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Capa do romance O Alfa que Me Reivindicou

O Alfa que Me Reivindicou

Sem proteção e sozinha, Gabriela aceita ser babá de um garoto peculiar, filho do temido Ethan Black Wolf. O Alfa, endurecido pela perda da Luna e pelo luto, é um predador instável que governa negócios sombrios. Quando a saúde do filho piora, ele permite a entrada da humana em seu domínio. Entre segredos e perigos, surge uma atração primitiva que desafia regras. Gabriela agora enfrenta um vínculo incontrolável: uma vez que o Alfa decide reivindicar, não há fuga.
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Capítulo 3

Gabriela

Eu não sabia se tremia, se gaguejava, se saía correndo ou se mantinha um sorriso falso no rosto. A presença da mulher parecia crescer dentro da sala, ocupando cada espaço, cada canto, e isso me fazia sentir absurdamente pequena perto dela. Não era apenas o tamanho ou a postura, era algo mais profundo, algo instintivo que me deixava em alerta.

_ Sinto que está nervosa, mas posso te garantir que não há motivos para isso. _ Disse ela sorrindo, como se já estivesse acostumada a esse tipo de reação.

_ Desculpe, onde eu moro não há tantos shifters, acho que estou desacostumada, e honestamente, apreensiva. _ Fui sincera, porque não havia como esconder. Meu rosto provavelmente já entregava tudo que eu estava sentindo.

_ Tudo bem, entendo perfeitamente. Muitas vezes a minha espécie é difícil de lidar, e mesmo sem querer acabamos intimidando os humanos. _ Disse ela, coçando a cabeça de forma quase... sem jeito.

Aquilo me surpreendeu um pouco. Aos poucos, a imagem de alguém perigoso começou a se desfazer, dando lugar a uma mulher que parecia mais acessível do que eu esperava.

_ Então o contratante é um alfa? _ Perguntei, sentindo um arrepio subir pela minha nuca só de falar.

_ Sim, o senhor Black Wolf é o herdeiro da família, e após a morte da sua luna ele acabou optando por não ter babás, disse que criaria o pequeno sozinho, pelo menos até agora.

Aquilo fez sentido, pelo menos dentro do que eu já tinha ouvido falar. Alfas não eram conhecidos por serem flexíveis.

_ E o que o motivou então? Pergunto isso pois dificilmente os alfas mudam de ideia. _ Comentei, lembrando de tudo que já escutei ao longo dos anos. Sempre diziam que eles eram teimosos, territoriais e praticamente impossíveis de convencer quando colocavam algo na cabeça.

_ Não sabemos, ele apenas decidiu. Porém, é difícil achar bons profissionais hoje em dia, mas só de ver você já simpatizei! _ Disse ela abrindo um sorriso largo.

Aquilo me pegou desprevenida. Eu esperava uma entrevista rígida, perguntas difíceis, algum tipo de teste... mas não aquilo. A conversa estava fluindo de um jeito estranho, quase como se ela já tivesse tomado uma decisão.

Valéria começou a falar mais sobre a família Black Wolf, explicando que por muitos anos eles foram temidos por conta do temperamento forte, mas que as coisas haviam mudado bastante nas últimas décadas. Comentou também que, caso eu aceitasse o trabalho, provavelmente ouviria muitas histórias e fofocas, mas que a maioria não correspondia mais à realidade.

O contratante era um alfa, e o filho dele ainda não tinha um cheiro definido, o que era comum para filhotes tão novos, mas havia grandes chances de que também fosse um alfa no futuro. Segundo ela, era raro nascer um ômega em uma linhagem tão forte.

Enquanto ela falava, eu tentava absorver tudo. Não era só um emprego comum, era um ambiente completamente diferente de tudo que eu conhecia.

Ela também comentou sobre os funcionários da casa, dizendo que havia muitos shifters ali, principalmente lobos e ursos, mas também alguns humanos. Aquilo me deixou um pouco mais tranquila, embora não o suficiente para apagar o nervosismo.

_ Bem, o salário é realmente muito bom, e você comentou sobre um alojamento, certo? _ Perguntei, já sentindo uma pontinha de esperança crescer dentro de mim.

O nervosismo começou a dar lugar à empolgação, mesmo que ainda misturada com receio. Aquela oportunidade podia realmente mudar minha situação.

A conversa continuou fluindo com mais leveza, e em pouco tempo já estávamos falando de outras coisas, quase como se eu já fizesse parte daquele ambiente.

_ Se quiser, pode começar hoje mesmo! _ Disse Valéria, claramente animada.

_ Bom, seria uma honra, mas preciso pegar mais alguns pertences na minha casa para passar a semana. E também, gostaria de conhecer o pequeno.

_ Ah, é claro! _ Ela se levantou rapidamente, com um entusiasmo contagiante.

Começamos a caminhar pelos corredores, e Valéria falava sem parar. Era curioso como ela parecia completamente diferente de quando entrei na sala. Mais leve, mais espontânea, até arrancando algumas risadas sinceras de mim.

Subimos uma escadaria longa, e senti um leve desconforto nas pernas, mas ela parecia não sentir esforço nenhum. Era impressionante como os metamorfos eram fisicamente superiores. Mais resistentes, mais fortes, com uma recuperação que nenhum humano conseguiria alcançar. Sem contar a altura, principalmente dos machos, que facilmente passavam dos dois metros.

Paramos em frente a uma porta grande, com detalhes em ouro e um pequeno lobo entalhado, obviamente preto. Aquilo me fez engolir seco sem nem perceber.

Valéria abriu a porta com cuidado, e assim que olhei para dentro, minha atenção foi completamente capturada pela criança.

O espaço parecia uma mistura de brinquedoteca com quarto, cheio de objetos coloridos e organizados. No meio disso tudo, estava ele.

O menino aparentava ter dois ou três anos, mas havia algo que me dizia que ele era mais novo do que parecia.

_ Este é o Victor, ou como nós o chamamos, Vic. _ Disse Valéria.

Me aproximei devagar e me sentei ao lado dele no tapete. Ele estava concentrado em um brinquedo, completamente alheio à minha presença por alguns segundos.

Observei seus cabelos escuros, quase negros, e a forma como suas pequenas mãos se moviam com agilidade.

_ E quantos anos Victor tem? _ Perguntei, ainda olhando para ele.

No momento em que minha voz saiu, ele parou o que estava fazendo e levantou o olhar na minha direção.

E então nossos olhos se encontraram.

Foi instantâneo.

Algo estranho aconteceu.

O tempo pareceu desacelerar, e tudo ao redor perdeu importância. Eu ainda podia ouvir Valéria falando ao fundo, mas suas palavras já não faziam sentido.

Era como se eu estivesse presa naquele momento.

No olhar dele.

Meu corpo reagiu de uma forma que eu não consegui entender. Não era medo, não era nervosismo... era outra coisa.

Vic se levantou e abriu os braços para mim.

E, sem pensar, eu o puxei para perto.

Assim que o segurei contra o meu corpo, senti algo mudar dentro de mim. Meu coração, que antes estava acelerado, começou a se acalmar de forma gradual.

Ele encostou o rosto no meu pescoço e esfregou o narizinho ali, provavelmente reconhecendo meu cheiro, e aquilo, por algum motivo, me deixou completamente tranquila.

Depois disso, ele soltou um bocejo longo.

Vic simplesmente se acomodou no meu colo, pegou a chupeta e, aos poucos, seus olhos foram ficando pesados.

O contato visual se desfez naturalmente.

E então... ele dormiu.

_ Ele é tão fofo! _ murmurei, ainda segurando o pequeno corpo quente contra mim. _ Quantos anos ele tem mesmo?

Levantei o olhar para Valéria esperando uma resposta simples, mas o que encontrei foi completamente diferente.

A expressão dela havia mudado.

O sorriso tinha sumido.

No lugar, havia um olhar apreensivo.

Ela coçou a cabeça novamente, e dessa vez percebi algo mais claro: seus olhos estavam em um tom alaranjado mais intenso.

_ Ele tem um... um ano. Completou na semana passada. _ Disse, mordendo o lábio.

Franzi levemente a testa.

_ O que foi? Parece preocupada... _ Perguntei antes mesmo de pensar.

Ela soltou um suspiro longo.

Em silêncio, apontou para um berço grande ao lado.

Levantei com cuidado e coloquei Vic ali, ajeitando-o sem dificuldade. Ele nem sequer se mexeu, continuando a dormir tranquilamente.

Assim que saímos do quarto, senti falta imediata do calor dele. Aquilo me pegou de surpresa. Eu mal tinha passado alguns minutos com ele, e ainda assim... parecia que algo havia se conectado.

_ Estou chocada, Gabriela! _ Valéria segurou meus ombros, com os olhos arregalados.

Pelo menos agora estavam menos intensos.

_ Po-Por quê?

_ Vic não gosta de ninguém. Ele morde todas as pessoas que se aproximam, até mesmo o Alfa. Ele é um filhote bem difícil!

_ Nossa, e você me avisa isso agora? _ reclamei, enquanto ela começava a rir. _ É sério, ele poderia ter mordido meu pescoço ou algo pior!

Ela riu ainda mais, claramente se divertindo com a situação.

_ Se fosse para morder, ele teria feito isso assim que você entrou.

_ Por isso me deixou ir na frente? _ perguntei, indignada.

_ Óbvio. Todo filhote tem presas afiadas! Mas enfim... parabéns! _ Ela parou no corredor e estendeu a mão.

Olhei para ela por um segundo antes de reagir.

_ Você está oficialmente contratada!

_ Oh... _ apertei sua mão, ainda meio surpresa.

Ela parecia muito mais animada do que eu.

_ Então você volta hoje, pega o que precisa, e eu preparo seu quarto. Vou avisar o senhor Black que o pequeno Vic aprovou você.

Ela se virou e começou a andar novamente, ainda empolgada.

Eu apenas segui, tentando processar tudo aquilo.

Assim que cheguei ao carro, Cris me observou dos pés à cabeça e abriu um sorriso satisfeito.

_ Está inteira, menina!

_ Sim... acho que o pequeno não quis um pedaço meu. _ respondi, rindo, ainda meio nervosa.

Mas, no fundo... algo dentro de mim dizia que aquela história estava apenas começando.

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