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Capa do romance O amor do CEO na armadilha

O amor do CEO na armadilha

Gabriella viu sua vida pacata desmoronar quando a empresa Quebracha destruiu sua única herança: a casa dos pais. Ao confrontar Max Evans, o implacável CEO, um incidente inesperado os coloca em conflito direto. Enquanto ela clama por justiça e pela inocência perdida, Max a acusa de ser uma espiã corporativa tentando sabotar seus negócios. Em meio a acusações e suspeitas de uma armação maior, será que a verdade unirá esses dois mundos e derreterá o coração de Max?
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Capítulo 3

"Você vai assinar esta carta direito ou não?" Wesley perguntou, fazendo um esforço visível para manter a calma.

"Como assim? Já assinei", Catalina respondeu, franzindo a testa. Toda a cortesia havia desaparecido de sua voz.

"Ótimo! Depois não adianta reclamar se algo acontecer com sua casinha."

"Espera aí! Já assinei, tá bom? Agora você não tem mais direito de invadir minha propriedade."

"Boa tarde!"

Wesley saiu, deixando para trás uma nuvem visível de frustração. Era raro ele perder tanto o controle de suas emoções.

"Aquela garota é completamente maluca", resmungou o CEO ao entrar no carro. O homem ao volante lhe lançou um olhar curioso.

"O que houve?"

"Me serviu café apimentado, água salgada, e nem uma gota d'água de verdade para limpar a boca", queixou-se Wesley com evidente nojo.

"Sério? E o que você fez pra aliviar?"

As pálpebras do CEO repentinamente se imobilizaram. A lembrança suave dos lábios que beijara ainda ecoava em sua mente. Depois de piscar vigorosamente, ele empurrou a pasta em direção ao secretário.

"Esquece, melhor não falar mais nisso. O importante é que conseguimos a assinatura dela."

"Essa... assinatura é válida?" Dominic aproximou os rabiscos dos olhos, duvidoso.

"Já te falei, ela é excêntrica. Agora, vamos! Minha agenda já está atrasada por causa dessa teimosa."

Enquanto disfarçava um sorriso, o secretário que também era motorista acelerou. Deixaram para trás uma garota que os observava pela janela.

"É o que você merece por mexer com a Catalina", resmungou ela, com os lábios apertados. Um segundo depois, seus dedos subiram involuntariamente para tocar os lábios, onde a marca do beijo ainda parecia quente. Seu coração, sem que percebesse, acelerou novamente.

"Por causa daquele idiota, perdi meu primeiro beijo", queixou-se, olhando para baixo. "Ah, deixa pra lá! Pra que ficar remoendo o passado? Melhor voltar a treinar para a competição de amanhã."

O som do piano ecoou pela casa mais uma vez. A atenção de Catalina estava completamente absorvida pela partitura repleta de notas.

"Tenho que realizar o sonho da mamãe. Trazer aquele troféu pra casa e colocá-lo na sala!"

No dia seguinte, a garota voltou para casa com um sorriso estampado no rosto. "A mamãe ficaria tão feliz por eu ter passado da primeira fase", sussurrou Catalina no caminho.

Com passos leves, adentrou o beco que levava à sua casa. As ruínas à direita e à esquerda já não a incomodavam mais, pois seu coração transbordava de felicidade.

Mas os passos de Catalina congelaram subitamente. O sorriso em seu rosto se transformou num grito. "NÃÃÃO!"

A garota correu, sem se importar com o vestido que se enroscava no vento e atrapalhava seus movimentos. A cada tropeço no tecido, ela diminuía o ritmo, mas não parava.

"Por favor, não!" Catalina gritou enquanto o braço da escavadeira desabava sobre o telhado de sua casa. As lágrimas já rolavam livremente. "Parem! Não destruam minha casa!"

As máquinas pesadas continuaram implacáveis, derrubando as paredes que a abrigaram a vida toda. Metade da construção já não passava de entulho.

"Não, não!" gritou a garota, que quase alcançava o quintal. Infelizmente, dois operários interceptaram sua passagem.

"Não pode chegar perto, moça! É perigoso!"

"Mas é a minha casa!"

"Desculpe, mas recebemos ordens pra demolir todas as casas da área."

"A minha não! Eu nunca concordei em vender! Então o que vocês estão fazendo?"

"Desculpe." Os homens a afastaram à força.

"Não! Me soltem! Parem!"

Catalina debateu-se, mas foi arrastada para longe do monstro de metal amarelo que devorava suas memórias.

"Por favor...", suplicou, num sussurro desesperançoso.

Mas a máquina continuou seu trabalho destrutivo. O monstro amarelo não entendia que, a cada parede que caía, um pedaço do coração de Catalina se desfazia junto.

"Minha casa..."

A voz de Catalina extinguiu-se no desespero. A garota não tinha mais forças sequer para se levantar. Sentada à beira da estrada, assistiu à demolição de seu último elo com o passado. Só lhe restava chorar.

"Com licença, senhor." Dominic entrou no escritório de Wesley.

"O que foi, Dominic? Por que essa cara?" perguntou o CEO, sem levantar os olhos dos documentos.

"Acabei de receber um relatório. Demoliram a casa da garota."

A caneta na mão de Wesley parou abruptamente. Ele ergueu a cabeça, piscando com força. "O que você disse?"

"A casa da Catalina foi demolida. Alguém emitiu a ordem errada usando o e-mail do nosso escritório."

Wesley pressionou a têmpora. "Quem foi? Quem teve a coragem de dar essa ordem?"

"Desculpe, senhor. A ordem saiu do seu e-mail."

O CEO encarou o secretário. "Do meu e-mail?"

"Sim, senhor", confirmou Dominic, sem coragem de manter o contato visual.

Wesley recostou-se na cadeira. Processada a informação, uma risada amarga e descrente lhe escapou.

"No final, meu instinto estava certo. Há algo muito errado nessa história." Seus olhos se fixaram em Dominic. "E a garota? O que aconteceu com ela?"

"Até agora, nada de relevante. Ela... ainda está chorando sobre os escombros da casa."

O dedo indicador do CEO começou a bater ritmicamente na mesa.

"O que aquela garota imprevisível vai fazer? Vai fazer escândalo na mídia? Nos processar?"

"Desculpe, senhor, tenho que resolver outras questões. Precisamos descobrir quem enviou essa ordem falsa. Com licença."

Dominic fez um breve aceno e se retirou, deixando Wesley com dezenas de cenários catastróficos fervilhando em sua mente.

"O que essa mulher vai fazer?", murmurou o CEO, incapaz de encontrar uma previsão que não terminasse em desastre. Tudo relacionado a Catalina era complicado e imprevisível.

"O que eu vou fazer agora?" As lágrimas escorriam pelo rosto da garota enquanto ela vasculhava os destroços. Nada podia ser salvo. As fotos dos seus pais, os óculos que ganhara no décimo aniversário, até mesmo seu amado urso polar de estimação... Todas as suas memórias mais preciosas haviam sido reduzidas a pó. "O que eu vou fazer?"

"Moça..."

Catalina virou-se. Um par de botas gastas entrou em seu campo de visão. Com o pouco de força que lhe restava, ela ergueu o olhar e viu um operário segurando seu capacete com ambas as mãos.

"Desculpe, moça. Tá ficando escuro. Melhor ir pra casa. Não é bom uma garota ficar sozinha num lugar desses."

Catalina olhou para o que restou de sua vida. Novas lágrimas começaram a se formar. "Você ainda tem uma casa pra ir... mas eu... eu não tenho mais pra onde ir."

O homem baixou a cabeça, percebendo a infelicidade de suas palavras.

"Foi mal, moça. Não foi minha intenção ofender. Mas... você não tem irmãos? Ou algum parente distante? Podia ficar com eles por um tempo."

Catalina não respondeu. Estava triste demais para explicar que não tinha absolutamente ninguém.

"Ou... quem sabe você procura o presidente da NexaCore? Ouvi dizer que ele é um homem sábio, justo. Talvez você consiga uma compensação decente."

As mãos de Catalina se cerraram com força sobre o vestido. Uma fúria intensa começou a substituir a dor.

"De que adianta? Minha casa não vai voltar."

"Mas pelo menos você pode conseguir algum dinheiro... quem sabe até um emprego. É melhor do que ficar se lamentando, não é?"

Catalina ficou imóvel. As palavras do operário a atingiram como um choque. Ele tinha razão. Agir era melhor do que se afogar em autopiedade. Quem destruiu suas memórias e esperanças não podia sair impune.

Aos poucos, a jovem se levantou, uma nova determinação brilhando em seus olhos avermelhados.

"Você sabe o endereço desse líder insensível da empresa?"

O operário assentiu silenciosamente.

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