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Capa do romance O amigo do meu melhor amigo

O amigo do meu melhor amigo

Carol e Rafael são inseparáveis desde a infância, mantendo uma amizade fraternal enquanto cursam Arquitetura e Engenharia. Tudo muda quando ela se encanta por Rodrigo, um colega de faculdade de seu melhor amigo. Carol decide pedir ajuda a Rafael para conquistar o rapaz, acreditando ser o plano perfeito. No entanto, enquanto ela se apaixona pelo novo pretendente, Rafael começa a lidar com sentimentos inesperados que colocam o vínculo entre eles à prova.
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Capítulo 3

Meus pais nunca desistiram de encontrar Gabriela, mas estavam cansados e sentiam que já não a encontrariam mais. Mas a vida nos surpreendeu quando uma tal de Luana apareceu na porta de nossa casa. Ela tinha sido deixada em um orfanato, e procurava seus pais. Quando pus meus olhos nela, eu senti dentro do meu coração, que era ela, era a nossa Gabriela. Os olhos dela, eram verdes assim como os meus, os cabelos castanhos, a pele, não sei explicar, mas eu sabia, acho que é coisa de gêmeos...

Junto com Gabriela, ou Luana, como é o nome dela agora veio mais uma família. Fábio, namorado, que logo se tornou noivo dela, Fernando irmão de Fábio, Rebeca, namorada de Fernando, e mais a família de Rebeca, e os anjinhos... é, Luana estava grávida, de gêmeos. Assim como nós! Um menino e uma menina. Eu estava muito feliz, tinha de volta minha alma metade, minha irmã gêmea, minha melhor amiga desde o ventre.

O Grande dia de Luana havia chegado. Ela colocou a mim e a Carol como padrinhos, elas vinham se tornando boa amigas, e eu estava amando toda essa interação e essa bagunça que havia se tornado a nossa casa.

Fui para a o local do casamento com meus pais, Carol, ficou de ir direto com Luana. Eu estava tranquilo, mantinha um sorriso no rosto ao ver o nervosismo de Fábio a cada segundo que se aproximava da hora do casamento. Mas poucos minutos depois, Fábio sorria, e quem estava sério era eu.

Carol havia chegado segundos antes da marcha nupcial começar, ela andava a passos largos, com um vestido longo azul claro, de um tecido que fazia-a parecer uma princesa, alças grossas e decote fundo, os cabelos soltos, com as laterais presas, com presilhas prateadas em formatos de folhas. Ela parou do outro lado do altar, sorriu para mim, daquele jeito fofo que ela sempre fazia quando estava animada, por alguns segundos me deparei com um eu que eu não conhecia. Um eu, que reparava no corpo de Carol, um eu, que queria passar as mãos naqueles cabelos... tá certo que sempre soube que ela era linda, inteligente e divertida, mas não tinha me parado para percebê-la como a mulher que ela havia se tornado. Desde a adolescência eu me pegava com ciúme dela, mas era por proteção, certo? Ou eu saberia... Mas agora a vendo ali, tão arrumada, tão bonita, senti um frio percorrer minha barriga.

No jantar de casamento ficamos sentados próximos, e eu podia sentir o perfume dela, que era o mesmo de sempre. Ela sempre usava o Biografia da Natura, ela dizia que era o único que ela não enjoava, e eu já estava acostumado. Mas hoje, aquele perfume estava me perturbando, me fazia querer respirar mais fundo, para ficar mais tempo com ele nas narinas.

Quando ela disse: - Vamos dançar? - Cheguei a tontear, mas sorri e aceitei. Eu sentia cada vibração do corpo dela, senti quando ela se virou rápido e os cabelos macios bateram no meu rosto, deixando um rastro de cheiro bom, senti quando ela pouso a mão na minha perna para chamar a minha atenção.... mas ela sempre fazia isso, e eu não me sentia assim, como se estivesse sendo sufocado pelo peito.

Desde aquele dia eu não consegui ser mais eu mesmo com ela. Eu por vezes evitei de encontrá-la na faculdade, mas ela já estava percebendo e quando ele me convidou para jantar, eu sabia que ela ia insistir até arrancar de mim, o que estava acontecendo por eu estar diferente com ela. Decidi que talvez fosse legal falar com ela sobre como me sentia, talvez ela não me desse um soco, mas talvez ela ficasse até feliz... não... ela ficaria zangada, ri sozinho pensando, que não era de duvidar que ela me chutasse nas bolas de novo. Mas eu veria como as coisas iam estar, antes de falar com ela.

Vi quando ela vinha me abanando, eu estava com Rodrigo um colega que sempre fazia trabalhos comigo. Eu vi de cara que ele se interessou por ela, e eu a conhecia a tanto tempo, que quando ela o viu, se interessou por ele também. Ela virou a cabeça para o lado, sorriu timidamente e afinou a voz levemente. Droga! Como eu poderia dizer a ela que talvez eu estivesse interessado nela, e vai que fosse loucura da minha cabeça. Vai ver eu só precisava arrumar alguém pra transar.

No restaurante Rodrigo me mandou mensagem pedindo o número dela, relutei um pouco. Por fim perguntei. - Carol... Você se interessou por Rodrigo? - Minhas pernas estavam formigando por baixo da mesa, meu coração palpitando no peito, queria que ela dissesse não, mas não foi isso que ela disse... Ela desconversou... isso queria dizer que ela se interessara por ele. Suspirei. - Rodrigo pediu seu telefone. - Disse depois de receber outra mensagem de Rodrigo insistindo. Mas ouvi-la dizer para eu mandar logo, fez doer. O coração espremeu no peito. Mas que merda eu fui fazer? Era só o que me perguntava enquanto me levantava da mesa. Mas quando ela insistiu em saber porque eu estava estranho e tocou meu braço, na saída do restaurante, senti um choque e me arrepiei, meus pêlos ouriçaram, chamando sua atenção, que retirou a mão rápido e se desculpou, mesmo sem entender.

O caminho até a casa dela foi em completo silêncio. Mas ao descer do carro ela se voltou para mim e disse o que sempre dizíamos, mas dessa vez, meu coração disparou de um jeito diferente, e eu tive vontade de beijar aquela boca sorridente.

- Rafa, eu te amo.

Parei por um momento, pensando em como esse amor podia ter se transformado, quando ela levemente franziu a testa percebi que eu a estava encarando e não disse nada. - Eu também te amo, Carol. - Consegui dizer. Virei para frente e arranquei o carro.

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