Capa do romance O aluno e a professora

O aluno e a professora

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Com o fim das aulas, um jovem de dezoito anos decide que é hora de parar de esconder seu romance com Sabrina, sua professora de vinte e três anos. Apesar do receio pela diferença de idade e do cargo dela, ele decide revelar a verdade aos pais. Embora sua mãe inicialmente o apoie em busca de sua felicidade, a reação do pai é de puro espanto. O que parecia ser o início de uma liberdade apaixonada, contudo, logo se transforma no começo de um grande pesadelo.

O aluno e a professora Capítulo 1

1º Capít lo

Quatro anos se passaram depois da minha revelação aos meus pais. No

início pareceu que meu pai não ficou muito satisfeito que eu namorasse a

Sabrina, mas depois de um tempo ele se acostumou com a ideia.

Nesse tempo eu tive altos e baixos com a Sabrina. Ela é complicada.

Quando cisma com alguma coisa, insiste até você confirmar. Minha mãe diz

que ela é mimada e que não mede esforços para conseguir o que quer.

Não acredito que seja uma coisa assim tão radical... Sabrina não faria mal a

alguém só para conseguir o que quer, não é? Eu acho que não. Ela só não sabe

ouvir um não quando quer algo. Os pais dela sempre tiveram dinheiro, mas

agora parece que o pai está tendo problemas no trabalho. Eu não sei ainda o

que é e a Sabrina fica furiosa quando tocam nesse assunto.

Meu pai milagrosamente estava em casa para o almoço e assim pude

perguntar. Ele é bem chegado ao pai da Sabrina.

— Pai?

— Oi, filho.

— O que aconteceu com o pai da Sabrina?

Ele ficou em silêncio me olhando por um momento.

— Ela não contou?

— Não. Na verdade, toda vez que alguém pergunta ela fica estressada,

então não quero tocar no assunto.

— Imagino mesmo o porquê de tanta revolta.

— Me diga então.

— O pai dela faliu.

— Faliu? Como?

— Ao que parece não pagava impostos... E também descobriram um

bocado de falcatruas na empresa dele.

— Jura?

— Qual a surpresa? Achou que ele fosse um homem honesto?

— Na verdade, achei. Você sabia que ele fazia essas coisas?

Meu pai suspirou e mexeu na comida sem prestar muita atenção ao que

fazia.

— Sim. Falei muitas vezes que um dia isso poderia dar problemas, mas ele

não quis me ouvir.

— Hum...

— Sabrina deve estar de mau humor, pois agora não terá mais a vida de

princesa que está acostumada.

— Mesmo que isso seja bem chato, ela tem emprego e ganha um salário.

Depois deve se acostumar.

Meu pai soltou uma sonora risada e eu franzi a testa. Qual a piada?

— Meu filho você não sabe que ela só está naquele emprego para encher

linguiça?

— Como assim?

— Geraldo deu um intimado. Ou ela arrumava um emprego, ou perdia a

mesada que ganha.

— Mas se ela arrumasse um emprego, qual a lógica da mesada continuar?

— A mesada é obscena, Daniel. Ele fez isso só pra ver se a Sabrina criava

um pouquinho de responsabilidade na vida. Mas pelo jeito... — A frase morreu

na boca dele e percebi que me olhou de um jeito esquisito.

— O que?

— Melhor mudarmos de assunto. Não quero que pense que estou falando

mal da sua namorada.

— Mas está? — perguntei calmo.

— Não. Só contei o que sei.

— Então pronto. Não vou achar nada.

— Tudo bem, mas vamos mudar de assunto. Chegaram dois novos

cavalos no Haras hoje. Quer conhecê-los?

— Claro. Você comprou?

— Ainda não... — Fez suspense.

— Hum... Que horas você vai?

— Depois de comer.

— Tá bom — falei sorrindo.

Adoro ficar no Haras. Principalmente quando tem algum cavalo novo.

Comecei a treinar salto há uns anos e gosto muito do que faço. Estou

pensando em começar a dar aulas lá...

Ao chegarmos ao Haras, meu pai pediu para ir até o estábulo e que os

cavalos estavam lá, mas não veio comigo. Dei de ombros e fui. Lá encontrei o

Miguel.

— Oi, Miguel. Meu pai falou que tem dois cavalos novos.

— Ah sim. Chegaram hoje de manhã. Vem cá. — Fez um movimento

pedindo para segui-lo.

Fui atrás dele e parei quando ele parou. Era um cavalo marrom com

manchas brancas. Bem bonito.

— Esse aqui tem dois anos. Disseram já ser adestrado e é bem manso. —

Passou a mão no focinho do cavalo e ele ficou parado.

— É bem bonito.

— Vamos ver o outro.

Segui ele até o fim do estábulo e assim que olhei o cavalo que estava lá

dentro, fiquei um longo momento sem piscar. Era o cavalo mais bonito que eu

já vi na minha vida! Todo preto. A crina lisa caia de um lado da cabeça e ele

brilhava de um jeito exuberante. Estava no final da baia, bem distante da porta.

Me aproximei e ele me olhou.

— Er... Sr. Daniel, não se aproxime muito...

— Por que não?

— Esse não é manso como o outro.

— É selvagem? — Virei meu rosto na direção de Miguel.

Sabe aquelas histórias de que pegam cavalos selvagens para adestrar?

Detesto esse tipo de coisa! Se o animal já está acostumado a ser livre, que

continue sendo!

— Bem, o dono diz que nasceu na fazenda dele, mas que nunca deixou

ninguém o montar.

— Sei... — Voltei a olhar o cavalo. Ele continuava no canto da baia e não

tirava os olhos de mim.

— Qual o Sr. gostou mais?

— Desse.

— Mas ele é indomesticado.

— Por que meu pai trouxe eles dois? — Voltei a olhar Miguel.

— Ele não disse?

— Não.

— Bem, então melhor perguntar a ele.

Franzi a testa e voltei a olhar o cavalo. Parecia hipnotizado. Estava do

mesmo jeito desde que me viu.

— Vou falar com ele então.

Segui até o escritório do meu pai e lá encontrei ele e o Rodrigo, que me

cumprimentou com um aperto de mão.

— E aí? Gostou deles?

— São lindos. Mas por que trouxe eles?

Meu pai sorriu largamente e eu pisquei, confuso.

— É seu presente de aniversário, filho.

Arregalei os olhos. Um cavalo? De aniversário? Será que meu pai sabe que

um presente é uma lembrança, ou uma blusa nova, ou qualquer coisa menos

extravagante, ou cara?

— Mas...

— Você não disse que queria começar a entrar em competições?

— Sim, mas...

— Então pronto! Precisa de um cavalo seu. Somente seu.

— É, mas...

— Ótimo! Estamos entendidos! Qual você escolheu?

Suspirei derrotado.

— O preto.

— Tem certeza? — Rodrigo perguntou.

— Sim.

— Mas ele não está adestrado.

— Tudo bem. Não tem problema — falei olhando meu pai, que sorria

largamente me olhando.

— Que coisa boa! Qual nome vai dar a ele?

— Ainda não sei. Vou ver como ele se comporta primeiro.

Depois de conversar com meu pai e tomar a decisão de ficar com o cavalo

preto, fiquei muito empolgado com a ideia. Rodrigo pareceu não aprovar

minha escolha, mas se o presente é meu, quem escolhe sou eu, certo?

Queria pegar o cavalo e montar, mas não deixaram. Miguel e Rodrigo

foram categóricos: nada de montar o cavalo até que se acostume. Tudo bem.

Eles não estão errados, mas eu estava tão empolgado que queria logo! Miguel

chegou a trancar a porta da baia... Não tenho cinco anos! Não vou entrar lá se

falaram que ele é indomesticado.

Não sei porque, mas não acho que seja...

Parei em frente a baia dele. Pelo menos a porta de cima o Miguel deixou

aberta e assim eu o vejo dali. Continuava no canto afastado da porta. Por um

momento passou pela minha cabeça que ele estava era com medo, mas no

segundo em que ele se aproximou da porta, eu quase corri, mas resolvi não me

mover e esperei para ver o que ele ia fazer.

O cavalo se aproximou da porta, mas não muito e ficou me encarando.

Fiquei parado no mesmo lugar olhando-o. Sempre gostei de cavalo, mas esse

tem algo a mais que não sei explicar...

Durante um bom tempo ele ficou no mesmo lugar me encarando. Achei

realmente que estivesse com medo e por isso não se aproximava, porém, ele

bufou e sacudiu a cabeça. Nesse momento fiquei tenso, mas não saí do lugar.

Ele se aproximou da porta lentamente. Os olhos presos em mim.

Agora estávamos um de frente para o outro, mas não me movi. Ele

esticou o pescoço na minha direção e então levantei a mão para acariciá-lo. Isso

bem lentamente. Toquei seu focinho delicadamente e ele balançou a cauda.

Logo moveu rápido a cabeça e por um momento achei que perderia os dedos,

mas ele só cheirou minha mão, para logo depois esfregar o focinho.

Sorri largamente e continuei acariciando-o delicadamente.

— Acho que é o começo de uma bela amizade, não é rapaz?

Ele bufou como se respondesse à pergunta.

À noite encontrei a Sabrina. Estávamos em um restaurante. Ela sempre

queria sair à noite e tinha que ser em um lugar bem chique e caro. Ela falava

sem parar sobre a escola e o quanto odiava aqueles adolescentes mimados e

respondões. Que se pudesse saia daquele lugar e de preferência dava na cara de

alguém. Disse que tinha um garoto que sempre a respondia atravessado e que a

única coisa que fez ele parar foi quando disse ser filha da diretora. Assim o

garoto passou a ser um anjo.

Sabrina continuou falando e falando, mas minha cabeça estava em outro

lugar. Pensava no cavalo preto e na possibilidade dele me deixar montá-lo. Isso

me empolgava demais! Nunca quis tanto subir em um cavalo bravo como

quero subir nele.

— Está me ouvindo?

— Claro que sim. — Me ajeitei na cadeira.

— Então...

Desviei o olhar dela, não é que eu ignore o que ela diz. É só que eu a

deixo falar e falar porque assim fica menos estressada, mas isso não quer dizer

que eu escute tudo o que ela fala. Até porque chega um momento que minha

mente vaga para outro lugar. Talvez um lugar mais alegre e com menos

reclamação...

Pensei de novo no cavalo e sorri. Ainda tenho que escolher seu nome.

— Está sorrindo pra quem?

— O que? — falei confuso.

— É aquela garota? — Apontou descaradamente para uma menina

sentada na mesa ao lado.

— Não estou sorrindo pra ninguém, Sabrina!

— Não se faça de idiota! Eu vi muito bem! — falou alto.

Olhei ao redor e as pessoas estavam olhando a gente.

— Para de falar alto, as pessoas estão olhando...

Ela olhou ao redor e ao perceber a mesma coisa que eu, amarrou a cara e

não falou mais nada. Sempre odiou pessoas escandalosas. E no momento ela

estava sendo uma dessas pessoas e sei que a raiva deve estar maior ainda agora.

Mas pelo menos não vai continuar gritando aqui.

Pedi a conta. Depois desse escândalo o melhor era ir para casa. Saímos do

restaurante e entramos no táxi. Sabrina não falou nada. O silêncio me

preocupa, pois acredito que quando for falar, não vai parar mais.

Tenho culpa por pensar em outras coisas quando ela só sabe reclamar?

O carro parou em frente ao apartamento dela. Desci do carro e

acompanhei até a portaria.

— Nunca mais sorria pra outra na minha frente!

— Sabrina eu não sorri pra ninguém.

— Eu vi muito bem! Não me faça parecer retardada! — Percebi que se

controlou para não gritar.

— Não sorri pra ninguém. Só me lembrei de uma coisa.

— Ah! Então nem prestava atenção no que eu falava?

— Você passou as últimas três horas falando sem parar! Eu nem tive

chance de contar as minhas coisas! — falei irritado.

Sabrina ficou em silêncio me encarando.

— Eu tenho que ir. — Virei as costas e segui para o carro, mas Sabrina

me segurou pela camisa. Respirei fundo. Estou cansado e quero ir embora

logo...

— Tudo bem. Me desculpe.

Franzi a testa e virei de frente para ela.

— É que eu estou estressada com as coisas aqui em casa. Aí nem notei

que... bem, não te ouvi.

— Sei...

— Você me desculpa? — Me puxou para mais perto.

— Tudo bem.

Ela sorriu largamente.

Me despedi dela e voltei para o táxi. Em alguns minutos, finalmente estava

em casa. Tomei banho e deitei na cama. Não sei se vou conseguir dormir.

Estou muito empolgado com meu cavalo novo...

Todos os dias eu visitava o cavalo e fazia carinho nele. Tinha que ter

paciência, então antes de tentar montar, queria que ele tivesse total confiança

em mim. E eu nele, é claro.

Depois de umas semanas o levei para fora depois de selá-lo. Diferente do

que Miguel achou, ele deixou fazer isso tranquilamente.

— Tem certeza? — Miguel perguntou visivelmente preocupado.

— Tenho e estou usando todos os equipamentos de proteção.

Miguel suspirou e se afastou. Me aproximei do cavalo e acariciei seu

focinho. Logo subi em suas costas. Esperei para ver a reação, mas ele ficou

parado. Arrisquei puxar a rédea para o lado e ele andou para o lado que eu

puxei. Fiz de novo para o outro lado e ele obedeceu.

Olhei Miguel com um grande sorriso e ele me devolveu um sorriso

nervoso.

Fiz o cavalo começar a andar e ele foi sem relutar. Quando percebi que ele

não me negava, fiz ele correr pelo lugar com a maior velocidade que consegui.

E põe veloz nisso! Acho que vou chamá-lo de Veloz.

Não... isso é muito clichê. Se bem que não me importo com isso. Mas

Veloz? Veloz... hum... Puxei as rédeas e ele parou.

— O que acha de Veloz?

Ele bufou e bateu a pata da frente no chão.

— Hum... Relâmpago?

Ele balançou a cabeça e bufou de novo.

— Tá... E que tal.... Cometa?

Agora ele relinchou alto e deu uns passos para trás, me fazendo agarrar as

rédeas. Achei que fosse me derrubar...

— Tudo bem. Então, Cometa.

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