o celular dela vibrou. Um sorriso brilhante floresceu em seu rosto, iluminando suas feições de uma forma que Arthur não via dirigida a ele há anos. A visão não o machucava mais. Era apenas um dado. Uma informação confirmando sua decisão.

Ele a observou por mais um momento, então pegou a pasta ao lado de sua cadeira e tirou um envelope pardo. Ele havia preparado isso meses atrás, depois do episódio da gripe. Depois de ouvi-la sussurrar o nome de Caio em seu sono.

Ele o colocou sobre a mesa.

"Júlia", disse ele, a voz calma e firme. "Precisamos nos divorciar."

"Uhum, tudo bem", ela murmurou, os polegares voando pela tela enquanto ela digitava. Ela não tinha ouvido uma palavra.

Arthur não se surpreendeu. Ele esperava por isso. Por cinco anos, ele fora um ruído de fundo.

Ele abriu a pasta e a virou para ela, deslizando-a pela madeira polida. Ele bateu o dedo na última página.

"Preciso que você assine aqui."

Ela ergueu o olhar, irritada com a segunda interrupção. Sem ler uma única palavra, ela pegou a caneta que ele ofereceu e rabiscou sua assinatura elegante na linha. Ela já estava pensando no que vestiria para almoçar com Caio.

Arthur pegou o documento com cuidado, suas mãos firmes. Ele o guardou em segurança de volta em sua pasta.

"Vou me mudar na sexta-feira", disse ele.

"Claro, tanto faz", ela respondeu, pegando a bolsa. Ela se levantou, pronta para sair.

Quando ela chegou à porta, algo fez Arthur falar uma última vez. "Júlia."

Ela parou, virando-se com um suspiro impaciente.

"Você ouviu o que eu disse?", ele perguntou.

Ela olhou para ele, a testa franzida em genuína confusão. "Sobre o quê? Se mudar? Você vai fazer outra daquelas suas pequenas viagens de pintura? Tudo bem, só certifique-se de que a casa esteja abastecida antes de ir."

Uma risada amarga e sem humor escapou dos lábios de Arthur. Ela não tinha ouvido. Não tinha escutado. Nem sequer registrou a palavra "divórcio". Claro que não. Por que ela o faria? Ele era apenas parte da mobília.

Ele balançou a cabeça, um pequeno e triste sorriso brincando em seus lábios. "Deixa pra lá. Tenha um bom dia."

Ela deu de ombros, virou-se e saiu pela porta, sua mente já a quilômetros de distância.

Arthur não se moveu por um longo tempo. Ele olhou ao redor da silenciosa e opulenta sala de jantar, uma gaiola dourada da qual ele finalmente estava prestes a escapar.

Naquela tarde, Arthur dirigiu até o orfanato. Era um prédio modesto, mas alegre, nos arredores da cidade, um mundo distante da mansão de Júlia. Ele encontrou Dona Glória em seu escritório, cercada por pilhas de livros e desenhos de crianças.

"Eu vou", disse Arthur, sem rodeios. "Vou me matricular. Vou para Paris."

O rosto de Dona Glória se abriu em um sorriso largo e aliviado. Ela se levantou e o abraçou com força. "Oh, Arthur. Estou tão feliz por você. Já estava na hora."

Ela se afastou, sua expressão tornando-se séria. "Sabe, eu fiquei com tanta raiva quando você abriu mão daquela bolsa há cinco anos. Um desperdício do seu talento divino."

Ela suspirou. "Mas você ainda é jovem. Você tem a vida inteira pela frente. E a Júlia? Um casamento à distância será difícil."

Arthur olhou pela janela para as crianças brincando no pátio, seus gritos e risadas enchendo o ar. Ele balançou a cabeça lentamente.

"Estamos divorciados, Dona Glória."

Os olhos dela se arregalaram de surpresa, depois se suavizaram com um suspiro que parecia carregar o peso dos últimos cinco anos. "Eu tinha a sensação de que isso poderia acontecer. Honestamente, filho, acho que é o melhor."

Ela deu um tapinha em seu braço, seu toque gentil e reconfortante. "Aquela garota... ela nunca esteve no seu mundo."

Arthur sorriu, um sorriso genuíno e caloroso desta vez. Ele a abraçou de volta, sentindo uma profunda sensação de alívio tomar conta dele.

"Eu sei", disse ele. "E isso é bom. É muito bom."

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