Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance O Amor na Vaga 23

O Amor na Vaga 23

Ao herdar o apartamento de seu avô em São Paulo, um jovem acredita que iniciará uma fase tranquila. Contudo, a vaga de garagem 23 torna-se o centro de um conflito sombrio. O vizinho, Sr. Silva, reivindica o espaço e inicia uma perseguição implacável: vandaliza o carro, inunda a residência e furta memórias preciosas do falecido. Diante de ataques furtivos e cruéis, a vítima questiona se a justiça conseguirá deter um homem tão perverso e sem escrúpulos.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 3

A câmera chegou numa sexta-feira. Passei a tarde instalando-a discretamente no para-brisa do meu Celta. O fio passava por dentro do forro do teto, quase invisível. Configurei o modo de estacionamento e senti uma pequena sensação de segurança. Pela primeira vez, eu teria olhos onde não podia estar.

A paz, no entanto, durou pouco. No sábado de manhã, desci para ir ao mercado e encontrei uma nova forma de provocação. Dona Silva, a esposa do vizinho, havia colocado duas latas de lixo grandes e fedorentas bem no meio da minha vaga, bloqueando completamente a passagem. Ela estava varrendo a porta do seu próprio apartamento no corredor e me viu chegar. Abriu um sorriso satisfeito e virou as costas, entrando em casa como se nada tivesse acontecido.

Respirei fundo. Discutir não adiantaria. Decidi usar a inteligência, não a força. Peguei meu celular e liguei para o serviço de reboque da prefeitura, o mesmo que leva carros estacionados em locais proibidos.

"Bom dia, gostaria de reportar um bloqueio indevido de via particular dentro de um condomínio. Há objetos obstruindo minha vaga de garagem e preciso de remoção."

Expliquei a situação. A atendente, surpreendentemente, foi solícita e disse que enviaria uma equipe, já que obstruir acesso era uma infração.

Uma hora depois, um pequeno caminhão de reboque com o logo da prefeitura entrou na garagem. Dois funcionários uniformizados desceram. O barulho do caminhão chamou a atenção de alguns vizinhos, que apareceram nas janelas.

Apontei para as latas de lixo. Os funcionários olharam, um pouco confusos.

"São só essas latas, chefe?" , um deles perguntou.

"Sim. Estão bloqueando minha vaga. É propriedade privada."

Eles deram de ombros, provavelmente acostumados com todo tipo de chamado bizarro. Quando estavam prestes a pegar as latas, a porta do elevador se abriu com um estrondo. Era o Sr. Silva, vermelho de fúria.

"O que vocês pensam que estão fazendo? Tirem as mãos daí! Isso é meu!"

O funcionário do reboque, um homem grande e calmo, respondeu:

"Senhor, recebemos uma chamada sobre obstrução. Essa vaga é do rapaz aqui. O senhor não pode colocar suas coisas no espaço dos outros."

"Isso é um absurdo! É só lixo! Vou colocar onde eu quiser! Vou ligar para os meus contatos na subprefeitura agora mesmo!" , ele gritava, pegando o celular.

Foi nesse momento que a síndica, Dona Marta, finalmente apareceu, atraída pela comoção. Ela parecia apavorada.

"Seu Silva, por favor, calma. O que está acontecendo?"

Eu me adiantei, falando em um tom firme, mas educado.

"Dona Marta, a família do Sr. Silva está usando minha vaga como depósito de lixo. Eu pedi para removerem, eles se recusaram. Chamei o serviço da prefeitura, que é o procedimento correto."

A síndica olhou para o Sr. Silva, depois para mim, claramente sem saber o que fazer. O funcionário do reboque, querendo encerrar o assunto, disse:

"Olha, a gente não vai levar o lixo. Mas o senhor" , ele apontou para o Sr. Silva, "tem que tirar isso daqui agora. Se não tirar, eu chamo a viatura por desacato e obstrução. A escolha é sua."

A menção da polícia fez o Sr. Silva hesitar. Ele fuzilou a síndica com o olhar, como se a culpa fosse dela. Resmungando palavras incompreensíveis, ele e a esposa, que havia surgido atrás dele, arrastaram as latas de lixo para o canto, liberando a minha vaga. Eles não me olharam, mas a hostilidade era palpável. O ar estava denso de ódio. O funcionário do reboque me deu um aceno de cabeça e foi embora.

A vitória foi pequena, mas significativa. Mostrou que eu não seria facilmente intimidado. No entanto, eu sabia que aquilo teria consequências. O olhar de Dona Silva prometia vingança.

E a vingança veio na madrugada de segunda-feira. Por volta das três da manhã, fui acordado por uma notificação no meu celular. Era o aplicativo da câmera veicular. "Impacto detectado no seu veículo".

Meu coração disparou. Pulei da cama e abri o aplicativo. A câmera, em modo de estacionamento, havia gravado um clipe de 30 segundos. A imagem era em preto e branco, granulada pela visão noturna, mas inconfundível.

A gravação mostrava duas figuras se aproximando do meu carro. Uma era Dona Silva, que ficou de vigia, olhando para os lados. A outra, um senhor mais velho e curvado, que eu reconheci como o pai do Sr. Silva, o Aposentado Oliveira. Ele tirou algo do bolso. Parecia uma chave de fenda ou um furador de gelo. Com um esforço visível, ele se agachou e perfurou os dois pneus do lado direito do meu Celta. O som do ar escapando foi captado pelo microfone da câmera.

Terminada a tarefa, os dois se afastaram rapidamente, desaparecendo na escuridão.

Eu tinha a prova. A prova irrefutável. Salvei o vídeo no meu celular e no meu computador. Senti uma onda de fúria, mas também de alívio. Eles caíram na armadilha.

Na manhã seguinte, desci e encontrei meu carro com os dois pneus murchos, encostado no chão da garagem. A cena era patética. Mas eu não sentia mais impotência.

Peguei o celular e, sem hesitar, postei o vídeo no grupo de WhatsApp do condomínio. Não escrevi nada acusatório. Apenas uma legenda simples:

"Bom dia a todos. Infelizmente, meu carro foi vandalizado novamente esta noite. Compartilho o vídeo da câmera de segurança. Se alguém reconhecer as pessoas no vídeo, por favor, entre em contato comigo ou com a polícia. Já estou a caminho da delegacia para registrar um boletim de ocorrência."

O efeito foi instantâneo. O grupo, antes silencioso, explodiu. Mensagens começaram a pipocar. "Meu Deus, que absurdo!", "Isso é crime!", "Eu não acredito!".

A resposta da família Silva veio, desesperada e raivosa, pela voz do próprio Sr. Silva.

"ISSO É UMA MONTAGEM! UMA CALÚNIA! MEU PAI É UM IDOSO DE 80 ANOS, DOENTE DO CORAÇÃO! ELE MAL CONSEGUE ANDAR! ESSE MOLEQUE ESTÁ FORJANDO VÍDEOS PARA NOS PREJUDICAR!"

Mas era tarde demais. O vídeo era claro. A covardia do ato, usando um idoso para cometer o crime enquanto a esposa vigiava, chocou a todos.

Dona Silva também se manifestou:

"Meu sogro estava passando mal a noite toda! Temos como provar! Você vai pagar por essa acusação falsa, seu marginal!"

Eu não respondi mais nada no grupo. A semente do caos estava plantada. Vesti uma roupa, peguei os documentos e o vídeo e liguei para o 190.

"Polícia Militar, emergência."

"Bom dia. Eu gostaria de reportar um crime de dano com provas em vídeo. Os criminosos são meus vizinhos e ainda estão no prédio."

Dei o endereço e expliquei a situação brevemente. A atendente disse que uma viatura estava a caminho.

Vinte minutos depois, o interfone tocou.

"Seu Ricardo, a polícia está aqui na portaria."

"Pode deixar subir, seu Osvaldo."

Desci para a entrada do prédio e encontrei dois policiais militares. Mostrei a eles o vídeo no meu celular e os pneus furados na garagem. Eles assistiram, sérios.

"O senhor sabe em qual apartamento eles moram?" , um dos policiais perguntou.

"Sim. Apartamento 502."

Subimos todos no elevador. O silêncio era tenso. Quando chegamos ao quinto andar, os policiais bateram na porta do 502.

Ninguém atendeu.

Bateram de novo, mais forte.

"Polícia! Abra a porta!"

Lá de dentro, veio a voz do Sr. Silva, abafada.

"Não abro! Vocês não têm mandado!"

O policial respondeu, paciente, mas firme.

"Senhor, não precisamos de mandado. Estamos aqui por uma denúncia de crime flagrante, com registro em vídeo. Se o senhor não abrir, será pior. Podemos chamar reforços e arrombar a porta por obstrução da justiça."

Um silêncio tenso se seguiu. Podíamos ouvir sussurros e movimentação dentro do apartamento. A guerra de nervos tinha começado. E eu estava ali, com a polícia ao meu lado, pronto para ir até o fim.

---

Continue assistindo!
A história está ficando intensa! Mude para o App para continuar
Desbloquear Todos os Episódios
Abrir o Site Oficial

Você pode gostar

Capa do romance A garota que tentaram apagar
9.3
Após ser incriminada pela filha biológica dos Morgan e presa injustamente, Maia recupera sua liberdade quatro anos depois. Ela se casa com Chris, um homem visto por todos como um bastardo inútil. Enquanto o mundo espera sua ruína, Maia revela ser uma gênio multitalentosa, de hacker a designer. Quando sua antiga família ressurge implorando perdão, ela descobre que Chris é um magnata poderoso que sempre a protegeu em segredo por amor.
Capa do romance Antologia Picante
8.7
Explore uma coletânea de contos eróticos focada em imersão total. Sem descrições físicas, o leitor pode se projetar em cenários excitantes. As protagonistas femininas são chamadas de Jane Doe para manter o anonimato. A obra aborda diversas parafilias e temas intensos como BDSM, ménage, incesto, age gap, fetiches e sexo em público. Prepare-se para uma antologia sem filtros, ideal para quem busca explorar fantasias variadas e experiências sensoriais únicas.
Capa do romance Arrependimento mais barato que poeira
8.8
Em Seavelt, o Dr. Ethan Caldwell é conhecido por evitar mulheres. Mesmo após dez anos juntos, ele nunca permitiu que eu o tocasse. Após me humilhar ao enviar outros homens para o meu quarto, tentei o suicídio. Ao acordar, Ethan pareceu ceder, mas logo o flagrei com outra mulher, demonstrando um afeto que nunca recebi. Ele me insultou, alegando que ela era pura, ao contrário de mim. Diante do desprezo cruel, decidi colocar um fim definitivo na nossa relação.
Capa do romance Desejos Proibidos: Enlaçada pelo Meu Irmão Postiço
9.1
Sete anos após uma noite intensa com Aaron Coleman, descubro que ele se tornará meu meio-irmão. O reencontro é um choque: ele é a inspiração secreta do meu best-seller erótico, um segredo que apenas Juliet conhece. Relembro o momento em que ele descobriu minha virgindade e o perigo que senti em seus braços. Agora, forçada a conviver com ele devido ao casamento de nossos pais, enfrentarei semanas de tensão que superam todo o meu passado.
Capa do romance Destino...
8.3
Após sete anos marcados por dores profundas e perdas irreparáveis, surge um período de superação e grandes vitórias. No entanto, em meio a fugas, traições e ambições desmedidas, uma questão permanece: poderá o passado obscurecer o que foi traçado? Entre falsidades e superações, o futuro desafia a força do que é predestinado. Descubra se o destino será capaz de promover a união definitiva ou se as cicatrizes de outrora ditarão o fim dessa jornada.
Capa do romance Destruição de Obras, Destruição de Alma
7.9
Explorada pelos pais adotivos, uma talentosa ceramista vê sua vida mudar quando o empresário Ricardo busca sua filha perdida. Surge então Patrícia, uma rival que usa sabotagem e veneno para roubar seu lugar. No entanto, a protagonista percebe que já viveu esse pesadelo antes. Munida de memórias do futuro e cansada de ser vítima, ela decide antecipar cada golpe da impostora. A vingança contra a família Silva e Patrícia será implacável nesta nova chance.